quinta-feira

Atos ou palavras?

"Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranquilizaremos a nossa consciência diante de Deus, caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos." (1Jo 3,16-22)
Que maravilha começar essa formação de hoje com essa belíssima passagem da primeira carta do apóstolo do amor, um jovem que experimentou profundamente o amor de Jesus Cristo. E esse amor fez com que ele fosse o mais doce, carinhoso e atencioso dentre os doze, e amado, predileto de Jesus pela sua confiança plena no Senhor. Mas não podemos nos confundir: João era extremamente egoísta, irritado, explodia por pouca coisa e não sabia amar. Ele passou por uma experiência de crescimento como pessoa, como filho de Deus, como servo do Senhor, como alguém que encontrou o sentido da vida. Compreenderemos, a partir de alguns relatos da própria vida de São João, como temos a NECESSIDADE de crescer sempre, em todos os sentidos (da mesma forma como já aprofundamos em outra postagem esse crescimento a partir de Jesus).
O nosso foco hoje não será amor, experiência, fé, liberdade, conhecimento de Deus, mundo, pecado, perdão, arrependimento, serviço ou qualquer outro dos temas que já tratamos nas outras postagens, mas será essencial para a vivência verdadeira desses e dos demais que aprofundaremos nesse blog, com a graça de Deus. O tema nos remete a um questionamento: atos ou palavras? O que precisamos fazer para crescer? Para que precisamos desse crescimento? Qual o sentido de crescer ou não crescer?
Na passagem acima temos o ensinamento de João, que diz que não devemos amar com palavras nem com a língua, mas POR ATOS E EM VERDADE. Por que ele diz isto? Porque ele se conhece, porque ele conhece o homem, suas capacidades e seus apegos, suas virtudes e seus defeitos. Não trata-se de um conselho para uma comunidade em especial, para um tempo da história ou para um grupo de pessoas, mas para toda a humanidade, em todos os tempos, para todos os locais da face da Terra.
Os homens são parecidos em todas as partes do planeta: existem os mesmos problemas, as mesmas fraquezas, os mesmos condicionamentos (quando não é material, é espiritual, é falta de liberdade, é apego às coisas e às pessoas, é infidelidade no serviço a Deus, é imoralidade, é impiedade, é impureza, é falta de conhecer a Deus profundamente, é superficialidade, etc). Mudam-se os lugares, mudam-se os hábitos, tradições, costumes, mas as pessoas não deixam de ser HUMANAS.
Para poder dar passos na direção de um crescimento real precisamos aprender a nos conhecer. Estamos acostumados a viver na sociedade sem nos conhecer e sem conhecer aos outros. A mídia mostra de forma muito bela as pessoas, os relacionamentos, os problemas; até o pobre na novela tem um nível acima do normal que conhecemos na realidade. Os "simulacros" que nos rodeiam, isto é, cópias imperfeitas e fingidas da vida humana na sociedade, nos levam a crer que não precisamos nos conhecer. 
Na Igreja Católica, os grande homens de Deus que conhecemos são unânimes em dizer que "ANTES DE CONHECER A DEUS, PRECISAMOS NOS CONHECER". Aí já entendemos o sentido de existir tantas atrações hoje em dia; para que não passemos pela experiência de conhecer-se a si mesmo (como dizia o filósofo Sócrates). Mas como conhecer-se? Através dos gostos, desejos, vontades, coisas boas; mas também através dos erros, defeitos, fraquezas, misérias. Mas precisamos entender bem: uma coisa é ser pecador e aceitar a própria natureza, compreendendo a situação em que se vive; outra coisa muito diferente é aceitar o pecado, pois não fomos feitos nem chamados a vida para viver o pecado, mas para viver a santidade (cf. 1Ts 4,7) [da mesma forma é quem está doente e não deve aceitar a doença, pois não é vontade de Deus, mas lutar contra ela, já que a vontade do Senhor é que todos sejamos salvos, curados, libertos, sarados e livres - tema que aprofundaremos em outras postagens].
Apenas a partir do momento em que nos decidimos por mudar (porque enxergamos que algo não está bom em nós) é que começamos a crescer. Essa palavra bíblica deve nos levar a reflexão: Como amar aos outros, se nem sequer amamos a nós mesmos, o que conhecemos e o que não conhecemos? Como ser da verdade, se primeiramente, nem reconhecemos as mentiras que estão na nossa vida? Como tranquilizar a consciência se vivemos escondendo as coisas de Deus, sabendo ou não que Ele é maior do que a nossa consciência? Como chegar a esse nível de ter uma confiança plena no Senhor, guardar os seus mandamentos e ainda fazer o que é agradável aos seus olhos?
Falar assim é muito bonito, soa muito bem, parece uma receita mágica para crescer em Deus; mas não é nada disso. Não propomos nessa postagem coisas mágicas que devem ser seguidas à risca para que haja transformações ou mudanças (como a primeira imagem acima), mas  propomos um caminho para ser seguido, vivido e experimentado na prática, para que, seguindo nessa direção, cheguemos a experiência e mantenhamo-nos crescendo de modo autêntico.
Muitas pessoas tem uma boa vontade impressionante: se propõem a fazer coisas que muitas vezes conhecem, sabem de cor até, mas na prática, não chegam a ser metade do que falam. Sua palavra garante uma coisa, mas sua realidade é um pouco diferente. Temos duas opções para não cair nesse erro: falar bem menos ou agir bem mais. Conhecer-se é isso: reconhecer com as palavras que muitas vezes nossos atos não são lá aquelas coisas. Isto vale para o relacionamento com as pessoas e com Deus; quando prometemos que vamos fazer isso ou aquilo, temos uma vontade verdadeira de realizar, mas não conseguimos, pois ainda não passamos pela experiência de crescer; somos como crianças. 
Quantas pessoas podem ajudar aos outros neste mundo? Se fizermos uma análise (fictícia) do mundo hoje iremos perceber que: 80% da população é pobre e vive em condições de vida normal ou abaixo do normal; uns 15% tem dinheiro e vive bem melhor; e os outros 5% tem o mundo inteiro nas mãos. Como esses cinco por cento (ou os quinze por cento, ou até mesmo a maioria) vêem os outros passarem fome, necessidades e ainda querem dizer que conhecem a Deus, que neles está o amor de Deus sendo que não ajudam e nem se importam? Se somos seguidores de Cristo, temos que agir como Ele agiria, diante das mais diversas situações. Não é apenas dizer, é preciso fazer.
Vejamos alguns traços que vão formar a personalidade de João para que nós o conheçamos melhor.
"Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma? Jesus voltou-se e REPREENDEU-OS SEVERAMENTE. [Não sabeis de que espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação." (Lc 9,51-56)
Por causa desse acontecimento descrito que São Lucas narrou em seu Evangelho, é que Tiago e seu irmão João eram os irmãos 'boanerges', ou Filhos do trovão, como Marcos vai nos ensinar (cf. Mc 3,17). Eles tinham uma má fama entre o povo e entre os apóstolos; fama essa que não foi construída da noite para o dia, mas com um trabalho árduo e intenso de atitudes e palavras indelicadas como essa, ao longo da sua vida. Mas foi com o passar do tempo e com a convivência que foram apelidados assim.
Em um outro momento, os mesmos irmãos, se aproximam de Jesus e fazem um pedido que incomodou realmente e levou os discípulos a indignar-se contra eles:
"Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos. Que quereis que vos faça? Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda. Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado? Podemos, asseguraram eles. Jesus prosseguiu: Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado. Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos." (Mc 10,35-45)
O engraçado é que nesses dois acontecimentos narrados, e em outros que devem ter acontecido (que não estão narrados na Bíblia) Jesus sempre tenta ajudá-los a desenvolver o entendimento a respeito de como deveriam portar-se como seus seguidores. Podemos crer que pelos ensinamentos de Jesus, pelo conhecimento que Ele tinha, e pela forma como 'falava e vivia' é que os discípulos, aos poucos, também Tiago e nosso querido João, foram sendo transformados.
Jesus não era incoerente. O que Ele pregou durante a vida inteira, foi concretizado com suas obras e levadas a perfeição quando morreu na cruz, selando os seus ensinamentos radicais com o seu sangue derramado. Aprendamos com Ele e deixemo-nos ser transformados, para darmos passos rumo a coerência na nossa vida também.
Para uma criança, que ainda está sendo formada a como pensar, a como ver o mundo e o que é certo e errado não há muita diferença entre o que falamos e vivemos: elas aceitam o que falamos como verdade absoluta. Basta crescer um pouquinho e a criança começa a perceber uma certa incoerência nos pais, por exemplo, e param de obedecer alegando: você não faz isso, por que eu vou fazer? E muitos pais usam e ensinam os filhos com uma verdade diabólica, que lúcifer utiliza: "Faça o que eu falo, não o que eu faço!" ISSO É UM ABSURDO!
Nesse pequeno exemplo e pelo nosso conhecimento de mundo, sabemos que as pessoas falam uma coisa e vivem outra. O problema é quando são pessoas que se dizem de Deus, mas não é nem por maldade: pelo fato de estarem acostumados a viver assim; quando começam a servir a Cristo, continuam assim. Mas o grande problema não é esse: é reconhecer essa incoerência na própria vida e não querer ou não deixar-se transformar por Deus.
MUITOS ESTÃO ASSIM HOJE EM DIA! É pela incoerência e infantilidade dos cristãos que muitos estão tornando-se ateus, mudando de religião e dizendo que vivem melhor sem Deus, do que com Deus; o erro não está em Deus, em Jesus, no Espírito Santo ou no que Ele ensinou e viveu, mas na nossa fraqueza e erro de dizer uma coisa que realmente não vivemos com Ele.
Falar de Deus é fácil, falar da sua Palavra é fácil, falar da graça de Deus é fácil; difícil é viver com Ele, aplicar sua Palavra no viver e conservar-se em sua graça. É realmente difícil, mas não é impossível! Por mais que sejamos maus, duros de coração, tenhamos um passado triste de dores e sofrimentos, infidelidades, impureza ao extremo e tudo o mais que possamos pensar, DEUS É MAIS QUE TUDO ISSO. Nada é impossível para Ele, mas nós não temos a coragem ou a maturidade para crer nisso; e permitir que Ele aja em nossa vida, transformando e mudando aquilo que deve ser mudado.
Precisamos deixar o Senhor nos transformar e tirar desse mundinho de infantilidade que é provocado pela mídia, pela moda, pelo cristianismo de conveniência, pela vida com Deus sem compromisso, em que o único alimento é um leitinho espiritual que só pode sustentar uma criança na fé; pela falta de sabedoria e vacilação de tantos que abalados pelas coisas  são levados pelo vento e agitados de um lado para outro, como uma onda no mar (cf. Tg 1,6), pela busca do prazer e distanciamento de Deus. Quantos exemplos poderíamos citar para demonstrar de forma concreta como estamos sendo infantis, e por estar apegados a essa infantilidade, o Senhor não pode nos transformar, não porque Ele não quer, mas porque não desejamos.
Analisemos uma coisa importante que São Paulo ensinou a comunidade de Corinto:
"Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos." (1Cor 4,20)
Trata-se de uma exortação que prefigura o céu. E um caminho também: quer viver o Céu aqui na Terra? Fale com sinceridade aquilo que você é e o que vive realmente, mas sobretudo, viva aquilo que você fala!
Na oração muitas vezes não somos atendidos porque pedimos uma coisa para Deus com as palavras, mas não demonstramos com nossas atitudes que queremos aquilo realmente. Nossos atos falam muito mais a Deus aquilo que queremos do que nossas palavras propriamente ditas.
Temos que aprender agir mais e falar menos para que nos convertamos, para que aprendamos a ser coerentes, para que sejamos livres das acusações do demônio em que nos colocamos, por não refrearmos a nossa língua indomável [cf. Tg 3] (em outra postagem aprofundaremos mais esse tema de acusações do demônio), para termos uma fé verdadeira. Tiago, nos ensina com maestria sobre a fé, pois também era um boanerges, como seu irmão João:
"Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas. Assim se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu em Deus e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus (Gn 15,6). Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? Do mesmo modo Raab, a meretriz, não foi ela justificada pelas obras, por ter recebido os mensageiros e os ter feito sair por outro caminho? Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,17-26)
Sabe por que o mundo que não conhece a Deus, ou esse Aeon, (cf. 1Jo 5,19) não quer que cresçamos em Deus, como pessoas, que pensemos, que tenhamos uma vida coerente, de fé, firme com Deus, com compromisso, provada no fogo da provação e alicerçada no coração de Jesus Cristo e da sua Palavra? Porque enquanto formos como crianças e infantis, aceitaremos tudo o que ele nos enfiar goela abaixo.
O Senhor que nos orienta, nos guia, conduz, fortalece, edifica a nossa vida e faz tudo por nós, quer nos ver passar pela mesma experiência de crescimento que São João e São Tiago passaram, para que desprendendo-nos de nossas infantilidades possamos ser como eles, outros discípulos e tantos outros homens e mulheres de Deus que incendiaram o mundo com sua radicalidade de amor por Jesus Cristo, sendo a diferença no mundo e na sociedade: vivendo a pureza, mesmo em meio a prostituição e imoralidade; vivendo a loucura do Evangelho autêntico, da forma que Jesus pediu, mesmo em meio a tantas doutrinas e seitas que ajustam o Evangelho para viverem de forma agradável; vivendo com o mal do pecado e a tendência para pecar, mas jamais aceitando o pecado, mas sempre lutando contra ele; vivendo como peregrinos aqui na Terra, aguardando nossa pátria celeste, mesmo vendo tantos construírem impérios e mansões pensando que a vida eterna será aqui; vivendo o amor verdadeiro com atitudes, mesmo em meio a um mundo que ama de maneira falsa apenas com palavras.
Importante não esquecermos que muitas coisas sérias e firmes de Deus devem ser feitas através de palavras, professando a fé, renunciando ao mal, aceitando o Senhor, pedindo o Espírito Santo, entregando-se ao Senhor, pregando a Palavra, etc. Mas são passos que damos, de palavras em palavras para atos em atos, para que fiquemos firmes e inabaláveis no Senhor, nosso Deus.
"Aquele que afirma permanecer nEle, deve também viver como Ele viveu." (1Jo 2,6)

Coloque-se na presença de Deus para finalizar essa formação de hoje, para que demos os passos necessários e cheguemos ao terreno firme das atitudes: "Doce Jesus, creio que tu queres que eu cresça, e eu quero crescer Senhor. Mas muitas coisas me impedem de ser como o Senhor quer que eu seja. Por isso mesmo, assumindo minhas impotências é que eu clamo a tua graça, o teu amor, a tua graça que é santificadora e fonte de santidade para todo o meu ser, para todo o meu viver. Derrama sobre mim a tua graça Senhor, sem TI eu nada posso. Eu clamo e súplico no teu nome ó Jesus: eu quero viver uma vida agradável ao Senhor, mas eu não consigo; por isso derrama sobre mim a força do Teu Espírito Santo, revestindo e envolvendo todo o meu ser. Protege-me da incoerência no falar e no viver. Eu quero ser todo Teu Senhor. Abrasa o meu coração neste momento. Dá-me uma experiência forte e real com teu amor. Renova em mim a tua ação de revitalização, jovializando meu coração, meu espírito e minha alma. Dá-me a graça de um espírito firme e decidido, quero estar firme na rocha que é o Senhor e não ser como uma criança que se abala por qualquer coisinha, mesmo que sejam coisas fortes. Prova-me e dá-me uma fé autentica, traduzida em obras e no amor pelos irmãos. Fortalece-me e sustenta-me com tua destra Senhor, selando em mim, com teu sangue santíssimo, a graça de perseverar contigo, crescendo sempre, para que eu seja cada vez mais tua imagem e semelhança. Obrigado Senhor, seja engrandecido, louvado, amado, bendito, glorificado, honrado, exaltado, enaltecido pela tua bondade, pelo que o Senhor é e pelo que o Senhor faz. Honras e louvores ao teu nome. Amém."

Que Deus enriqueça nosso coração, nos dando a graça de crescer e agir nesse sentido, colaborando com a vontade do Senhor.

Corpus Christ

Aleluia! Glórias sejam dadas a Deus por Jesus Cristo na força e na graça do Espírito Santo. Sempre que temos um tema forte e importante, temos que travar uma verdadeira batalha contra o inferno para podermos ser canal da graça de Deus. Mais isso não tira a grande alegria no coração por poder partilhar este maravilhoso tema: Corpus Christ. Do latim temos a tradução "CORPO DE CRISTO".
Queremos refletir e aprofundar este tema, que tem muito mais a ver com o mundo católico do que com as outras religiões cristãs; menos ainda com outras religiões. Mas veremos que não trata-se de um simbologismo ou um costume barato mas de uma realidade que muitas vezes passa despercebida em nossa sociedade: O que é o corpo de Cristo? De onde vem? Qual o sentido da existência? Porque os católicos adoram? É idolatria? Para que celebrar esse Corpus Christ?
Vamos iniciar com a palavra de Deus para termos a direção de hoje motivada pela verdade bíblica em que o próprio Jesus nos ensina após ter realizado o milagre da multiplicação dos pães (cf. Jo 6,1-15) e o milagre em que caminhou pelas águas do lago Tiberíades (cf. Jo 6,16-21):
"Jesus replicou: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes... Todo aquele que o Pai me dá virá a mim e o que vem a mim não o lançarei fora. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia. Esta é a vontade de meu Pai: todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Murmuravam então dEle os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. [Jesus responde]: Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo." (Jo 6,35-41.51)
Analisemos o contexto em que Jesus estava situado quando disse essas coisas. Nos capítulos anteriores do Evangelho de São João temos o relato do que Jesus já havia realizado: encontro com os primeiros discípulos, o milagre nas bodas de Caná, conversa com Nicodemos, encontro com a samaritana no poço de Jacó, cura da filha de um oficial, cura do paralítico do tanque Betesda. Em seguida temos a multiplicação dos pães e Jesus andando sobre as águas do lago Tiberíades, conforme versículos que descrevemos acima.
Jesus já estava manifestando a sua glória e mostrando o seu poder curador e libertador quando começou o discurso do pão da vida. E já começamos aqui descrevendo o sentido de Jesus ter realizado estes dois milagres antes de fazer começar a falar sobre o pão da vida: ELE QUIS DEMONSTRAR QUE TEM DOMÍNIO SOBRE A MATÉRIA DO PÃO E QUE TEM DOMÍNIO SOBRE O SEU CORPO. Entenderemos ao longo dessa postagem o sentido do nosso Senhor Jesus Cristo ter feito isso; que não foi de propósito, mas intencional.
Essa postagem toda girará em torno desse capítulo sexto do Evangelho de São João; mas precisamos da atitude concreta de Jesus sobre o pão da vida, pois até então Ele apenas falava a respeito, mas não tinha demonstrado e traduzido em gestos o que falava. Foi  na famosa "Última Ceia" que Ele exemplificou e realizou a primeira obra da face da Terra em que entregou o pão e o vinho aos discípulos, não como pão e vinho, mas como o seu corpo e o seu sangue.
"Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se a mesa, e com Ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribui-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós." (Lc 22,14-20)
Que loucura parece aos nossos olhos essa cena da Última Ceia. Jesus entregou o "pão" aos discípulos após ter dado graças e disse "ISTO É O MEU CORPO". Mas que absurdo Jesus fez? Ele estava bêbado? Ele tinha fumado antes da ceia? Ele estava muito louco? Ou Ele estava falando em termos figurados?
Ahh irmãos, se não fosse o próprio Jesus poderíamos dizer que trata-se de uma palhaçada, uma brincadeira com coisa séria. Mas foi Jesus que disse isso! Ele não disse: isto parece o meu corpo; isto pode ser o meu corpo; isto é uma lembrança; isto representa o meu corpo; isto é um pão mas vai lembrar meu corpo. Jesus disse com todas as letras: "Isto é o meu corpo".
Quando tomou o cálice nas mãos, Jesus fez a mesma coisa dizendo "ESTE CÁLICE É A NOVA ALIANÇA EM MEU SANGUE". Para tirar nossas dúvidas, vamos ao mesmo contexto no Evangelho de São Mateus:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados." (Mt 26,26-28)
Não seriamos coerentes se não expuséssemos também o Evangelho de São Marcos, em tal contexto:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos." (Mc 14,22-24)
Apenas não vamos trazer aqui esse trecho da Última Ceia do Evangelho de São João; e você deve saber o porquê. Porque João traz a verdade sobre a última ceia; e nos narra Jesus falando: Isto representa o meu corpo e o meu sangue? Não! Porque ele não nos relata esse momento: João se preocupou em trazer-nos o que Jesus falou na Última Ceia, já que os outros três evangelistas já tinham falado sobre o ato. Então, conforme a narração e o reforço dos outros dois Evangelhos (Mateus e Marcos) Jesus disse: ISTO É O MEU SANGUE. Ele não disse: Isto lembra o meu sangue; isto parece o meu sangue; isto representa o meu sangue. Ele disse que é.
Infelizmente, muitas pessoas distorceram a palavra da Bíblia e não aceitam essas palavras, dizendo que trata-se de uma figura de linguagem, que Jesus não queria dizer isso mesmo e arranjam mil e uma desculpas para dizer que não é essa a mensagem do Evangelho, da mesma forma que os seguidores de Jesus não aceitaram o que Jesus disse quando falou sobre o pão da vida. Temos aqui uma coisa muito séria: OU ACREDITAMOS NA BÍBLIA COMO PALAVRA DE DEUS; OU AMOLDEMOS ELA AOS NOSSOS GOSTOS HUMANOS.
O pessoal da época deve ter ficado muito confuso, entristecido, enraivado, nervoso e descrente de Jesus. Um homem que realizava milagres, sinais e prodígios. Parecia que Deus estava com Ele; ele falava com autoridade; e de repente nos pregar uma peça dessas... Mas Jesus não estava pregando peça ou falando de forma figurada, como veremos na continuação do capítulo 6:
"Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a MINHA CARNE É VERDADEIRAMENTE UMA COMIDA E O MEU SANGUE, VERDADEIRAMENTE UMA BEBIDA. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem como deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6,47-59)
Perceba quantas vezes Jesus insistiu em dizer que Ele é o pão da vida; que sua carne e seu sangue são verdadeiramente uma comida e uma bebida. Em seguido temos a reação do povo:
"Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Que será, quando virdes subir o Filho do homem para onde ele estava antes...? O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. DESDE ENTÃO, MUITOS DOS SEUS DISCÍPULOS NÃO ANDAVAM COM ELE. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iriamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,60-69)
Isso te soa familiar querido e querida de Deus? Jesus falou e insistiu que daria sua carne e seu sangue como comida e bebida para nossa salvação (e realmente deu, instituindo na Última Ceia a forma santa que realizou isto, abençoando o pão e o vinho) e os discípulos diziam que isso era MUITO DURO de aceitar. O que Jesus fez quando murmuravam que isso era difícil de admitir? Ele disse: "Não pessoal! Vocês não entenderam direito; eu estava me referindo de forma simbólica. Eu não vou dar minha carne e meu sangue mas não vai ser como comida e bebida, mas na cruz me entregando por vocês. Não sejam tolos; entendam o que estou dizendo!"? De forma alguma, Jesus foi ainda mais autoritário e não voltou atrás: 'Isso vos escandaliza?'
Por que MUITOS dos discípulos de Cristo pararam de segui-Lo e andar com Ele? PORQUE NÃO ACEITARAM ESSA VERDADE QUE SAIU DA BOCA DO PRÓPRIO JESUS. Sinto em dizer, com todo o respeito aos irmãos protestantes e evangélicos: a ÚNICA IGREJA que acredita nessas palavras de Jesus e continua a venerar e amar esse mistério do corpo e do sangue do Senhor nas espécies do pão e do vinho é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana (em outras postagens falaremos mais sobre ela). É verdade que os irmãos evangélicos celebram a última ceia, conforme Jesus pediu: "Fazei isto em memória de mim"; mas não acreditam a fundo nisto; comem do pão e bebem do vinho como pão e vinho mesmo.
Na Igreja Católica levamos a sério as palavras de Jesus, assumimos com verdade isto e celebramos na missa a entrega de Jesus na Última Ceia, e após o momento de consagração que acontece em toda missa, temos a carne de Jesus e o seu sangue. Não tratamos como pão e vinho, mas como CORPO E SANGUE. (em outras postagens, aprofundando o tema da "missa" entraremos em detalhes e nos méritos de como isto acontece).
Eis o sentido de CORPUS CHRIST: verdadeiramente o corpo de Jesus Cristo na espécie do pão que é consagrado no altar. Isto é o corpo de Jesus que celebramos, amamos, adoramos, veneramos, cultuamos e toda a vida da Igreja é voltada para este mistério central: Não enxergamos com nossos olhos humanos, mas acreditamos que Jesus não está presente no pão consagrado, mas ELE TRANSFORMA O PÃO EM SUA CARNE; e torna-se Ele próprio. Por isso não é idolatria!
Não adoramos ao hostensório; que é o objeto (muitas vezes de ouro, porque acreditamos que o corpo de Jesus merece o melhor) em que o corpo de Cristo é colocado para ser adorado, mas a própria carne de Cristo: o pão vivo descido do céu. Esse é o sentido quando nos dobramos diante do sacrário; que é o lugar onde o corpo de Jesus fica guardado, esperando para ser adorado; esse é o sentido de nos ajoelharmos na missa; esse é o sentido de nos ajoelharmos perante o hostensório, em que a carne sacrossanta de Cristo está inserida para ser adorada.
Se você é católico e não sabia disso, seja formado e viva essa verdade que a sua Igreja te ensina com todo amor e todo cuidado. Se você é protestante/evangélico/cristão, convidamos você a mergulhar na sua Bíblia e tirar suas próprias conclusões a respeito deste tema. Se você é de outra religião, convidamos você a conhecer a presença de um Deus que te ama tanto que foi capaz de derramar seu sangue na cruz por você, fez e faz tudo o que pode, e ainda dá sua carne e seu sangue para te alimentar. Se você é ateu, saiba que há um Deus que quer te dar um banquete aqui na terra, para que você comece a viver o céu; ou estenda sua visão de céu: o Céu na Terra é o corpo de Cristo, que desceu do céu, e nos alimenta.
Qual o sentido de celebrarmos, amarmos, adorarmos e comermos o pão consagrado (a carne viva de Jesus Cristo) na Igreja, em cada missa ou momento de oração? A força de Jesus que recebemos é sua palavra, seu Espírito Santo, sua presença de amor nos irmãos, e sobretudo, a sua carne que comemos e o seu sangue que bebemos. CELEBRAMOS O CORPO DE CRISTO PORQUE ELE NOS ANIMA A CONTINUAR, A DAR PASSOS NA FÉ, A VIVER O CÉU NA TERRA. ELE NOS DÁ CORAGEM PARA PERMANECER FIRMES COM ELE, MESMO EM MEIO AS TRIBULAÇÕES; AFINAL, COMO JESUS DISSE, VIVEMOS POR JESUS, JÁ QUE O RECEBEMOS DE FORMA REAL.
"Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." (1Cor 11,29-30)

Encerramos esta postagem (mesmo atrasados) com as palavras do grande apóstolo de Cristo, São Paulo. Para que não haja tantos doentes, fracos e mortos no nosso meio; precisamos zelar, amar e viver com intensidade este mistério do corpo e do sangue de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho. Isto significa, levar a sério a missa, receber a carne de Jesus Cristo e adorá-Lo com toda a intensidade da nossa alma, adorar e amar a Ele que se entrega de forma tão simples e pequena, mas que é tão tremendo e gigantesco. Amemos e adoremos ao corpo de Cristo!

Deus nos abençoe e nos ajude a aceitar, amar e colocar em prática o que aprendemos nesta postagem.

O desapego de quem é livre

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus como é maravilhoso partilhar as coisas do Senhor. Que bom é poder compartilhar com você aquilo que Deus fala ao meu coração essa semana, e saber que você propagará aquilo que ler por aqui, da mesma forma que você partilha aquilo que Deus fala ao seu coração. Se não fala, talvez é porque você não esteja tendo tempo para Ele (leia a postagem sobre o "Tempo") ou esteja com o coração fechado (leia a postagem "Ele está a porta e bate"). Ou talvez, você não tenha essa intimidade com o Senhor (em outras postagens aprofundaremos o tema intimidade). O que queremos nessa noite é gerar no seu coração um desejo de partilhar aquilo que aprendemos, aquilo que vivemos com o Senhor, para que mais gente busque a Ele com o coração sedento.
Ora, nosso tema dessa semana nos fala de desapego e liberdade: Qual a relação entre essas duas atitudes? Desapegar-se do que? Liberdade em qual sentido? O que devemos fazer para alcançar os resultados que essa postagem vai nos propor? Abramo-nos a santa ação do Senhor e permitamos que Ele nos ajude, nos oriente, nos guia, nos conduza, fortaleça nosso coração, enriqueça nosso espírito com a Sua santidade, envolva todo o nosso ser com a bondade e a ternura da sua presença, faça-nos crescer em idade, sabedoria e graça, aperfeiçoe em nós a Sua imagem, nos cure e liberte de todo mal e nos dê animo e coragem para fazer o que for preciso para plantar sementes do céu aqui na terra (tema que trataremos em outras postagens).
Vamos a passagem central dessa postagem, que está no Evangelho de São Marcos:
"Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham se reunido em torno dEle. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.) Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras? Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (Is 29,13). Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens. E Jesus acrescentou: Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta, e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe, anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes. Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar, mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem." (Mc 7,1-15)
Os "santos" e "perfeitos" dos fariseus sempre encheram o saco de Jesus com suas mentiras e falsidade, bons atos em público, etc. Encheram o saco porque Jesus sabia que a atitude deles era vazia, desprovida de um sentido real e um propósito com Deus, e na maior parte das vezes faziam coisas para chamar atenção a si mesmos, considerando-se grandes cumpridores da lei, mas que na verdade ajustavam a palavra de Deus de uma forma que lhes fosse agradável, mesmo sendo os grandes conhecedores da Palavra. Além de não viver, impunham fardos pesados e exigiam que o povo carregasse a todo custo.
Quando se reuniram diante de Jesus não tinham o propósito de ouvir o que Ele dizia, mas ficavam prestando atenção a algum erro que Ele ou algum dos seus seguidores cometessem. Então teriam pretexto para acusá-Lo. 
NESTE MOMENTO JESUS EXPRESSOU DE FORMA RADICAL AQUILO QUE DEUS PENSA QUANDO ESTAMOS APEGADOS A QUALQUER COISA QUE SEJA. Jesus é tão radical que parece que Ele está nervoso, bravejando, gritando e apontando o dedo na cara dos fariseus, mas é única linguagem que Jesus poderia usar para que eles entendessem, porque tinham um coração de pedra, insensíveis aos outros, arrogantes, soberbos, altivos; da mesma forma que Jesus sabe a linguagem que precisamos ouvir para entender aquilo que Ele quer de nós.
É exatamente por causa da dureza de coração desses homens que Jesus eleva a tonalidade de sua fala e brada com sua voz suave e cheia de autoridade para que os fariseus e nós entendêssemos a necessidade de estar desapegado das coisas, que não quer dizer apenas coisas exteriores, mas o mau uso das mesmas, o apego a tudo e a todos, ou a própria vida. É como se Ele gritasse um alerta para nós: "DESAPEGUEM-SE DAS COISAS E SERÃO FELIZES...

Em uma outra passagem do Evangelho um rapaz chega a Jesus e pergunta (traduzido com palavras atualizadas para o nosso tempo): "Meste, o que devo fazer para ser feliz?" E Jesus responde: "Cumpra os mandamentos." Ele diz: "Já cumpro todos, desde a minha juventude." Com a palavra da Bíblia: "Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: Uma só coisa te falta; vai vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me." (Mc 10,21)
Ao final da conversa com Jesus o jovem ficou decepcionado e voltou para casa muito triste, pois tinha MUITOS BENS. Esta é a história de cada um de nós, filhos de Deus! Quem quer ser feliz?! Talvez todos nós podemos responder que queremos. Agora se acrescentarmos um detalhe nessa pergunta, pode ser que muitos prefiram viver na tristeza mesmo: O que sou capaz de fazer para ser feliz? Reflita no seu coração.
Ahhh que dificuldade nós temos para nos desapegar das coisas. Fácil é apegar-se, é verdade! Mas como é difícil desfazer-se de muito ou pouca coisa. Nós precisamos fazer isso, mas apenas se quisermos aprender com esses dois exemplos da Palavra de Deus citados acima. Não é questão de quantidade, não é questão de qualidade, não é questão de ser melhor ou pior, não é questão de saber ou não, é questão de liberdade. ESSA É A GRANDE VERDADE: QUEM É LIVRE É DESAPEGADO; QUEM AINDA É PRESO ESTÁ APEGADO A ALGO!
Acima temos a imagem de uma mulher com as mãos na cabeça. No contexto da nossa postagem de hoje, pode significar duas coisas: ela está desesperada por causa das coisas ou está desesperada porque não consegue ser feliz. Mas veja que engraçado: é como se uma suposição já desse a resposta a outra. Ao invés de ficar desesperada por causa das coisas e pelas coisas, se desapegue disso, entregue nas mãos de Deus, sempre fazendo a sua parte e serás feliz. Parece uma receita fácil e simples, mas na prática é muito difícil.
Estamos acostumados a ter coisas. A sociedade cria necessidades para nós a cada dia. Uma palavra que ajuda a definir muito bem o avanço e novas tecnologias que surgem é a tal da comodidade. São formas de viver que facilitam o dia-a-dia, nos dão menos trabalho, são fáceis de manusear, etc. Vejamos exemplos bem curtos dessas necessidades.
As mulheres tem que ter mais roupas (e cada vez mais curtas), mais maquiagens, mais perfumes, mais sapatos, sempre andar na moda. O homem precisa ter suas roupas rasgadas, ter seu estilo, ter um carro esportivo  (que toca um som mais alto do que ele mesmo é capaz de ouvir), ter isso, aquilo, etc. As pessoas precisam ter muitas coisas: cds, dvds, revistas, celulares, computadores, rádios, aparelhos eletrônicos de todos os tipos (pequenos, finos, de toque na tela), tvs (pequenas ou gigantescas, tubo, plasma, lcd, agora led). E como não cabe tudo isso apenas em uma casa pequena, precisa ter casas cada vez maiores para comportar todas essas invenções, quartos com geladeira e tudo o mais que se tem direito. Precisa de salas gigantescas com sofás enormes, afinal lazer é uma coisa que não se discute.
Indicamos a você assistir o vídeo de uma pregação feita em 2002 pelo nosso querido e saudoso Padre Léo, que nos ajudará a entender um pouco melhor isso que estamos falando: http://www.youtube.com/watch?v=2FzxCIt13dY
Deixemo-nos catequizar por esse maravilhoso ensinamento: a felicidade não está nos bens materiais! Muito bem, mas não queremos parar apenas nos bens materiais. Vejamos o que mais a sociedade está nos ensinando e educando.
Hoje é natural uma criança desobedecer os pais e gritar, respondendo aos mais velhos, fazendo aquilo que melhor lhe agradar. E uma coisa importante: não pode-se bater em crianças, caso contrário ela mesma pode denunciar os pais que lhe deram um tapinha. Hoje pais e mães são controlados por filhos rebeldes! A lei do homem diz que pai e mãe não pode dar um tapinha no filho, mesmo que seja para educá-lo e ensinar-lhe as coisas. A palavra de Deus nos diz:
"Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá; castigando-o com a vara, salvarás sua vida da morada dos mortos." (Pr 23,13-14)
Não é diferente do costume que um pai de família tem de beber uma cervejinha ou fumar um cigarrinho, ou qualquer outra "coisinha". A sociedade diminui os nomes das grandes desgraças que estão por aí para não nos assustar, e ainda nos atrair. Nas festas, nas baladas, nos casamentos, nos aniversários, nas comemorações diversas: o álcool se faz necessário, quase como uma lei, para que as pessoas relaxem ou aproveitem um momento. No entanto, a palavra de Deus nos fala:
"Zombeteiro é o vinho e amotinadora a cerveja: quem quer que se apegue a isto não será sábio." (Pr 20,1)
Uma coisa que tornou-se comum também é o tal sexo antes do casamento (fornicação), a masturbação, o adultério, o louvor das imagens sexuais, o sucesso do exibicionismo barato, o vulgarismo, a pornografia. Ou seja, a bestificação dos órgãos genitais e a destruição da beleza da sexualidade humana em um objeto de mero prazer humano momentâneo. A sociedade hoje prega o sexo livre, entre pessoas até do mesmo sexo, etc. (em outras postagem aprofundaremos esse tema da sexualidade). Enquanto isso a lei imutável de Deus continua a nos afirmar com todas as letras:
"Quem comete adultério carece de senso, é por sua própria culpa que um homem assim procede." (Pr 6,32)
Amado e amada de Deus, até agora citamos muitos exemplos para nos convencer a respeito dos apegos da sociedade. Mas qual o sentido de tudo isso? Qual o sentido dessas invenções, dessas coisas, desse padrão de comportamento e tudo o mais? O verdadeiro sentido é o aprisionamento!
Uma pessoa que vive com as coisas que o mundo lhe oferece, atrás das novidades e apegada aquilo que sempre chama atenção e atrai para o vício, não é livre. Prova disso é que a própria pessoa vive de momentos! Sua alegria e sua felicidade depende do momento que ela está bem, está com dinheiro para poder gastar, tem muitos bens materiais, está na frente da sua tevê, com seus móveis de luxo, cheia de coisas, com festas e "bebemorações" para participar, com gente para transar e aliviar as tensões da semana, com tudo por fora; mas não tem tempo. Essas pessoas buscam tanto a alegria por fora (ou tentam preencher o arrombo de carência que está em seus corações) que não olham para dentro de si, como são vazias e estão presas as coisas. NADA DISSO PREENCHE!
Vejamos um alerta da palavra de Deus que está no livro do profeta Ezequiel:
"Quanto àqueles que têm o coração apegado aos ídolos e às suas práticas abomináveis, farei pesar sobre suas cabeças o peso de seu proceder - oráculo do Senhor Javé." (Ez 11,21)
Entendeu o que acabou de ler? Deus não castiga; mas a própria pessoa se castiga, o que cai sobre ela é fruto do seu proceder. Para tudo nessa vida há um preço; e o preço que tantas pessoas estão pagando para acompanhar as tendências desse mundo dominado pelo príncipe das trevas (cf. 1Jo 5,19) é a prisão. Estão vivendo uma vida presa: presos as coisas, presos as pessoas, presos as comodidades, presos a moda, presos a impureza, presos a tantas coisas vazias, presos a uma infinidade de tranqueiras. Muitos até enxergam que o que estão fazendo não presta: mas pelo fato de estarem presos, não conseguem deixar de fazer.
Nesse momento entendemos a relação entre desapego e liberdade: só é livre quem está desapegado, pois quem está apegado, a qualquer coisa que seja é preso. Do que precisamos nos desapegar então queridos e queridas? Das coisas materiais (dos bens e da segurança que eles nos propõem, pois nossa segurança deve estar no nome do Senhor), dos apegos da nossa carne (nossas más tendências, nossos vícios, nossos pecados), dos apegos a lei e costumes dos homens em oposição a lei do Senhor, das falsas idéias de Deus, da ideia de que nossa felicidade está fora de nós (ou que algo fora de nós vai preencher nosso coração), da mentalidade impiedosa do mundo moderno, da forma de agir anti-cristã que estamos percebendo ao nosso redor, dos apegos e dependência de remédios, jogos, etc.
Não queremos nos deter naquilo que é prejudicial e nos malefícios dos apegos e das prisões, mas queremos que você tenha consciência daquilo que muitas vezes nos prende, nos impede de avançar na graça de Deus, nos impede de ter uma comunhão verdadeira com Cristo, nos impede de receber os dons e os frutos do Espírito Santo em nossa vida espiritual, nos afasta da santidade, nos afasta do banquete do Céu na Terra, nos afasta da potência e da força salvadora de Cristo que jorra de sua palavra. Por que? Porque não temos tempo para Deus, não temos tempo para mergulhar na graça de Deus; todos os dias já temos compromisso, em todos os horários. E no horário que poucos separam para Deus da sua semana, ficam pensando no que vão fazer depois, ou seja, vivem uma espiritualidade adaptada em gostos e tradições humanas. É NECESSÁRIO ROMPER COM TODO APEGO!
A palavra de Deus nos garante liberdade, libertação, força de Deus para nos ajudar. Assim como no tempo de Samuel, quando este profetizou:
"E Samuel falou a todo o povo de Israel, dizendo: Se voltardes de todo o vosso coração para o Senhor, tirando do meio de vós os deuses estranhos e as Astarot, se vos apegardes de todo o vosso coração ao Senhor e só a Ele servirdes, então Ele vos livrará das mãos dos filisteus." (1Sam 7,3)
Asterot são demônios, divindades cultuadas pelos pagãos; e os filisteus são um povo que mantinha cativo o povo de Deus. Quem são as "astarot" da sua vida hoje? Quem são os filisteus que estão te prendendo e oprimindo? O Senhor quer te libertar de todo mal, de toda maldição e praga de prisão em sua vida. Nós que conhecemos a Jesus não podemos ser presos a nada. Temos que aprender a partilhar, a dividir tudo, como os apóstolos dividiam: tendo tudo em comum (significa que não eram apegados a nada) [cf. At 2,42-47]
Deus é sempre fiel naquilo que Ele fala e promete! Ele não está prometendo, através de seu profeta Samuel, fazer uma troca equivalente; que nos desapeguemos dos ídolos do pecado, dos deuses estranhos dos vícios e nos apeguemos ao Senhor para ser libertos. Ele não nos quer presos, porque as coisas de Deus não aprisionam, mas trazem liberdade, dão o gosto da liberdade a nossa alma. Quem está no mundo olha para nós e diz que estamos presos, bitolados, alienados, se estamos nessa direção com o Senhor, amando-O, adorando-O de todo o coração, vivendo com Ele, mas temos consciência de quem realmente está preso e temos respostas a dar a esses que na verdade "têm inveja" da nossa liberdade, mas não querem pagar o preço para serem livres, desapegando-se das coisas.
No salmo, Deus usa de Davi para expressar o que Ele mesmo sente:
"Que minha língua se me apegue ao paladar, se Eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias." (Sl 136,6)
Jerusalém é a cidade do Senhor. Tanto que no livro do apocalipse, temos o relato de que moraremos na nova Jerusalém. Mas é uma prefiguração de cada um de nós. Podemos trocar nesse salmo, onde está a palavra Jerusalém e colocar nosso nome. Leia de novo agora este trecho do salmo. Aquilo que o Senhor está prometendo para nós, Ele cumprirá por Ele mesmo, a sua fidelidade, a sua misericórdia, a sua bondade, a sua santidade, o seu sangue nos garantem a certeza da sua palavra.
Para que nos libertemos de todo coração dos vícios, dos apegos materiais, humanos e vazios do pecado, apeguemo-nos ao bem, ao amor, a caridade, a alegria, a pureza, a bondade de coração, a graça de Deus, a sua palavra, a sua presença santa, ao seu amor que é derramado sobre nós diariamente e renova com a face da Terra, todo o nosso ser, a vida de oração, ao amor pelos irmãos, ao serviço ao Reino de Deus, ao despojamento, a exemplo de Cristo, aprendendo com São Paulo essa regra de ouro:
"Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem." (Rm 12,9)
"Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus." (1Pd 2,16)

Finalizando: quer uma atitude concreta para alcançar os objetivos dessa postagem? Comporte-se como homem livre! Seja servo do Senhor! Eleve sua oração comigo: "Senhor Jesus querido e amado de minha alma, quero ser livre. Quero me desapegar de tudo o que tenho: dos meus bens, das minhas posses, do meu dinheiro, do meu trabalho, dos meus pensamentos impuros, da minha maldade, do meu desejo de vingança, do mau que há em mim. Quero ser livre do apego as pessoas, do apego a moda, dos gostos indecorosos que expõe meu corpo que é templo do teu Espírito. Quero a tua liberdade. Não quero mais a liberdade fingida do mundo: tudo parece muito bonito, muito bom, mas no final das contas, só me prende cada vez mais. Confesso que fui enganado Senhor. Eu não queria ficar preso no vício do sexo, no vício das drogas, do cigarro, das bebidas, da infidelidade no meu matrimônio/namoro, da pornografia e da violência. Mas eu tomo essa consciência hoje Senhor. Cobre e reveste-me com o poder do teu Espírito Santo. Sozinho eu não consigo mais viver. Eu não quero mais ser preso; eu não quero mais ser viciado; eu não quero mais ser apegado a nada e a ninguém. Eu preciso da tua ação poderosa em minha vida Senhor. Derrama sobre mim a força santificadora e libertadora do teu amor para que eu seja liberto Jesus. Eu quero e peço neste momento, envolve-me por completo, livrando-me de todo mal, de todo pecado, de toda consequência das minhas escolhas. Agradeço ao Senhor por me tocar com tamanho e tremendo carinho. Obrigado por tuas mãos em meu coração Jesus. Obrigado por me tomar inteiramente com tua força. Obrigado por me dar teu amor, por curar minhas feridas, por curar minhas carências, por santificar meu espírito. Obrigado por me dar a graça de enxergar isso, e te louvo porque o teu Espírito vai  me conduzir e me fortalecer a cada passo dessa minha caminhada. Glórias e louvores ao teu nome Senhor. Amém."

Que Deus nos abençoe nos fortaleça para viver esse desapego pleno e essa liberdade total.

O impacto de pentecostes

"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce. Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia [ou seja, 9:00 da manhã]. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5)." (At 2,1,21)
Que coisa linda! Aos queridos e queridas de Deus, nesta quinta-feira lhe damos nossos cumprimentos do coração do nosso amado Jesus! Que Deus abençoe a sua vida em nome de Jesus Cristo! Que você comece a ser tocado nesse momento pelo poder, pela força, pela presença e pela pessoa do Espírito Santo de Deus! Que o fogo do amor de Deus que transformou a história do povo de Deus, que realizou um processo de conversão real e forte na vida dos primeiros apóstolos e pessoas que estavam presentes naquela sala, há uns 2000 anos atrás, na cidade de Jerusalém, na festa de Pentecostes, seja derramado sobre a tua vida, e santificando o seu coração te dê nesse dia uma experiência forte e impactante em teu viver. Receba, desde já, um fogo do céu para queimar todo o seu corpo, sua alma, seu espírito, incendiar esse lugar em que você está lendo essa postagem e tudo o que está ao seu redor. Amém!
Começamos no fogo, e queremos continuar com esse fogo aceso, para que derreta todo o pecado do nosso coração e nos ajude a permanecer firmes e decididos nessa direção rumo ao céu. Irmãos e irmãs em Cristo Jesus, leitores desse blog, visitantes regulares e pessoal que entra aqui por acaso, o Espírito Santo de Deus está se manifestando neste momento!
Ele nos envolve com uma certeza inabalável de fé e abre nosso entendimento para a verdade de Deus! Precisamos conhecer ao Senhor, precisamos nos lançar no amor de Deus neste momento, precisamos receber a luz que nos faz enxergar com os olhos de Jesus, precisamos de uma experiência com o amor de Deus, antes que seja tarde demais. Precisamos do impacto de pentecostes nas nossas vidas agora!
E queremos levantar algumas dúvidas e esclarece-las para que aprofundemos nossos conhecimentos, experimentando esse tema na prática: O que significa pentecostes? Quem estava nesse acontecimento? Qual a grande revelação que traz para nós hoje?
Deixamos claro em outra postagem sobre o Espírito Santo, que Ele é uma pessoa: a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus, junto ao Pai e Jesus, no mistério da Santíssima Trindade. Às vezes precisamos sempre lembrar e afirmar com todas as letras isso, mesmo que seja simples, pois algumas pessoas ainda estão como os discípulos que Paulo encontrou em Éfeso que tinham recebido o batismo de João, mas ainda não haviam recebido o batismo em nome do Senhor, por isso nem sequer conheciam o Espírito Santo.
"Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! Então em que batismo fostes batizados?, perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João. Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam." (At 19,1-6)
Mas o triste é que muitas pessoas, mesmo tendo recebido o batismo em nome do Senhor, ou em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28,19) ainda desconhecem o Espírito Santo. Parece que o batismo de hoje assemelha-se ao de João Batista, sendo ainda um batismo de conversão. Mas naquela época eles apontavam para Jesus e João pedia para os seus discípulos seguirem Jesus; e nem sabiam quem Ele era direito. Hoje as pessoas são catequizadas, formadas a respeito da pessoa de Jesus, muitos tem uma experiência com Ele antes do batismo, mas após algum tempo esquecem dessa experiência e vivem longe do Senhor. Aí entra a importância do Espírito Santo...
O Espírito Santo é o aquele que nos fala diretamente, na liberdade do Senhor. Onde Ele está presente, há liberdade, há vida nova, há restauração, há um poder tremendo de Deus, curando, libertando, perdoando, amando, fortalecendo, revigorando, dando vida, dando a conhecer a vontade do Senhor, há uma transformação constante, uma alegria que transborda na alma, que resplandece no rosto.
"Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Senhor e nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecentes, pela ação do Espírito do Senhor." (2Cor 3,17-18)
Ele nos recorda as coisas importantes a respeito dos ensinamentos do Senhor, a respeito da Palavra de Deus, a respeito do que precisamos fazer para ter uma comunhão mais plena com o Senhor. Ele é nosso advogado, defensor contra as mentiras do demônio, contra as farsas e coisas que faz tentando imitar aquilo que o Senhor faz.
"Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviara em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito." (Jo 14,26)
É exatamente isto que aconteceu na festa de Pentecostes, em que algumas pessoas aguardavam a realização de uma promessa. Vejamos mais a fundo quem estava lá, qual promessa estavam aguardando e o que aconteceu na Igreja a partir daí.
Para tudo o que Deus faz, existe uma preparação antes. Deus nos dá o exemplo para ser seguido até mesmo nessa questão. O dia de pentecostes estava guardado no coração de Deus para uma profunda transformação na humanidade. Mas foi preciso uma preparação. E esta transformação se deu através da vida de São João Batista. Temos o relato do que esse homem seria no Evangelho de Lucas, quando seu pai Zacarias estava exercendo sua função de sacerdote no templo e um anjo lhe apareceu e disse:
"Não temas Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo; ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." (Lc 1,13-17)
Este João, preparador da vinda de Cristo, preparador do batismo e do derramamento do Espírito Santo -
"Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim, é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo." (Mt 3,11) - foi usado de forma estrondosa. Ele trovejou contra o Rei, que cometia adultério, pregava em meio aos poderosos, tinha uma vida de constante e árduo jejum, alimentando-se apenas de gafanhoto e mel silvestre, não se embriagou com cerveja nem vinho, mas foi cheio do Espírito Santo desde o seu nascimento (momento em que a Virgem Maria foi visitar Santa Isabel, e esta ficou cheia do Espírito Santo, e a criança estremeceu em seu ventre [cf. Lc 1,41]).
Pela dedicação de João e sua entrega radical a vontade do Senhor, Jesus veio, realizou sua obra na face da Terra, morreu na cruz, ressuscitou, abriu o céu e ascendeu ao Céu. O Senhor subiu a vista de todos. São Lucas nos conta os fatos a partir daí:
"Desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo." (At 1,2-8)
Glórias a Deus! Que passagem bíblica maravilhosa! Jesus subiu ao céu a vista de todos e disse que logo seriam batizados no Espírito Santo. Amados e amadas, Jesus cumpriu sua missão. E voltou ao Pai do Céu, de onde veio. Chegando lá, é como se Jesus dissesse ao Pai: "Pronto Pai, cumpri minha missão como o Senhor me pediu. Agora é a vez do Espírito Santo ir realizar a sua obra. E que dia seria melhor do que a festa de pentecostes!?" QUE OBRA ESPETACULAR O ESPÍRITO SANTO REALIZOU!
Primeiramente vamos a explicação de Pentecostes. Essa palavra "pentecostes" vem do grego e traduz-se por quinquagésimo, ou seja, 50°. No antigo testamento cinquenta dias após a páscoa dos judeus (isto é, a festa celebrada desde a libertação do povo de Israel da Terra do Egito, conduzida por Moisés, em agradecimento a Deus) havia a chamada festa das colheitas ou festa dos tabernáculos, em que eram apresentadas as primícias das colheitas ao Senhor. Essa festa também era chamada de festa das sete semanas ou pentecostes. Vamos tentar dar uma explicação ao sentido dos cinquenta dias.
O número da perfeição da Bíblia é o 7. Porque? Porque significa as três pessoas da Santíssima Trindade, agindo nos quatro elementos constitutivos da Terra: fogo, ar, água e terra. E o que pode ser mais perfeito que 7? O número elevado a própria potência ou 7 x 7. Chegamos então ao número 49. Para arredondar temos o 50, que é a perfeição em cima da perfeição. A plenitude do Senhor, agindo em toda a Terra. É a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nos quatro cantos da Terra. Ou seja, Pentecostes então, é um jubileu de graça do Senhor, a plenitude da sua ação entre nós.
A festa de pentecostes era a conclusão do belíssimo período da páscoa, em que eram consumidos apenas pães sem fermento, ou pães ázimos. No novo testamento, com a face de Cristo, e no novo Pentecostes inaugurado, o Espírito Santo também mostra a face, e temos conhecimento completo de toda a Santíssima Trindade. VEMOS NESSE NOVO PENTECOSTES A PLENITUDE DA GRAÇA CONCRETIZADA PELA MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.
Então, no segundo andar, de onde antes tinha sido realizada a Última Ceia, é aguardado o cumprimento da promessa do Senhor Jesus. Quem estava nesta sala? Todos os discípulos de Jesus, inclusive as mulheres piedosas, Nossa Senhora, e os discípulos de Jesus, os 11, pois Judas Iscariotes havia se desintegrado do número dos 12.
Então começa a acontecer o cumprimento da promessa. Antigamente, o Espírito Santo somente repousava em sacerdotes, profetas e reis. Mas nesse evento, após os 50 dias da ressurreição de Jesus, abre-se um tempo para um novo derramamento do Espírito Santo. Este acontecimento está narrado no início desta postagem, que nos relata o momento em que o Espírito Santo se manifestou pela primeira vez.
Além de estarem reunidos cumprindo o que Jesus pediu, os discípulos estavam com medo dos judeus, pois acreditavam na ressurreição de Jesus, na sua ascensão ao céu. E tinham o risco de serem assassinados por causa disto. Acontece que o advogado se manifestou, e que manifestação...
O Espírito Santo encheu todos os que estavam naquela sala. Mais de 100 pessoas ficaram cheias do poder do Espírito Santo, pelas línguas de fogo que se repartiam entre eles, e falavam em línguas estranhas, conforme o mesmo Espírito lhes concedia. O Espírito Santo começou a derramar de forma tremenda os seus dons e levantou São Pedro com uma coragem que escandalizou o povo. Ele, sendo uma pessoa medrosa, insegura, inculta e ignorante, foi usada com grande poder e inteligência, e imediatamente começou a profetizar.
Com sua pregação mais de 3.000 homens se arrependeram, ficaram compungidas no íntimo de seus corações e foram batizadas para receber o Espírito Santo. O fogo queimou a todos! Não teve uma só pessoa que ficou sem sentir essa manifestação do amor e do poder de Deus.
Existe uma relação entre São João Batista e o acontecimento em pentecostes. Quando o anjo narrou para Zacarias a personalidade e caráter de seu filho, ele disse que ele não beberia cerveja nem vinho e seria cheio do Espírito Santo. E que engraçado, que quando o povo ao redor daquele sala, naquele lugar, ouviu os batizados no Espírito Santo, pensaram que eles estivessem embriagados. E por que isso? Porque o Espírito Santo é um Deus que se consome para nos incendiar com sua luz, com sua graça, com seu poder, com seu fogo. Essa é a forma como se manifestou o Espírito de Deus para queimar todo medo, toda insegurança, toda fraqueza humana. E da forma dele, que toca o humano. É o encontro e união do divino (Deus) no humano (homem).
HÁ UM VERDADEIRO IMPACTO sobre a face da Terra, pois daquela salinha de Jerusalém, o Espírito Santo se espalhou para o mundo inteiro e continua a ser derramado da mesma forma, como da primeira vez.  O que Jesus disse se cumpriu. Os discípulos foram testemunhas, desde este lugar até os confins da Terra, realmente. O pentecostes de hoje acontece da mesma forma. O que acontece de diferente é que não pedimos nem desejamos da forma como eles desejavam.
"Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que Lhe pedirem." (Lc 11,13)
Peçamos então irmãos e irmãs esse impacto do Espírito Santo em nossas vidas. Ouçamos essa canção para nos ajudar na nossa oração: http://www.youtube.com/watch?v=l3PGUeynrT0
Se lance, e peça até que não tenha mais palavras. Junto a esta canção, se derrame na presença de Deus e receba o impacto de um novo pentecostes em sua vida!
"E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo?" (Sb 9,17)

Que nós tenhamos a coragem de experimentar verdadeiramente um impacto. Impacto não é uma coisa calma, tranquila, mas um choque, um baque, uma batida, uma coisa que faz abalar as estruturas, que sacode com todo o nosso ser, que mexe com nossa alma, que nos faz ficar sedentos da presença de Deus, com fome de falar de Jesus, com desejo de mergulhar no poder dessa unção que nos envolve: http://www.youtube.com/watch?v=kHSFJpepj4c&feature=related

Que Deus nos abençoe e nos confirme nesse impacto de pentecostes hoje!

Ele está à porta e bate

Amigos e amigas de Deus, com o coração em alegria e movido por uma verdade incontestável queremos iniciar essa formação, nesta semana com um tema belíssimo: "Ele está à porta e bate"; mas precisamos saber a respeito do que vamos refletir. Na imagem acima, temos uma chave, uma espécie de cadeado e atrás desses dois objetos um tecido vermelho. É claro que você já deve ter decifrado o grande enigma. E óbviamente: se você conhecer o terceiro capítulo do livro do Apocalipse, já deve estar associado em seu coração que estamos falando do nosso grande Deus e Senhor Jesus Cristo. Ele está sempre a porta do nosso coração aguardando uma resposta. Para que? Porque Jesus fica na porta do nosso coração? O que Ele espera que façamos? Qual resposta temos que dar?
"Eu repreendo e castigo aqueles que amo. Reanima, pois, o teu zelo e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo." (Ap 3,19-20)
Esta passagem do livro do apocalipse que dá a direção para essa formação hoje, não pode ser lida fora do seu contexto. Aliás, nenhuma passagem pode ser lida ou interpretada fora do seu contexto. O Padre Léo, SCJ, disse em uma das suas pregações que "Texto, fora do contexto, torna-se pretexto para o erro". Neste capítulo, São João recebia a revelação do próprio Jesus, e escrevia as mensagens às Igrejas (em outras postagens aprofundaremos esse tema do apocalipse/revelações).
Escrevia nessa mensagem a Laodicéia sobre as riquezas materiais dessa Igreja e como não valem nada, dizendo também que suas obras eram mornas, nem frias, nem quentes, ou seja, causavam enjoô e vômito a Deus (cf. Ap 3,15). Por isso o Senhor está repreendendo o comportamento dessa comunidade, porque ama, e convoca-os ao arrependimento.
Engraçado ou triste é o fato de que no geral, a sociedade vive de aparências, sempre morna! Mas morna também porque falta fogo. É o próprio Jesus Cristo que vem para trazer fogo a Tera, como Ele diz no Evangelho de Lucas:
"Eu vim lançar fogo à terra, e que tenho eu a desejar se ele já está aceso?" (Lc 12,49)
Jesus veio lançar fogo na terra! O que significa isso? Ele veio trazer a verdade; ele veio transformar de forma plena a sociedade como um todo; ele veio fazer a diferença em seu tempo, tanto que marcou a história da humanidade, dividindo o tempo em "Antes de Cristo" e "Depois de Cristo"; ele veio revolucionar o pensamento fechado e mesquinho que os antigos tinham da lei e da vivência dos mandamentos, levando-os a plenitude no amor e pelo amor, da forma que Deus quer que vivamos; ele veio aquecer os nossos corações gelados.
Muitos dizem que quando o fogo foi descoberto houve uma transformação radical da forma como o homem vivia e tal. Ora, muito mais do que quando foi descoberto o fogo, Jesus trouxe o fogo do céu e veio incendiar a face da terra com o seu amor iniguálavel, forte e certeiro. Ele veio derreter, não os geleiros dos polos norte e sul, mas derreter o gelo do pecado que havia e que há em nossos corações. Ele veio para queimar todo o mal e tudo o que nos faz ficar frios e indiferentes.
Vivemos em um mundo muito lindo! O que Deus fez é espetacular! As maravilhas do Senhor refletem a sua glória, refletem o seu amor, refletem a sua santidade e sua perfeição! Desde as estrelas do céu até as areias do mais fundo dos oceanos, em tudo vemos a beleza de Deus fazendo tudo muito bom pela força da Sua palavra, como nos narra o primeiro capítulo do Gênesis. Mas quando faz o homem o Senhor coloca a mão. E no salmo 138, o rei Davi relata:
"Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo, vós me tecestes no seio de minha mãe." (Sl 138,13)
E nos tecendo no seio da nossa mãe, o Senhor nos deu órgãos, membros, olhos, cabelo, mãos, pés, pernas, braços, pulmões, rins e um coração. Ele nos deu um coração, que bate, que bombeia o sangue, que tem a terceira tarefa mais importante do corpo humano: de mandar o sangue para o corpo todo e receber de volta, para mandar novamente. Mas não é apenas para isso que Deus nos deu um coração!
É no coração que fica gravado quem nós somos: nossos sentimentos, nossos pensamentos, nossa personalidade, nossos valores, as pessoas que amamos, e muitas vezes as pessoas que não perdoamos, as coisas que são importantes para nós, onde Deus faz morada, e é a partir do coração que vemos o mundo exterior. Infelizmente muitas pessoas estão cegas, pois não enxergam com o coração. São Paulo percebeu isso na comunidade de Éfeso e em sua carta aos Efésios disse que pedia a Deus:
"Rogo ao Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê um espírito de sabedoria que vos revele o conhecimento dele; que ilumine os OLHOS DO VOSSO CORAÇÃO, para que compreendais a que esperança fostes chamados, quão rica e gloriosa é a herança que ele reserva aos santos, e qual a suprema grandeza de seu poder para conosco, que abraçamos a fé." (Ef 1,17-19)
É muito importante para as pessoas que tem fé, que aguardam a herança do Céu, que querem viver o Céu na Terra, ver com os olhos do coração. Pode ser que você não tenha problemas com a visão e enxergue perfeitamente com os dois olhos. E pode ser que você já tenha visto pessoas que eram cegas serem curadas e voltam a enxergar. Mas quantos cegos do coração estão por aí, e muitas vezes Jesus realiza a cura dos olhos do coração, como fez com São Paulo (fazendo cair as escamas depois), e não percebemos. ALIÁS, A CONVERSÃO É UM PROCESSO QUE COMEÇA PELA CURA DOS OLHOS DO CORAÇÃO. Apenas quando conseguimos enxergar com os olhos do coração que começamos a perceber verdadeiramente uma mudança. É sempre do interior para o exterior!
Mas este não é o tema de hoje. Entremos no nosso coração então, para encontrar com Jesus que está à porta! E veremos para quê.

Relatamos aqui  uma estória que sempre partilhamos: Existia um homem de Deus que gostava muito de desenhar e pintar paisagens e coisas desde criança. Quando cresceu tornou-se um pintor muito simples, mas que fazia quadros maravilhosos! Pinturas magníficas! As pessoas que viam suas obras ficavam estupefatas, alegres. Os quadros transmitiam vida. Cada quadro trazia uma nova emoção. Cada cor saltava aos olhos. Cada imagem falava com as pessoas.
Num belo dia um observador foi procurar um quadro e admirado ia contemplando um por um. Em um momento parou em frente a um quadro e ficou olhando de um lado e de outro. Passava a mão pelo quadro, parecia que estava procurando alguma coisa. Não suportando apenas olhar o observador foi falar com o autor da obra: "Todas as suas obras são lindas. Mas tem uma obra em que encontrei um pequeno defeito. Talvez você tenha  se esquecido." O pintor respondeu: "Pois não, mostre-me meu amigo..."
Estavam diante de um quadro, em que a paisagem por trás era dum vermelho escuro e forte, e no centro havia uma pequena casa, simples, branca, e apenas uma porta, sem a maçaneta. "Está vendo aqui!? Está faltando a maçaneta na porta!" Sorrindo, o pintor respondeu: "Veja bem meu amigo. Quando pintei esse quadro, eu estava lendo o livro do apocalipse, no terceiro capítulo que diz que Jesus está a porta do nosso coração e bate." 
"Mas o que tem a ver a falta da maçaneta?" Ele então concluiu a resposta: "Acontece que essa casa é apenas para ilustrar nosso coração e a porta que existe. No entanto, não tem maçaneta porque ela está para o lado de dentro. Só o dono desse coração pode abrir a porta ou não. Não tem como quem está do lado de fora abrir." Então o observador adquiriu o quadro e foi embora feliz para casa.
Essa é a realidade que existe em cada um de nós! Nosso coração só tem maçaneta para o lado de dentro! Isto significa que somente nós podemos abrir a porta do nosso coração. Ninguém mais pode abrir. Nem mesmo Deus! Não que Ele não possa ou não deseje, mas Ele nos respeita e não nos violenta. O que Ele faz é bater a porta e esperar que livre e conscientemente lhe abramos a porta e o convidemos a entrar.
Jesus quer entrar no nosso coração pois Ele mesmo disse, e nos ensinou no Evangelho segundo São Mateus:
"Porque é do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias." (Mt 15,19)
Se é nosso coração que está nossa personalidade, aí estão também nossas forças e nossas fraquezas; nossas dores, mágoas, ressentimentos, traumas, medos, infantilidades, desejos de vingança, etc. Um lugar que é para ser reservatório do Céu, de coisas boas, de coisas puras, de coisas santas, de coisas maravilhosas que Deus preparou para nós... No entanto, o coração de muitas pessoas é como um lixão: tudo de podre, de triste, de sujo e fedido fica acumulado aí. O falso bem-estar de hoje em dia torna as pessoas acomodadas, e como é trabalhoso cuidar das coisas do coração muitos tem vivido dessa forma.
Se alimentamos mau o nosso corpo com comida podre e estragada, certamente nosso organismo vai reagir, vamos passar mal e talvez coloquemos isso para fora. MUITOS TEM ALIMENTADO O CORAÇÃO SOMENTE COM PORCARIAS.
Coisas que nem os porcos aceitariam, sendo canais dos espíritos malignos (cf. Mt 8,32), portadores de maldições, sinais das desgraças e maldade. Só desejam o mal para o próximo, não se importam com ninguém mais, a não ser a si próprios.
Por esse motivo é que São Paulo nos ensina a servir e fazer tudo o que formos fazer, como se estivéssemos fazendo para o Senhor; pois no final das contas estamos lidando com um filho de Deus, templo do Espírito Santo, que tem o sangue de Jesus derramado na cruz por amor a Ele, assim como é por nós:
"Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens." (Cl 3,23)
Temos que aprender a fazer as coisas, quaisquer que sejam, de bom coração. Mas como vamos fazer de bom coração se estamos egoistamente apegados as coisas e valorizamos mais os bens materiais do que as pessoas. Temos que ter consciência do que está tendo mais valor em nossas vidas. Aprendamos com o exemplo do povo de Deus, quando estava sendo conduzido por Moisés, quando este recebia as orientações do Senhor para a construção do templo. O povo era impelido pelo coração a ajudar:
"Todos os israelitas, homens ou mulheres, impelidos pelo seu coração a contribuir para alguma das obras que o Senhor tinha ordenado pela boca de Moisés, trouxeram espontaneamente suas ofertas ao Senhor." (Ex 35,29)
Parece um absurdo para os dias de hoje, mas se continuarmos lendo o livro do Êxodo veremos que engraçado esse fato. O povo ajuda tanto e doa tanta coisa, que Moisés dá uma ordem para não fazerem mais doações, pois tem além do necessário para fazer as obras do Senhor. Nos tempos de São Paulo, o apóstolo dos pagãos ensinava o povo a ter a mesma atitude para ajudar com as obras do Senhor.
"Dê cada um conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria." (2Cor 9,7)
Sem constrangimento e sem tristeza, impulsionados pelo coração somos convidados a ajudar nas obras de Deus, da Igreja, para os missionários, para os mais carentes, para os necessitados, para aqueles que realmente precisam, ajudar famílias que carecem de muitas coisas, ajudar também com nossa disponibilidade e tempo, para acolher, para amar, para falar de Deus, para dar o nosso melhor, como para Deus, como é de fato.
"Responderá o Rei: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mt 25,40)
Essa alegria da doação nos faz viver da forma como o salmista escrevia e cantava com toda certeza do seu coração, na presença de Deus:
"A luz resplandece para o justo, e a alegria é concedida ao homem de coração reto." (Sl 96,11)
Há uma luz que resplandece e abre caminho para justo, que é a mesma coisa que equilibrado (em outras postagens aprofundaremos o tema do equilíbrio). A alegria enche o coração de quem tem essa bondade e liberdade de viver dessa forma. Contrariamente, de forma triste e nas trevas vive uma pessoa que não tem esse equilíbrio que tem mais do que precisa e mesmo assim não ajuda ninguém, e cada vez só quer adquirir mais e mais, e por mais que tenha, não dosa na medida certa. Por isso é triste! Ter bens materiais ou tempo demais ou qualquer outra coisa em excesso, sem saber o que fazer com tudo isso não traz alegria nenhuma.
Afinal de contas, não é aparência externa que importa para Deus, apesar de Ele ter nos feito à sua imagem e semelhança. Aliás, semelhança interna também, como partilhamos em outras postagens. Somos parecidos com Deus por dentro, maravilhosamente. E é principalmente isso que Ele vê, quando olha para nós:
"Mas o Senhor disse-lhe: Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque Eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração." (1Sm 16,7)
Irmãos e irmãs, Jesus precisa entrar no nosso coração. Na verdade é mais uma necessidade nossa, do que dEle. Nós precisamos permitir que Ele entre para fazer uma obra de renovação em todo o nosso ser. Precisamos permitir que Ele entre, assim como entrou no coração de São Pedro e lhe ensinou, para que ele nos ensinasse hoje:
"Em obediência à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração." (1Pd 1,22)
E como purificamos nossa alma? Abrindo o coração para esse bendito Jesus que está a porta. Purificamos porque tomando essa atitude, o Senhor pode fazer aquilo que Ele quer e pode fazer: tudo o que nós permitirmos. Para que tenhamos a atitude de Tobit, pai de Tobias do antigo testamento, louvando ao Senhor nessa alegria quando ele entoou o seu cântico ao Senhor: "Nele me alegrarei de todo o coração." (Tb 13,9)
Ele ficou cego, depois que um passarinho defecou em seus olhos, e sofreu um bom tempo dessa forma. Mas como Ele tinha um coração firme e confiante no Senhor, nada abalou sua fé, sua estrutura. Os problemas não fizeram-no esquecer aquilo que ele era e quem Deus era, pois embora cego, enxergava com os olhos do coração. Isso foi fator determinante para que vencesse as dificuldades e poder entoar esse belíssimo cântico que está no penúltimo capítulo do livro de Tobias.
Donde lhe vinha a força? Do amor ao Senhor, da firmeza e da confiança que ele tinha depositado em Deus, em fidelidade ao primeiro mandamento do Decálogo:
"Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças." (Dt 6,5)
Amado e amada de Deus, um pouco antes, temos um ensinamento do livro do Deuteronômio:
"Ah, se tivessem sempre esse mesmo coração, para me temer e guardar meus mandamentos! Seriam então felizes para sempre, eles e seus filhos." (Dt 5,29)
Sabe qual a resposta temos que dar a Jesus que fica nesta porta do nosso coração? A resposta é a abertura completa, e o que Ele espera é o livre acesso. Para que Ele possa fazer uma lavagem, uma purificação, com a água viva que jorrou do seu coração na cruz, com a água que Ele disse que jorra do nosso interior:
"Quem crê em mim, como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva (Zc 14,8; Is 58,11)." (Jo 7,38)
É a mesma água que o Espírito Santo nos lava e nos purifica. Convidamos a você ouvir uma canção especial, escrita e cantada pelo Flavinho da Canção Nova, neste momento, para preparar nosso coração para a próxima postagem, que você já vai saber o tema: http://www.youtube.com/watch?v=ukF2XvV0tNs
Impulsionados por essa felicidade que o Senhor promete para aqueles que O temem e guardam seus mandamentos, abramos nosso coração, demos livre acesso a Ele, e façamos a nossa oração:
"Jesus querido, amado e bendito Senhor, abro o meu coração agora. Aqui do lado de dentro eu abro a porta do meu coração para Ti. Entra em meu coração. Esse coração é teu. Vem me ajudar Senhor. Tudo o que tem de mal está dentro do meu coração. Parece que eu atraio coisas ruins e param em meu coração. Preciso da tua ajuda neste momento Senhor. Eu tenho sido egoísta, eu tenho sido hipócrita. O Senhor me dá tudo o que eu preciso e ainda mais, e eu não tenho um coração agradecido, eu não partilho, eu não tenho alegria Jesus; mas eu quero ter essa alegria que o Senhor promete. Eu quero ter um coração limpo. Lava-me com a água que jorrou do teu coração aberto na cruz. Lava-me e purifica todo o meu interior. Liberta-me do egoísmo, liberta-me da mentira, liberta-me dessa casca de frieza e indiferença que tenho vivido, sem me importar com as pessoas. Tenho dado mais valor as coisas e tenho esquecido das pessoas. Eu quero amar ardentemente como Pedro ensinou em sua carta, mas para isso eu preciso ser restaurado, curado, liberto, amado por Ti. Eu quero sentir-me amado por Ti neste momento. Transforma o meu coração. Eu quero ver com os olhos do coração. Eu quero sentir o teu amor me lavando e fazendo tudo novo. Dá-me essa nova chance Senhor. Eu não quero mais ser um canal de morte, tristeza e impureza, mas eu quero ser um sinal do Céu aqui na Terra. E eu só vou poder ser esse sinal, se meu coração estiver marcado com teu coração. Então marca-me Jesus! Dá-me o selo do teu amor, envolve e purifica todo o meu ser, a minha alma, o meu corpo, o meu espírito e o meu coração com teu sangue e faz-me renascer para uma vida de alegria, amor, paz, verdade e santidade. Passeia pelo meu coração e ajuda-me a me livrar do que tem sido peso e tem me feito essa pessoa desequilibrada. Envolve-me com tua luz, e que caiam as escamas e todo mal que há em mim sai agora, para dar espaço para uma nova criatura, que quer permanecer contigo Senhor, e quer ser fiel a sua palavra. Obrigado Jesus por tamanho amor. Obrigado pela sua misericórdia. Louvado seja o Senhor, o teu nome, o teu coração transpassado na cruz. A tua bondade é infinita. A tua presença acalma o meu coração. Quero entoar a ti minha gratidão e render meu coração em agradecimento. Muito obrigado Senhor Jesus Cristo."
Aprenda esta canção que se chama Deus Imenso do Ministério Adoração e Vida e cante em louvor aquilo que o Senhor fez em você, permitindo que o seu coração cante e vibre de felicidade: http://www.youtube.com/watch?v=pSK9sSEBYOE
"Guarda teu coração acima de todas as outras coisas, porque dele brotam todas as fontes da vida." (Pr 4,23)

A atitude de um coração aberto a Jesus é sempre de gratidão. Com um sorriso no rosto, com uma alegria que transborda no nosso coração, queremos terminar essa postagem, afirmando com toda a certeza de que se você tiver essa coragem de viver e aplicar em todos os momentos da sua vida, essa postagem de hoje, serás muito feliz, e nessa felicidade, você fará a diferença para este mundo frio, pois o fogo do amor que com Jesus adentrou em seu coração, te fará levar muitos a experimentar esse fogo.

Que o Senhor nos abençoe e nos ensine a estar com o coração sempre aberto a sua presença e ao seu amor.

Fé além dos sentidos

"Desse modo, cercados como estamos de uma tal nuvem  de testemunhas, desvencilhemo-nos das cadeias do pecado. Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador da nossa fé, Jesus. Em vez de gozo  que se lhe oferecera, Ele suportou a cruz e está sentado à direita do trono de Deus. Considerai, pois, atentamente Aquele que sofreu tantas contrariedades dos pecadores, e não vos deixeis abater pelo desânimo." (Hb 12,1-3)
Como é bom ter fé! Como é bom ter uma direção na nossa vida! Como é gostoso saber que temos um amigo que permanece conosco e passa conosco por todas as coisas! Como é maravilhoso entender que não estamos sozinhos nesse mundo, há alguém que nos ama; há alguém que quer o nosso bem; há alguém que quer nos ver felizes; há alguém que quer nos ver realizados e cheios de toda alegria que pode caber em um coração humano: Deus é nosso amigo, Jesus é nosso companheiro de viagem rumo ao céu e o Espírito Santo é nosso roteirista na nossa caminhada! O Senhor que anima nossos corações nos dê em plenitude tudo o que nossa alma precisa nesse momento para que experimentemos sempre mais o Céu na Terra.
E nesse tema de hoje queremos começar com uma pequena história:
"Havia um rapaz que estava caminhando (como nós estamos) nos caminhos de Deus. A sua vida ganhara um sentido real e verdadeiro quando ele se encontrou com Deus. Aconteceu um impacto em sua vida! Ele mudou totalmente a direção de sua vida, tomou um novo caminho, ou seja, converteu-se. E agora começara uma linda história de amor com Jesus Cristo. Ele andava de mãos dadas com Jesus para todo lado. Ele queria saber de Deus, respirar o Espírito Santo, conversar com Jesus, ler a Bíblia Sagrada, mergulhar em oração todos os dias, participar ativamente da Igreja. Tudo estava muito bom e muito ótimo quando as coisas começaram a ficar difíceis. Começou a ser perseguido, deixado de lado, tratado como rato de Igreja entre os amigos, etc. As dificuldades e tribulações estavam perturbando sua vida e sua fé. Ele sentia-se  muitas vezes desnorteado. Não sabendo o que fazer, ele se colocava em oração e pedia que Jesus o conduzisse; mas parecia que quanto mais ele estava em oração, menos ele sentia a presença de Deus. E sua fé começou a ser provada.
Chegou um momento em que ele não aguentava mais. Muitas coisas passavam pela sua cabeça. Lembrava das coisas que vivia antes de conhecer a Deus; começou a sentir saudades das coisas velhas. Mas ao mesmo tempo lembrava da passagem do livro do Eclesiástico, capítulo 2, que falava sobre a paciência. Ele não entendia as coisas que estava passando e não compreendia porque coisas assim aconteciam para fazê-lo se afastar de Deus. Num determinado dia ele teve um sonho:
Ele caminhava por uma praia completamente deserta. E brigava com Deus; sentia-se sozinho, abandonado. Pensava que Deus tinha se esquecido dele. 'Ah, Deus não deve estar tendo tempo para mim!' E nessa caminhada, passando por tantos sofrimentos, olhou para trás e viu suas pegada e as pegadas do Senhor ao lado na areia. Mas no momento em que as coisas começaram a ficar difíceis para ele, viu apenas suas pegadas na areia. Lembrou-se da música da Salette Ferreira que dizia que Deus caminhava conosco, que Ele era o nosso grande abrigo e começou a ficar nervoso. Gritou exclamando contra Deus: Senhor! Olha o que eu deixei para trás por Tua causa! Olha o que estou passando e o Senhor tem coragem de me deixar sozinho. Estou carregando muitos fardos. Minha cruz está pesada e o Senhor me abandonou!
Quando pensa que não ele ouve uma voz no seu interior; é Deus falando com Ele: Meu filho, eu estou contigo desde sempre. Não te abandono nunca; mesmo quando você se esquece de mim. Está vendo os passos na areia? Você acha que vê apenas os teus nos piores momentos da tua vida; mas na verdade são apenas os meus. Em todos os seus momentos de dificuldades, tribulações, dores e sofrimentos eu te carreguei no colo, por isso você não vê os seus passos."
Quando acordou desse sonho ele acreditou que Deus estava com Ele também nos momentos de dificuldades e podia confiar no Senhor."
Que maneira maravilhosa de começar essa postagem de hoje. Irmãs e irmãos queridos de Deus, queremos refletir sobre a fé verdadeira, que vai além dos sentidos, das dificuldades, que ultrapassa todas as coisas que
nos fazem desanimar e desistir das coisas de Deus.
Ahh, como precisamos ter uma fé provada para aprender a superar os problemas sem desanimar. Aprendamos com o exemplo e a história desse rapaz, que muitas vezes é a história de muitos e muitos jovens que estão com Deus e começam a deixar os valores da fé de lado por causa dos problemas e dificuldades que começam a aparecer em sua vida. Mas uma coisa é séria: pessoas que abandonam a vida de oração na primeira oportunidade, logo perderão todas as riquezas espirituais em torno de questões da sua alma, do espírito e da fé. É muito importante manter nossa comunhão com Deus mesmo sem entender, mesmo sem sentir, mesmo sem enxergar, mesmo sem ouvir nada de Deus; mesmo parecendo que Deus está distante: a oração é respiração da nossa alma e alimento para nossa fé.
É isso que aprendemos nas outras postagens sobre a fé e é isso que queremos aprofundar para mantermo-nos firmes na fé! O que significa fé além dos sentidos? É necessário sofrer para ter uma fé apurada? Como deixar-se conduzir pela fé?
Como é difícil falarmos de uma fé verdadeira e autêntica para os dias de hoje, quando a maioria das pessoas, mesmo no meio cristão, estão acostumadas a uma forma cômoda de viver. A sociedade tem educado muito bem as pessoas com novelas, filmes, músicas, jogos e tudo quanto é tipo de coisas. Os valores estão invertidos na sociedade: o bem é chamado de mal, e o mal é chamado de bem. Uma pessoa que vive os valores da sua fé é tachada de fanática, de louca, quadrada ou antiquada; mas uma coisa é certa e merecedora de fé:
"Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade" (Hb 13,8)
Deus não muda! Os valores de Deus são os mesmos desde a criação do mundo! As coisas de Deus são as mesmas! A sociedade e o povo que deixam as coisas de Deus de lado para poder viver da forma que lhe agrada e buscando o seu prazer e felicidade longe de Deus. Triste ilusão de quem busca sua felicidade longe de Deus, abandonando sua fé, sua oração, sua vida espiritual e sua entrega a Deus. Mas vamos ao sentido dessa postagem, que tem muito a ver com isso que estamos refletindo...
A fé é mais do que um sentimento ou uma decisão: ela é um dom de Deus. É uma graça derramada sobre os que aceitam a vida que Deus quer que vivamos. Mas existe uma coisa muito importante que precisamos frisar e refrisar: se a fé não for alimentada, ela morre. É a mesma dinâmica que acontece com o amor... A fé é gerada, nasce, cresce e precisa ser alimentada para continuar crescendo e não morrer. Às vezes experiências ou acontecimentos parece que nos roubam a fé...
Algumas pessoas tem a (in)felicidade de passar por experiências de perda de familiares, amigos, namorado(a), esposo(a), e isso marca muito a vida, principalmente quando temos um contato bem próximo. Outra coisa que pode acontecer é um acidente que às vezes leva a pessoa a perder um braço ou qualquer outro membro do corpo, que fica comprometido. Não apenas esses tipos de experiências de morte e acidente mas tantas e tantas outras coisas...
Irmãos e irmãs, algumas vezes ficamos parados nesses acontecimentos, e vamos aos poucos ou repentinamente, deixando a fé de lado. Como ficamos cegos diante desses acontecimentos... Para quem tem fé e quem não tem: Qual é a marca e a certeza que nos permite enxergar as pessoas que realmente tem fé? A FORMA COMO SUPERAM AS DIFICULDADES E SOFRIMENTOS APOIADO NA FÉ!
Pela fé temos a certeza da salvação, não em virtude do que fizemos, do que fazemos, vamos fazer ou deixamos de fazer; mas em virtude do dom gratuito da salvação que vem de Deus:
"Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus." (Ef 2,8)
Mediante a fé somos salvos. Salvos do que? Do inferno, do julgamento que nos condena e da eterna tristeza longe de Deus. Não temos que ficar seguindo preceitos e regras por eles mesmos. Sem Deus tudo é vazio. É a fé que nos permite enxergar isso! É na fé que opera pela caridade que somos justificados e recebemos o prêmio da nossa esperança:
"Quanto a nós, é espiritualmente, da fé, que aguardamos a justiça esperada. Estar circuncidado ou incircunciso de nada vale em Cristo Jesus, mas sim a fé que opera pela caridade." (Gl 5,5-6)
É pela fé que podemos fazer a experiência de Jesus Cristo, sepultar a vida velha de pecados e impiedade com Ele para uma vida nova de amor a Deus e aos irmãos, onde a alegria e a certeza da ressurreição se fazem intimamente presentes:
"Sepultados com Ele no batismo, com Ele também ressuscitastes por vossa fé no poder de Deus, que o ressuscitou dos mortos." (Cl 2,12)
Não podemos deixar-nos confundir: a fé é o que nos conduz a Deus, é o que nos mantém em pé, firmes nessa caminhada, nos dá certezas a respeito do que estamos fazendo ou estamos buscando, nos dá solo para caminhar mesmo sem enxergar ou sentir. E aqui está uma coisa muito importante: A FÉ NÃO PODE DEPENDER DO QUE SENTIMOS!
Quando abraçamos a fé temos que ter consciência de que estamos abraçando o que Deus quer para nós, ou seja, o melhor para nós! Deus sabe o que é melhor; Deus sabe o que precisamos para ser felizes; Deus está sempre pronto para nos proteger, nos ajudar, nos orientar, nos guiar, nos dar forças; e muitas vezes não sentimos que Deus está assim presente. Mas a fé nos dá essa certeza, porque nem sempre sentimos presença do Senhor, mas pela fé, confiando plenamente, podemos nos lançar e nos entregar totalmente a Deus sem medo ou receio pois nosso coração está enraizado na Rocha que é Jesus. Podem levantar-se tempestades, terremotos e dificuldades; podemos ser abalados, mas não vamos nos perder ou sair dessa caminhada, pois estamos firmes PELA FÉ, no Senhor.
Infelizmente muitos de nós não tem fé ainda, pois muitas vezes vamos na direção contrária a tudo aquilo que defendemos, lutamos ou pregamos contra. São coisas naturais, humanas, mas que muitas vezes nos afastam da vontade de Deus. É o chamado "contra-testemunho!(em outras postagens aprofundaremos o tema testemunho). Falamos aos outros a respeito das coisas de Deus pois Deus nos dá a graça de ter conhecimento e partilhar. Falamos sobre as coisas que não podemos fazer e muitas vezes nós somos os primeiros a cometer tais erros. Para que a nossa fé seja forjada temos que educar nosso corpo, nossa alma e com sintonia com nosso espírito, estar em ordem de batalha e deixar que a fé oriente a  nossa vida.
"Nas corridas de um estádio, todos correm, mas bem sabeis que um só recebe o prêmio. Correi, pois, de tal maneira que o consigais. Todos os atletas se impõem a si muitas privações; e o fazem para alcançar uma coroa corruptível. Nós o fazemos por uma coroa incorruptível. Assim, eu corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar. Ao contrário, castigo o meu corpo e o mantenho em servidão, de medo de vir eu mesmo a ser excluído depois de eu ter pregado aos outros." (1Cor 9, 24-27)
Que bela comparação São Paulo usa para nos mostra o que ele fazia para que o corpo, alma e o seu espírito fossem alimentados pela fé; e nada o atrapalhasse, cumprindo sua missão sobre a face da Terra. Ele nos fala sobre os atletas que fazem esforços, sacríficios, passam por duras provas para ganhar uma coroa corruptível. Nós que lutamos por uma coroa incorruptível, temos que nos empenhar muito mais. Se somos capazes de treinar, se empenhar, dedicar tempo e compromisso para coisa que passam, porque não fazemos isso com coisas eternas, que não passarão, e que serão o prêmio da nossa fé?
São Paulo dava golpes, mas não no ar. Ele sabia o seu destino; ele sabia o seu fim. Ele sabia contra o que ele estava lutando. Ele sabia o que Deus queria e o que Deus não queria. É ele que ensinava o mesmo povo de Corinto que "Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém" (1Cor 6,12). Para nós que temos fé, isso deve ser uma verdade que deve nos incomodar muitas vezes, quando estivermos em situações que nos convém. Temos que ter consciência. Lutamos contra o que? Contra o pecado, contra o mundo e contra o demônio! (cf. Ef 6,12)
Talvez isso possa impactar a muitos, mas temos que saber contra o que lutamos para NÃO DAR GOLPES NO AR. Pessoas que lutam contra outras pessoas, que vivem brigando, discutindo, querendo convencer as pessoas a buscarem a Deus pela força das palavras ainda estão dando golpes no ar. O profeta Zacarias nos ensina neste oráculo:
"Então ele explicou: Este é o oráculo do Senhor a respeito de Zorobabel: não pelo poder, nem pela violência, mas sim pelo meu Espírito (é que ele cumprirá a sua missão) - oráculo do Senhor." (Zc 4,6)
A fé não trata apenas de coisas humanas; não trata apenas de coisas espirituais; não trata apenas de coisas espirituais, mas ela marca e toca em todas essas áreas. Deixemo-nos coerentemente, conduzir pela força da fé, e poderemos dizer como São Paulo, guardando-a como um tesouro verdadeiro da nossa vida:
"Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé." (2Tm 4,7)
"Considerai que é suma alegria, meus irmãos, quando passais por diversas provações, sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência. Mas é preciso que a paciência efetue a sua obra, a fim de serdes perfeitos e íntegros, sem fraqueza alguma. (Tg 1, 2-4)

Não tenhamos medo de viver verdadeiramente a nossa fé, provados, na tristeza ou na alegria, na saúde ou na doença, na pobreza ou na riqueza (como no casamento), da doçura ou na amargura, na força ou na fraqueza, na impaciência ou na tranquilidade, na tempestadade ou na calmaria, e seremos verdadeiramente felizes, com uma riqueza inefável, esquecida e perdida do coração de muitos.

Que Deus nos abençoe e nos dê a graça de viver uma fé além do que sentimos ou compreendemos.