quinta-feira

Amar é levar ao céu

Queridos e queridas de Deus mais uma semana em que continuamos vivos, permanecemos na graça de Deus, lutamos contra tudo o que quer nos afastar do Senhor e então, retomamos nossas forças para continuar lutando. A nossa luta não pode parar! Jó dizia com toda certeza em seu coração: 
"A vida do homem sobre a face da Terra é uma luta." (Jó 7,1)
E é claro que quando se fala de luta, existe sempre um lado que vence e outro lado que perde. Como está sua vida? Como estão suas lutas? (se é que você está lutando contra algo) Como está seu coração em meio a esse mundo que quer fazer com que você se sinta um derrotado? (da mesma forma como o dono desse mundo "aeon" é derrotado pelo sangue de Jesus Cristo).
O fato é que não podemos desistir nem parar de lutar por nada que acontece. Temos que ter consciência que é a mesma coisa que andar de bicicleta: se pararmos a gente cai. Mesmo que as coisas estejam difíceis, mesmo que tudo esteja de ponta-cabeça, mesmo que você não entenda o 'para quê' de estar passando por isso, mesmo que nada tenha sentido hoje... Deus tem coisas maravilhosas preparadas para você! Deus tem preparado os manjares e os banquetes eternos para que você se delicie, se quiser. Ou melhor, se continuar lutando.
Não podemos fixar nossos olhos apenas no mundo material ou no que podemos ver. As maravilhas do Senhor talvez estejam diante de nós, mas porque estamos fechados e só queremos enxergar o que está diante de nós, não percebemos as TREMENDAS GRAÇAS do Senhor que estão acontecendo a todo instante; os MILAGRES, as MANIFESTAÇÕES DE AMOR que esse Deus maravilhoso está nos dando. Talvez não entendamos, mas precisamos aceitar essa verdade, que São Paulo ensina:
"Se é só para essa vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." (1Cor 15,19)
As coisas lindas de Deus estão acontecendo neste exato momento na sua vida. O que você precisa fazer é aceitar, colocar em prática, viver, experimentar, independentemente da situação em que você esteja vivendo. E quando tudo parecer sem sentido, olhe para cima, olhe para frente, olha para o crucificado, olhe para o céu. É de lá que pode vir alguma resposta!
Assim iniciamos essa postagem, buscando, não através da auto-ajuda que é símbolo da sociedade egoísta em que conhecemos e já estamos acostumados, que nos ensina a olhar para dentro de si mesmo, mas da ajuda que vem do alto, do Senhor Deus, olhando para aquele que pode nos ajudar verdadeiramente, a graça de amar, a graça de experimentar o Céu na Terra.
E como não amar experimentando o céu e experimentar o céu amando? Não há outra forma de fazer isso, senão assim! Recomendamos que você assista um vídeo para dar o ponta-pé inicial de hoje. É uma canção do Flavinho da Canção, que se chama "Deixe-se amar": http://www.youtube.com/watch?v=ZzjcMdryzIM
O que é amar? Como deixar-se amar? Como levar alguém ao céu? É possível levar qualquer pessoa que seja? Vamos refletir sobre as diversas formas de amor, formas de amar, amor verdadeiro, amores falsos, amor de criança, de juventude, de adulto, da tenra idade, amor e paixão.
QUANDO FALAMOS DE AMOR, NOSSO CORAÇÃO SE AQUECE! Em todas as fases da nossa vida, amor é uma coisa que não pode faltar. Nascemos já carentes de amor, precisamos receber amor, temos sede de amor, temos fome de amor. Em todos os lugares do mundo, em toda parte do planeta, todas as pessoas gritam por amor, de uma forma ou de outra. Santa Catarina de Sena, uma das três doutoras da Igreja Católica dizia: "Amar. É para isso que o nosso coração foi feito!" Que símbolo mais belo de amor: um coração; ou se analisarmos de onde vem o amor: do coração. 
Nosso coração foi feito para exalar amor. É o lugar onde ficam nossas reservas de amor. Infelizmente, hoje em dia o coração de muitas pessoas está vazio de amor, pois não recebem amor, não experimentam amor, não sabem o que é amor, ou melhor, não experimentam profundamente. Existem muitos "amores" que nos são propostos, mas que não preenchem nosso coração, que não satisfazem nossa alma, que nos sufocam, que nos entorpecem. Como dizer que isso é amor? O amor é decisão, é liberdade, é coerência, é emoção, mas precisa estar alicerçado na razão, na fé, na verdade e na realidade. São João vai dizer o amor é Deus, Deus é amor, e quem não ama não conhece a Deus (cf. 1Jo 4,8).
Vamos tomar o exemplo de namorados, como na primeira imagem, acima. Um rapaz apaixonado é capaz de fazer de tudo por sua amada: manda caixa de bombons, flores, gasta dinheiro, faz de tudo para ver ela sempre sorrindo, e abraça, e beija, e quer ficar junto para sempre, faz planos com ela, sonha, imagina o seu mundo ao lado dela em todos os momentos, etc. Ele é capaz de dizer: "Eu te amo; eu te carrego no colo." E faz isso com o maior prazer. Aí já está errado: ISSO NÃO É AMAR; NÃO SE DEVE CARREGAR NO COLO A PESSOA QUE SABE ANDAR!
Amar não é dar coisas, falar, abraçar, beijar, estar perto, apenas. Mas também é sofrer. Por que o mundo não nos ensina isso? Ficamos envoltos por uma mentalidade de que amar é fazer tudo pelo outro, mesmo que ele tenha capacidade de fazer isso. Amor não tem nada a ver com isso, porque vai amolecendo a pessoa, e acostumando-a a viver, necessitando da outra pessoa para fazer as coisas para ela. Por isso, cai-se no vício e no erro do COMODISMO.
Os namoros de hoje, mesmo dentro da Igreja, tornaram-se desculpa para transar. Que triste realidade presenciamos em nosso tempo. E de um relacionamento decidido, em que um escolhe o outro, agora um fica preso ao outro pela necessidade do sexo. Isso acaba com a força de decisão da pessoa, porque ela não fica mais junto com outra porque ama, mas porque ela tem necessidade do sexo. E logo, isso transforma também os relacionamentos em relações descartáveis, onde você usa e abusa da pessoa até não poder mais, e depois joga fora quando enjoa de usar. O corpo da pessoa, que é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16; 6,19) transforma-se num objeto de prazer. Será que isso é amor?
Não é difícil enxergarmos a influência desse amor molenga dentro de uma família, atualizada na moda e no mundo. Os pais respeitam os filhos e deixam namorado e namorada dos filhos dormirem e terem relações sexuais dentro da própria casa. As crianças fazem o que querem, desobedecem, desrespeitam, gritam e xingam os próprios pais, e estes ficam quietos, por medo dessa moda da criança denuncia-los. Na Bíblia está escrito: "Cada um de vós respeite a sua mãe e o seu pai" (Lv 19,3). As crianças e jovens fazem o que querem e o que não querem. Cada um tem seu espaço dentro de casa; são delimitadas as partes da casa de cada um; perdeu-se o contato, o diálogo, a harmonia da família, o equilíbrio, os limites. Será que isso é amor?
A sociedade cria padrões de comportamento para que cada pessoa viva e se ajuste na moda, desde a forma de se vestir, de comer, de ouvir e de assistr,. de agir, de pensar, de portar-se, de ser educado, de amar. Como não dizer: amar de forma vazia!? Estão enfiando goela abaixo no coração das pessoas o que querem, o que pensam, o que é melhor para cada um deles. Será que isso é amor?
As pessoas casadas estão caindo no grande erro do adultério. O papa João Paulo II dizia que o adultério entrou nas famílias por causa das telenovelas. Uma pessoa casa-se com outra, assume um compromisso diante das pessoas e diante de Deus, para estar firme em um sacramento de amor para toda a vida. No entanto, influenciado pelas telenovelas, o pessoal está adulterando pra cima e pra baixo. Antes era só o homem, mas hoje a mulher entrou nessa moda. E o pior é quando fala-se de troca de casais e o casal que aceita isso: o homem fica com a mulher do amigo e o amigo fica com sua mulher. Mas tem uma grande desculpa, que é cantada: "Só por uma noite..." O que que tem? Querem destruir o casamento e a família. Será que isso é amor?
Se analisarmos todas as ocasiões possíveis em que enxergamos a CARÊNCIA DE AMOR, iremos prolongar muito essa postagem, sendo que estamos dando exemplo para entendermos melhor o tema. Aprofundemo-nos, dando foco ao que nos é proposto...
Quando somos crianças, o mundo e tudo ao nosso redor é maravilhoso (mesmo que a realidade que nascemos não seja assim tão boa). A criança tem uma capacidade maravilhosa de olhar para o mundo com carinho, com brilho nos olhos. A criança confia profundamente nas pessoas. A criança é um poço de amor: em qualquer ocasião, ela sempre procura um jeitinho dar o seu toque. Criança sente amor por todos ao seu redor de forma que assombra o mundo. PRECISAMOS APRENDER A AMAR COM AS SIMPLES CRIANÇAS PARA ENTRAR NO CÉU! Por causa disso também foi que Jesus disse: 
"Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus." (Mt 18,3) 
A juventude é uma fase de formação em que o amor muitas vezes é limitado para algumas pessoas. Muitos jovens tem vergonha dos pais, vergonha do amor que receberam dentro de casa, vergonha das coisas da própria família. Entre os amigos é aquela demonstração tremenda de amor e afeto, que causa inveja nos pais e familiares: uma pessoa que não faz parte da família tem mais valor do que os próprios familiares. Nessa fase é que, mais do que na infância, a pessoa precisa ser moldada, corrigida, orientada. A família deve ensinar ao adolescente, ao jovem:
"Não odiarás o teu irmão no teu coração. REPREENDERÁS o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Lv 19,17-18)
Muitas vezes pensamos que os pais que amam são aqueles que dão tudo ao filho, permitem que ele saia, faça festas, bagunças, desordem do jeito que quiser, no tempo e no local que bem escolher. O jovem vê os pais de seus amigos assim e diz: "Olha, que pais que amam os filhos. Eu queria ter pais assim. Os meus são muito chatos!" Temos que dizer, que isso é qualquer coisa (desleixo, despreocupação, destempero, conformidade, desculpa) menos amor. QUEM AMA COLOCA LIMITES, seja na obedência:
"Tens filhos? Educa-os, e curva-os à obediência desde a infância." (Eclo 7,25)
Seja nos valores:
"Educa o teu filho, esforça-te (por instruí-lo), para que te não desonre com sua vida vergonhosa." (Eclo 30,13)
Seja no exemplo de vida; aqui temos o problema em que muitos querem ensinar o certo, mas viver o errado. Como alguém pode aceitar isso?! Os pais tem que ser exemplo na vida com Deus para os filhos, se querem que os mesmos tenham uma vida na graça e na presença do Senhor:
"Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor." (Ef 6,4)
Mas por que ou para que impôr essa chatice a crianças e aos jovens? PORQUE PELO AMOR QUE SENTE-SE A ELES, QUER-SE O MELHOR, ou seja, quer que eles tenham felicidade não apenas aqui na Terra, mas durante toda a eternidade, no céu, ao lado de Deus. Nos limites, na educação, na doutrina do Senhor, as crianças, os jovens começam a se preparar para as coisas mais sublimes que existem na Terra, que são coisas que viveremos no céu: a plenitude do amor, a alegria completa, a felicidade eterna. Temos que nos preparar também, se é para lá que queremos ir.
Caso os jovens sejam educados na doutrina do Senhor, não como alienados que vivem as coisas de Deus por obrigação, mas movidos por uma decisão e escolha para a própria vida, porque começaram a entender desde crianças que isso é o certo; não teríamos a tristeza de uma sociedade jovem sem controle, sem regras e sem limites, que vive o ódio. Teríamos jovens preservando a sua sexualidade, guardando sua virgindade e castidade para o casamento, conforme sua vocação. Não que não tenha; mas precisa-se de mais jovens assim. O que vemos hoje é resultado da falta de amor, que vem de dentro de casa, por não terem sido educados na graça e nos mandamentos do Senhor. Seria um valor comum e sério para todos: "Não pecar contra a castidade", o sexto mandamento.
AMAR É PÔR LIMITES. AMAR É MOSTRAR COM OS EXEMPLOS DA PRÓPRIA VIDA O QUE É CERTO E O QUE É ERRADO. AMAR É DAR DEUS AOS OUTROS. AMAR É DAR O SEU MELHOR, PARA QUE O OUTRO SEJA FELIZ. AMAR É SE CONSUMIR, COMO JESUS CONSUMIU A SUA VIDA. Se olharmos para Jesus, temos o exemplo para os casais que adulteram e cometem o absurdo da troca de casais:
"Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5,25-27)
Muitas vezes amar é dar um chacoalhão na pessoa para que ela acorde; para que ela olhe para cima, para que ela tenha esperança no viver, para que ela recobre o ânimo, tenha coragem de enfrentar as dificuldades da vida. Não podemos permitir que as pessoas caiam nessa onda de "molenguismo". Somos chamados, a partir do nosso batismo a ter uma vida firme, fortalecidos pelo dom e pela graça de Deus.
"Por este motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria." (2Tm 1,6-7)
Amar é ajudar a pessoa a despertar para uma vida nova em Cristo, renunciando ao pecado e a vida velha:
"Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará." (Ef 5,14)
Por causa do comodismo do pecado muitos ficam no mesmismo a vida inteira. Para que o céu comece a ser experimentado é necessário essa coragem. E só faz isso quem ama! E se tem quem ama, precisamos de alguém que é amado. Talvez sejamos nós mesmos, que precisamos ser amados, deixar-nos ser amados. Deixar-se amar é um segredo para vivermos o céu, para fazermos essa experiência. Ninguém pode dar aquilo que não tem. Se você não tem a experiência desse amor verdadeiro, dessa coragem, como pode oferecer para alguém? 
Mesmo que não haja pessoas ao seu redor que te levem a essa experiência, talvez porque não receberam amor também, você não tem desculpas. Deus quer te dar essa experiência agora. Se coloque na santa e poderosa presença do Senhor:
"Jesus amado, me coloco na tua presença para suplicar uma experiência de amor tremenda neste momento. Meu viver tem sido vazio; eu tenho vivido na mentira, na hipocrisia, nas aparências, no orgulho, na vaidade.Reconheço que não tenho amado de verdade Senhor, principalmente aqueles que o Senhor escolheu a dedo e colocou ao meu redor, minha família. Mas eu quero amar, porém, eu não consigo. Eu preciso do teu amor. Dá-me a coragem de amar Senhor. Dá-me a ousadia e o destemor para amar com todo o meu coração. Da mesma forma que eu peço a graça de te amar, eu peço a graça de amar a todos que estão ao meu redor. Muitas vezes eu deixo passar várias oportunidades para amar, para ajudar, para perdoar e pedir perdão, para demonstrar nos meus atos que eu amo, para levar meus amigos a acordar para a vida. Muitas vezes eu prefiro ficar no meu cantinho, sem me preocupar, sem fazer nada, pois tenho medo de que me intrometendo em alguns casos, eu tenha problemas. Mas eu também sei que só quem ama é que tem essa coragem. Enche o meu coração de coragem agora Senhor. Derrama sobre mim o teu Espírito Santo e impulsiona-me a amar. Impulsiona-me a viver o Céu aqui na Terra. Impulsiona a trazer mais pessoas a essa experiência da força do teu amor, que transforma o mundo. Vem Espírito Santo de Deus, tu que és o fogo do amor de Deus derramado nos nossos corações, me dar a graça de viver esse amor que meu coração está cheio, quero colocá-lo em prática em todas as áreas da minha vida. Queima meu coração, minha alma, meu espírito, meu corpo e todo o meu ser com teu fogo de amor, Espírito Santo. E mova-me, de alguma forma, a ser amor, a transmitir amor, a levar amor, a transpirar amor; pois é isso que o Senhor faz comigo agora. Obrigado, ó doce Espírito de Deus. Obrigado Jesus, tu és bendito, santo, glorioso, digno de amor, honra, adoração, por toda a eternidade. Obrigado meu Pai querido, por tanto amor que o Senhor enxarca a minha vida agora. Glórias a Ti Senhor! Amém."
Se você realmente acredita em Deus, e na sua oração, crê realmente no poder Dele, você vai poder levar qualquer pessoa que seja a viver esse céu com você, pois:
"A Deus nenhuma coisa é impossível." (Lc 1,37)
Movido pela fé de Jó, que nós assumamos para nós essa verdade, e confiando no Senhor, tenhamos a coragem de Deus ardendo em nossa alma, para amar e fazer a diferença nesse mundo carente de amor.
"Sei que podes tudo, que nada Te é muito difícil." (Jó 42,2)
Pela força do Senhor podemos dizer para o mundo carente que o amor de Deus é diferente de tudo o que possamos experimentar. O amor de Deus nos faz experimentar e transmitir esse maravilhoso céu. Apontando para lá, terminamos nossa postagem de hoje, deixando alguns conselhos para as famílias (tema que refletiremos em outras postagens).
Encerramos com recomendações às famílias, por direção do grande apóstolo dos pagãos. São Paulo dá a mesma recomendação às famílias dos efésios; mas transcrevemos as recomendações que foram escritas aos colossenses:
"Mulheres, sede submissas a vossos maridos, porque assim convém, no Senhor. Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, deixais de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados. Servos, obedecei em tudo a vossos senhores terrenos, servindo não por motivo de que estais sendo vistos, como quem busca agradar aos homens, mas com sinceridade de coração, por temor a Deus. Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens., certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Cl 3,18-24)

Que Deus nos abençoe e nos leve a experiência de amar verdadeiramente, com o amor do céu!

Você não está sozinho

Amados e amadas de Deus, começamos essa semana embalados pelo amor do Senhor, que está maravilhosamente presente em nossas vidas, nos acompanhando em todos os momentos, desde o nosso nascimento e nos dá a certeza que permanecerá até o fim, como nos disse o amado Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20)
Como permanecer indiferente perante este tremendo amor do Senhor!? Como dizer que Deus não existe? Como não desejar servi-Lo e consumir-se por sua causa? Como não querer ser fiel como Ele é? Como não desejar viver o Céu aqui na Terra?
Muito mais de tudo o que queremos, Deus sempre quer mais do que nós. Um filósofo que abalou sua época e continua incomodando muitos por aí que dizem mentiras, falando que Deus não existe, que Ele não se importa conosco coisa nenhuma, que Ele é mau, é Santo Agostinho (caso você seja ateu, convidamos você a ler um pouco da literatura desse grande homem de Deus e repensar em suas idéias). Ele dizia: "Deus tem sede que nós tenhamos sede dEle!" Imagine agora como Deus deseja ardentemente que O busquemos, que estejamos com Ele e permitamos que Ele faça parte diariamente das nossas vidas. Infelizmente, muitos vivem como se Deus não existisse. Por causa disso e do afastamento das pessoas, sentem-se sozinhos no mundo, mesmo hoje sendo mais de 7 bilhões de pessoas vivendo sobre a face da Terra...
Como o título sugere, queremos refletir sobre o sentimento de solidão, que habita no coração de muitas pessoas e antes das dúvidas surgirem já damos uma resposta. Comece essa postagem convencendo a você mesmo: "EU NÃO ESTOU SOZINHO!" Por que muitos pensam que estão sozinhos? Por que as pessoas sentem-se sozinhas? Por que muitas vezes mesmo em meio a uma multidão nos sentimos sozinhos? Há solidão boa ou ruim?
Começamos com um trecho do livro do Eclesiastes, em que a autoria é geralmente atribuída a Salomão, filho de Davi:
"Vi ainda outra vaidade debaixo do sol: eis um homem sozinho, sem alguém junto de si, nem filho, nem irmão; trabalha sem parar, e, não obstante, seus olhos não se fartam de riquezas. Para quem trabalho eu, privando-me de todo bem-estar? Eis uma vaidade e um trabalho ingrato. Dois homens juntos são mais felizes que um isolado, porque obterão um bom salário de seu trabalho. Se um vem a cair, o outro o levanta. Mas ai do homem solitário: se ele cair não há ninguém para o levantar. Da mesma forma, se dormem dois juntos, aquecem-se; mas um homem só, como se há de aquecer? Se é possível dominar o homem que está sozinho, dois podem resistir ao agressor, e um cordel triplicado não se rompe facilmente." (Ecle 4,7-12)
Que interessante a linguagem que o autor utiliza para descrever a solidão! Ele associa à vida solitária a fraqueza humana, a infelicidade, a dificuldade de levantar-se após um tombo, a dominação pelas coisas e a uma corda que se estiver fortalecida (triplicada) não se romperá com tanta facilidade. O primeiro fato importantíssimo que destacamos aqui é que a pessoa que é sozinha, que vive sozinha, que permanece sozinha e que escolhe a solidão como forma de vida, não é feliz. Todo mundo precisa de uma companhia: um amigo, um(a) namorado(a), marido/esposa, pessoa que possa contar, o próprio Deus...
De que vale a pena viver em um mundo tão belo, com maravilhas e pessoas que o Criador fez, pensando em nós, isolados? Que opção triste! Algumas pessoas tem a capacidade de optar por viver dessa forma. É uma vaidade, como diria Salomão, ou em outros casos, é uma falta de opção, pois muitos estão assim sem querer.
Em um livro de um renomado médico e escritor dos Estados Unidos, Robin Cook, ele escreve uma frase interessante sobre a solidão: "O homem mais forte do mundo, é o que mais suporta a solidão". Mas analisaremos, ao longo dessa postagem, as duas formas de viver a solidão (por opção ou por falta de opção) e também a partir de dois aspectos (com o olhar humano e com o olhar divino).
Se você já se sentiu assim, de vez em quando ou constantemente sente esse sentimento presente em sua vida, essa postagem é dedicada especialmente para você!
Só quem já passou pela experiência de ficar verdadeiramente sozinho pode entender o que é realmente a solidão. É uma coisa que se aprende na prática; que pode trazer marcas para toda a vida. Vou transcrever o meu próprio testemunho, que talvez pareça com a história de muitas pessoas.
"Desde a infância, de momentos que me recordo, trago esse sentimento dentro de mim. Nunca tive facilidade de relacionamento com as pessoas. Sempre fui uma pessoa fechada. Pela falta de apoio da família, e vindo de uma família totalmente desestruturada e desorganizada, não aprendi a me relacionar. Isso gerou um trauma muito grande dentro de mim, a ponto de que eu tinha medo e não queria conhecer novas pessoas. Quando me apresentavam a alguém que eu não conhecia, eu corria para me trancar no quarto e batia a porta, gritando e chorando. Coisa de criança mimada que me fez sempre estar separado das pessoas na escola. Conversava apenas com algumas pessoas e tinha poucos amigos. Depois fui crescendo numa adolescência solitária. Tinha vergonha de conversar com meninas e não tinha facilidade de conversar com muita gente, por causa da timidez. Não conversava com a família dentro de casa, por falta de amor e das brigas que eram frequentes. Não tinha amigos de verdade para conversar quando precisava. Tive um encontro com Jesus aos quinze anos e por um tempo parecia que tinha sido curado. Jesus tornara-se o meu grande e verdadeiro amigo mais certo das horas incertas. Mas com o passar do tempo e desapego dos poucos colegas, a solidão consumia ainda mais meu coração. Sabia que Deus estava comigo, mas falava para Jesus: 'Eu sei que o Senhor está comigo, mas muitas vezes quando preciso conversar com alguém e não encontro ninguém, eu falo com o Senhor mas não ouço uma resposta do Senhor conversando comigo. Eu preciso de amigos Jesus.' Foram cinco anos de oração, de experiências com o Senhor, de pessoas que vinham e iam embora, de choros, tristezas e alegrias. No dia em que fiz vinte anos, participei de um encontro e diante de Jesus Sacramentado pedi a graça de ser curado da solidão. Faz quase dois anos que isso aconteceu, e o Senhor me curou, colocou pessoas maravilhosas ao meu lado, como amigos de verdade que posso contar e que fazem parte da minha vida, uma namorada e a presença do Senhor hoje me conforta de forma concreta. Não me sinto mais sozinho! A solidão que eu senti durante vinte anos não existe mais. Hoje ao lado das pessoas e sempre caminhando com o Senhor, não tenho mais problemas com isso. Escrevi uma canção que gostaria de compartilhar com todas as pessoas que sentem-se sozinhas, para que passem pela experiência que passei e sejam curadas de toda solidão, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém."
A letra da música é em inglês por isso, transcrevemos em português para que todos entendam, o título é o mesmo dessa postagem.
"Quando você sentir a solidão no momento escuro da sua vida e o desespero bater a sua porta, apenas confie, para você há um Deus. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Não há mais sentido para chorar, para se fechar em si mesmo, abra sua alma e receba Seu amor, isso vai te sustentar. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Segure Sua mão e não se preocupe, diante de você Ele está, onde quer que você esteja. Olhe ao seu redor e sinta Sua presença, o Espírito Santo vai trazer a ajuda. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Ele cura sua alma e te dá outro coração. Não entenda, não pense, apenas viva, esta é sua nova vida. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Deus está com você! O Senhor está conosco!"
Quantos hoje em dia sofrem por ficarem sozinhos! Muitos ficam com uma e outra pessoa, tem relacionamentos descartáveis e passageiros, namoram, conversam, jogam papo fora, falam o que querem e o que não querem quando precisam, mas sentem-se sozinhas. Muitos conhecem a Deus, sabem que Deus está presente em sua  vida, mas ainda não experimentaram a presença viva e real do Senhor. Primeira coisa que precisamos fazer: enxergar a solidão como ela é - um sentimento que traz tristeza, que traz angústia, que traz revolta, que embrulha e acabrunha o coração. Ou seja, trata-se de um mal que tem que ser combatido na origem. E QUAL É A ORIGEM DESSE MAL? DO CORAÇÃO HUMANO!
Aqui temos uma luz que vai nos ajudar a entender porque muitos sentem-se sozinhos: porque embora estejam com muitas pessoas ao redor de si, não tem ninguém no coração! Ou pior é quando tem muitas pessoas, mas que são aprisionadas na falta de perdão, de ódio, de mágoas e de traumas (tema que aprofundaremos em outras postagens).
Jesus tinha alguns costumes de oração que cultivava, principalmente, retirando-se para lugares solitários em que Ele ficava na intimidade com o Pai. Sua comunhão e submissão ao Pai é plena: em todos os momentos, em todas as situações, em cada ocasião, em tudo o que fazia e falava.
"Mas Ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar." (Lc 5,16)
Da mesma forma em momentos quando queriam exaltá-Lo, colocá-Lo num patamar mais alto, como rei e glorificá-Lo, pelas suas obras e pelo que é, Ele fugia para um lugar solitário. Jesus não aceitava ser exaltado em público, pois no meio da multidão, muitos falam, gostam, amam e aceitam-No, mas Ele não quer e nem precisa disso: Ele sabe o que Ele é, o que Ele faz. Não precisava aparecer em público para ficar se mostrando.
"Jesus, percebendo que queriam arrebatá-Lo e fazê-Lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte." (Jo 6,15)
Diferentemente de Cristo, muitas pessoas hoje em dia precisam ficar mostrando-se diante das pessoas, chamando atenção para si, pelo que sabem, pela forma como falam, pelas coisas engraçadas, pela forma como vivem, por tudo e por nada. Muitas vezes, ou todas as vezes, podemos perceber que são essas pessoas que carregam dentro de si a solidão, pois revelam a carência e a necessidade de ficar aparecendo sempre. Será que você não está vivendo dessa forma?
A pessoa que não sente-se sozinha, tem auto-segurança, confiança, não precisa ficar provando para os outros toda hora o que é ou o que tem. E por isso, temos mais uma característica de quem vive a solidão: a carência. Se isso for uma regra e levarmos ao pé da letra, poderíamos dizer que a maioria das pessoas, hoje em dia, são carentes, e consequentemente, sentem-se sozinhas. A sociedade cria isso em nós e precisamos nos libertar desse condicionamento de aparências em que ficamos mostrando para as pessoas tudo o que temos por fora, mas o coração, que está vazio e precisávamos mostrar, não é mostrado. Portanto, de nada adianta ficar querendo aparecer!
Pelo fato de sentirem-se sozinhas, as pessoas são levadas a pensar que estão sozinhas. Uma coisa leva a outra: o que sentimos é o que leva-nos a pensar. E de um sentimento do coração, a mente é alimentada a enxergar-se a si mesma e ao mundo, a partir dessa ótica. É aí que entendemos como um coração vazio, leva a uma vida vazia. Tentamos preencher de todas as formas possíveis nosso coração, mas da forma errada, pois as coisas de fora não podem preencher a solidão que sentimos por dentro. Mas, temos que entender que A CURA DA SOLIDÃO É UM PROCESSO QUE COMEÇA POR DENTRO E É CONCRETIZADO PELAS ATITUDES E GESTOS EXTERIORES.
Jesus, mesmo com os "bons costumes" de ficar sozinho em oração e retirar-se para locais solitários, nunca esteve sozinho. Sendo um só com o Pai e com o Espírito Santo, no mistério da Trindade Santa, Jesus tinha um coração experimentado em sua humanidade, apesar de não cometer nenhum pecado, e cheio da presença do Pai. Seus discípulos, seus amigos e até aqueles que consideravam-se seus inimigos moravam em seu coração.
No momento auge de sua vida e de sua missão, o Cristo Jesus sentiu-se profundamente sozinho, pois a dor que assolava e esmagava seu coração fazia-O sentir-se abandonado, mesmo com sua confiança no Pai. No alto da cruz ele Grita: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" (Mt 27,46) Será que você já chegou nesse ponto, ou próximo a isso, a ponto de não conseguir raciocinar direito?
Nesses momentos, a fé, a oração, a confiança em Deus, a certeza de um coração que está cheio de Deus é o que sustenta a vida. Precisamos disso para passar por momentos de profunda solidão, como Jesus passou.
Convidamos a você entoar, do íntimo do seu coração, essa oração que o salmista entoou, passando seu sentimento diante do Senhor, apresentando a Ele, exatamente a forma como você está se sentindo. Expresse sua angústia, sua dor, seu lamento, sua tristeza, suas mágoas, suas revoltas, suas misérias, seus pecados, seus medos, seus fracassos, suas incapacidades, suas infidelidades. Enfim, coloque para fora tudo o que há no seu coração, e deixe que Ele entre, curando todo o mal que você tem carregado há tanto tempo:
"Prece de um aflito que desabafa sua angústia diante do Senhor. Senhor, ouvi a minha oração, e chegue até vós o meu clamor. Não oculteis de mim a vossa face no dia de minha angústia. Inclinai para mim o vosso ouvido. Quando vos invocar, acudi-me prontamente, porque meus dias se dissipam como a fumaça, e como um tição consomem-se os meus ossos. Queimando como erva, meu coração murcha, até me esqueço de comer meu pão. A violência de meus gemidos faz com que se me peguem à pele os ossos. Assemelho-me ao pelicano do deserto, sou como a coruja nas ruínas. Perdi o sono e gemo, como pássaro solitário no telhado. Insultam-me continuamente os inimigos, em seu furor me atiram imprecações. Como cinza do mesmo modo que pão, lágrimas se misturam à minha bebida, devido à vossa cólera indignada, pois me tomastes para me lançar ao longe. Os meus dias se esvaecem como a sombra da noite e me vou murchando como a relva. Vós, porém, Senhor, sois eterno, e vosso nome subsiste em todas as gerações. Levantai-vos, pois, e sede propício a Sião; é tempo de compadecer-vos dela, chegou a hora... porque vossos servos têm amor aos seus escombros e se condoem de suas ruínas. E as nações pagãs reverenciarão o vosso nome, Senhor, e os reis da terra prestarão homenagens à vossa glória. Quando o Senhor tiver reconstruído Sião, e aparecido em sua glória, quando ele aceitar a oração dos desvalidos e não mais rejeitar as suas súplicas, escrevam-se estes fatos para a geração futura, e louve o Senhor o povo que há de vir, porque o Senhor olhou do alto de seu santuário, do céu ele contemplou a terra; para escutar os gemidos dos cativos, para livrar da morte os condenados; para que seja aclamado em Sião o nome do Senhor, e em Jerusalém o seu louvor, no dia em que se hão de reunir os povos, e os reinos para servir o Senhor. Deus esgotou-me as forças no meio do caminho, abreviou-me os dias. Meu Deus, peço, não me leveis no meio da minha vida, vós cujos anos são eternos. No começo criastes a terra, e o céu é obra de vossas mãos. Um e outro passarão, enquanto vós ficareis. Tudo se acaba pelo uso como um traje. Como uma veste, vós os substituís e eles hão de sumir. Mas vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim. Os filhos de vossos servos habitarão seguros, e sua posteridade se perpetuará diante de vós." (Sl 101,1-29)
Quem tem a coragem de fazer essa experiência com Jesus, perceberá que nunca esteve sozinho, desde o seio da mãe, até o dia de hoje, independentemente da idade e da história que tenha tido. Por causa disso, podemos concluir que não há solidão boa ou ruim, porque ninguém que sinta-se sozinho é forte, é feliz, é melhor. O que existe são pessoas que mesmo em meio a solidão, sentem-se confiantes pois sabem, pela experiência, provadas no fogo da solidão, que o Senhor está com elas.
Da mesma forma que Deus está no nosso coração e podemos sentir a sua presença em todos os locais e em todas as horas, as pessoas que amamos podem morar em nossos corações, se permitirmos. Uma pessoa sadia carrega muitas outras pessoas dentro de si, pelo amor, pelo carinho, pela admiração, pela vida que teve com as pessoas. Embora os sofrimentos e as situações difíceis que passam, pessoas assim, conseguem suportar todas as coisas, pois não estão sozinhas, não pensam que estão solitárias e podem contar com aqueles que vivem dentro do seu coração.
Mesmo que essas pessoas tenham ido embora, mesmo que tenham se mudado e perdemos o contato com elas, mesmo que tenham morrido e partido ao encontro de Deus, sempre vão continuar na nossa vida, pois quem vive dentro do nosso coração não morre, apenas deixa de fazer parte do nosso mundo visível, pois o amor sempre a manterá viva dentro de nós.
Querido e querida de Deus acredite nisso: sempre que sentir-se sozinho, sentir que a solidão está consumindo seu coração, há sempre alguém, que mora dentro do seu coração, que você pode contar, para todas as horas, para todos os momentos... Acredite nisso! Como diria São Paulo: você é um Teófilo (ou seja, um querido, amado de Deus).
Não escrevo porque acho bonito, porque é uma receita mágica que se for seguida a risca poderá converter a solidão do seu coração em presença, mas porque passei por isso, e durante os vinte anos de experiência sentindo-me sozinho, vejo que nada é melhor do que ter pessoas ao meu redor, ao meu lado, com as quais posso contar, que moram dentro do meu coração, que fazem parte da minha história e da minha vida. E Deus continua a ser o mesmo, mas hoje em dia, sua presença constante conforta meu coração e me faz crer, cada vez mais, que nunca estive e nunca estarei sozinho.
Recomendamos a você assistir um vídeo para selar essa certeza em seu coração, para que você enxergue todos os momentos que você já se sentiu sozinho, a partir da certeza que é cantada nessa maravilhosa canção da Salette Ferreira, da Canção Nova: 

Que isso anime seu coração, para que você saia da solidão e entre sempre na presença de Deus, até que a presença de Deus ocupe, preencha e cure toda a solidão existente, até o ponto em que o único sentimento que reste seja a presença, e não qualquer presença, mas a maravilhosa e santa presença do Senhor, nosso Deus.

Que Deus nos abençoe e nos cure de todo sentimento de solidão. Amém!

Atos ou palavras?

"Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranquilizaremos a nossa consciência diante de Deus, caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos." (1Jo 3,16-22)
Que maravilha começar essa formação de hoje com essa belíssima passagem da primeira carta do apóstolo do amor, um jovem que experimentou profundamente o amor de Jesus Cristo. E esse amor fez com que ele fosse o mais doce, carinhoso e atencioso dentre os doze, e amado, predileto de Jesus pela sua confiança plena no Senhor. Mas não podemos nos confundir: João era extremamente egoísta, irritado, explodia por pouca coisa e não sabia amar. Ele passou por uma experiência de crescimento como pessoa, como filho de Deus, como servo do Senhor, como alguém que encontrou o sentido da vida. Compreenderemos, a partir de alguns relatos da própria vida de São João, como temos a NECESSIDADE de crescer sempre, em todos os sentidos (da mesma forma como já aprofundamos em outra postagem esse crescimento a partir de Jesus).
O nosso foco hoje não será amor, experiência, fé, liberdade, conhecimento de Deus, mundo, pecado, perdão, arrependimento, serviço ou qualquer outro dos temas que já tratamos nas outras postagens, mas será essencial para a vivência verdadeira desses e dos demais que aprofundaremos nesse blog, com a graça de Deus. O tema nos remete a um questionamento: atos ou palavras? O que precisamos fazer para crescer? Para que precisamos desse crescimento? Qual o sentido de crescer ou não crescer?
Na passagem acima temos o ensinamento de João, que diz que não devemos amar com palavras nem com a língua, mas POR ATOS E EM VERDADE. Por que ele diz isto? Porque ele se conhece, porque ele conhece o homem, suas capacidades e seus apegos, suas virtudes e seus defeitos. Não trata-se de um conselho para uma comunidade em especial, para um tempo da história ou para um grupo de pessoas, mas para toda a humanidade, em todos os tempos, para todos os locais da face da Terra.
Os homens são parecidos em todas as partes do planeta: existem os mesmos problemas, as mesmas fraquezas, os mesmos condicionamentos (quando não é material, é espiritual, é falta de liberdade, é apego às coisas e às pessoas, é infidelidade no serviço a Deus, é imoralidade, é impiedade, é impureza, é falta de conhecer a Deus profundamente, é superficialidade, etc). Mudam-se os lugares, mudam-se os hábitos, tradições, costumes, mas as pessoas não deixam de ser HUMANAS.
Para poder dar passos na direção de um crescimento real precisamos aprender a nos conhecer. Estamos acostumados a viver na sociedade sem nos conhecer e sem conhecer aos outros. A mídia mostra de forma muito bela as pessoas, os relacionamentos, os problemas; até o pobre na novela tem um nível acima do normal que conhecemos na realidade. Os "simulacros" que nos rodeiam, isto é, cópias imperfeitas e fingidas da vida humana na sociedade, nos levam a crer que não precisamos nos conhecer. 
Na Igreja Católica, os grande homens de Deus que conhecemos são unânimes em dizer que "ANTES DE CONHECER A DEUS, PRECISAMOS NOS CONHECER". Aí já entendemos o sentido de existir tantas atrações hoje em dia; para que não passemos pela experiência de conhecer-se a si mesmo (como dizia o filósofo Sócrates). Mas como conhecer-se? Através dos gostos, desejos, vontades, coisas boas; mas também através dos erros, defeitos, fraquezas, misérias. Mas precisamos entender bem: uma coisa é ser pecador e aceitar a própria natureza, compreendendo a situação em que se vive; outra coisa muito diferente é aceitar o pecado, pois não fomos feitos nem chamados a vida para viver o pecado, mas para viver a santidade (cf. 1Ts 4,7) [da mesma forma é quem está doente e não deve aceitar a doença, pois não é vontade de Deus, mas lutar contra ela, já que a vontade do Senhor é que todos sejamos salvos, curados, libertos, sarados e livres - tema que aprofundaremos em outras postagens].
Apenas a partir do momento em que nos decidimos por mudar (porque enxergamos que algo não está bom em nós) é que começamos a crescer. Essa palavra bíblica deve nos levar a reflexão: Como amar aos outros, se nem sequer amamos a nós mesmos, o que conhecemos e o que não conhecemos? Como ser da verdade, se primeiramente, nem reconhecemos as mentiras que estão na nossa vida? Como tranquilizar a consciência se vivemos escondendo as coisas de Deus, sabendo ou não que Ele é maior do que a nossa consciência? Como chegar a esse nível de ter uma confiança plena no Senhor, guardar os seus mandamentos e ainda fazer o que é agradável aos seus olhos?
Falar assim é muito bonito, soa muito bem, parece uma receita mágica para crescer em Deus; mas não é nada disso. Não propomos nessa postagem coisas mágicas que devem ser seguidas à risca para que haja transformações ou mudanças (como a primeira imagem acima), mas  propomos um caminho para ser seguido, vivido e experimentado na prática, para que, seguindo nessa direção, cheguemos a experiência e mantenhamo-nos crescendo de modo autêntico.
Muitas pessoas tem uma boa vontade impressionante: se propõem a fazer coisas que muitas vezes conhecem, sabem de cor até, mas na prática, não chegam a ser metade do que falam. Sua palavra garante uma coisa, mas sua realidade é um pouco diferente. Temos duas opções para não cair nesse erro: falar bem menos ou agir bem mais. Conhecer-se é isso: reconhecer com as palavras que muitas vezes nossos atos não são lá aquelas coisas. Isto vale para o relacionamento com as pessoas e com Deus; quando prometemos que vamos fazer isso ou aquilo, temos uma vontade verdadeira de realizar, mas não conseguimos, pois ainda não passamos pela experiência de crescer; somos como crianças. 
Quantas pessoas podem ajudar aos outros neste mundo? Se fizermos uma análise (fictícia) do mundo hoje iremos perceber que: 80% da população é pobre e vive em condições de vida normal ou abaixo do normal; uns 15% tem dinheiro e vive bem melhor; e os outros 5% tem o mundo inteiro nas mãos. Como esses cinco por cento (ou os quinze por cento, ou até mesmo a maioria) vêem os outros passarem fome, necessidades e ainda querem dizer que conhecem a Deus, que neles está o amor de Deus sendo que não ajudam e nem se importam? Se somos seguidores de Cristo, temos que agir como Ele agiria, diante das mais diversas situações. Não é apenas dizer, é preciso fazer.
Vejamos alguns traços que vão formar a personalidade de João para que nós o conheçamos melhor.
"Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma? Jesus voltou-se e REPREENDEU-OS SEVERAMENTE. [Não sabeis de que espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação." (Lc 9,51-56)
Por causa desse acontecimento descrito que São Lucas narrou em seu Evangelho, é que Tiago e seu irmão João eram os irmãos 'boanerges', ou Filhos do trovão, como Marcos vai nos ensinar (cf. Mc 3,17). Eles tinham uma má fama entre o povo e entre os apóstolos; fama essa que não foi construída da noite para o dia, mas com um trabalho árduo e intenso de atitudes e palavras indelicadas como essa, ao longo da sua vida. Mas foi com o passar do tempo e com a convivência que foram apelidados assim.
Em um outro momento, os mesmos irmãos, se aproximam de Jesus e fazem um pedido que incomodou realmente e levou os discípulos a indignar-se contra eles:
"Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos. Que quereis que vos faça? Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda. Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado? Podemos, asseguraram eles. Jesus prosseguiu: Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado. Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos." (Mc 10,35-45)
O engraçado é que nesses dois acontecimentos narrados, e em outros que devem ter acontecido (que não estão narrados na Bíblia) Jesus sempre tenta ajudá-los a desenvolver o entendimento a respeito de como deveriam portar-se como seus seguidores. Podemos crer que pelos ensinamentos de Jesus, pelo conhecimento que Ele tinha, e pela forma como 'falava e vivia' é que os discípulos, aos poucos, também Tiago e nosso querido João, foram sendo transformados.
Jesus não era incoerente. O que Ele pregou durante a vida inteira, foi concretizado com suas obras e levadas a perfeição quando morreu na cruz, selando os seus ensinamentos radicais com o seu sangue derramado. Aprendamos com Ele e deixemo-nos ser transformados, para darmos passos rumo a coerência na nossa vida também.
Para uma criança, que ainda está sendo formada a como pensar, a como ver o mundo e o que é certo e errado não há muita diferença entre o que falamos e vivemos: elas aceitam o que falamos como verdade absoluta. Basta crescer um pouquinho e a criança começa a perceber uma certa incoerência nos pais, por exemplo, e param de obedecer alegando: você não faz isso, por que eu vou fazer? E muitos pais usam e ensinam os filhos com uma verdade diabólica, que lúcifer utiliza: "Faça o que eu falo, não o que eu faço!" ISSO É UM ABSURDO!
Nesse pequeno exemplo e pelo nosso conhecimento de mundo, sabemos que as pessoas falam uma coisa e vivem outra. O problema é quando são pessoas que se dizem de Deus, mas não é nem por maldade: pelo fato de estarem acostumados a viver assim; quando começam a servir a Cristo, continuam assim. Mas o grande problema não é esse: é reconhecer essa incoerência na própria vida e não querer ou não deixar-se transformar por Deus.
MUITOS ESTÃO ASSIM HOJE EM DIA! É pela incoerência e infantilidade dos cristãos que muitos estão tornando-se ateus, mudando de religião e dizendo que vivem melhor sem Deus, do que com Deus; o erro não está em Deus, em Jesus, no Espírito Santo ou no que Ele ensinou e viveu, mas na nossa fraqueza e erro de dizer uma coisa que realmente não vivemos com Ele.
Falar de Deus é fácil, falar da sua Palavra é fácil, falar da graça de Deus é fácil; difícil é viver com Ele, aplicar sua Palavra no viver e conservar-se em sua graça. É realmente difícil, mas não é impossível! Por mais que sejamos maus, duros de coração, tenhamos um passado triste de dores e sofrimentos, infidelidades, impureza ao extremo e tudo o mais que possamos pensar, DEUS É MAIS QUE TUDO ISSO. Nada é impossível para Ele, mas nós não temos a coragem ou a maturidade para crer nisso; e permitir que Ele aja em nossa vida, transformando e mudando aquilo que deve ser mudado.
Precisamos deixar o Senhor nos transformar e tirar desse mundinho de infantilidade que é provocado pela mídia, pela moda, pelo cristianismo de conveniência, pela vida com Deus sem compromisso, em que o único alimento é um leitinho espiritual que só pode sustentar uma criança na fé; pela falta de sabedoria e vacilação de tantos que abalados pelas coisas  são levados pelo vento e agitados de um lado para outro, como uma onda no mar (cf. Tg 1,6), pela busca do prazer e distanciamento de Deus. Quantos exemplos poderíamos citar para demonstrar de forma concreta como estamos sendo infantis, e por estar apegados a essa infantilidade, o Senhor não pode nos transformar, não porque Ele não quer, mas porque não desejamos.
Analisemos uma coisa importante que São Paulo ensinou a comunidade de Corinto:
"Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos." (1Cor 4,20)
Trata-se de uma exortação que prefigura o céu. E um caminho também: quer viver o Céu aqui na Terra? Fale com sinceridade aquilo que você é e o que vive realmente, mas sobretudo, viva aquilo que você fala!
Na oração muitas vezes não somos atendidos porque pedimos uma coisa para Deus com as palavras, mas não demonstramos com nossas atitudes que queremos aquilo realmente. Nossos atos falam muito mais a Deus aquilo que queremos do que nossas palavras propriamente ditas.
Temos que aprender agir mais e falar menos para que nos convertamos, para que aprendamos a ser coerentes, para que sejamos livres das acusações do demônio em que nos colocamos, por não refrearmos a nossa língua indomável [cf. Tg 3] (em outra postagem aprofundaremos mais esse tema de acusações do demônio), para termos uma fé verdadeira. Tiago, nos ensina com maestria sobre a fé, pois também era um boanerges, como seu irmão João:
"Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas. Assim se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu em Deus e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus (Gn 15,6). Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? Do mesmo modo Raab, a meretriz, não foi ela justificada pelas obras, por ter recebido os mensageiros e os ter feito sair por outro caminho? Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,17-26)
Sabe por que o mundo que não conhece a Deus, ou esse Aeon, (cf. 1Jo 5,19) não quer que cresçamos em Deus, como pessoas, que pensemos, que tenhamos uma vida coerente, de fé, firme com Deus, com compromisso, provada no fogo da provação e alicerçada no coração de Jesus Cristo e da sua Palavra? Porque enquanto formos como crianças e infantis, aceitaremos tudo o que ele nos enfiar goela abaixo.
O Senhor que nos orienta, nos guia, conduz, fortalece, edifica a nossa vida e faz tudo por nós, quer nos ver passar pela mesma experiência de crescimento que São João e São Tiago passaram, para que desprendendo-nos de nossas infantilidades possamos ser como eles, outros discípulos e tantos outros homens e mulheres de Deus que incendiaram o mundo com sua radicalidade de amor por Jesus Cristo, sendo a diferença no mundo e na sociedade: vivendo a pureza, mesmo em meio a prostituição e imoralidade; vivendo a loucura do Evangelho autêntico, da forma que Jesus pediu, mesmo em meio a tantas doutrinas e seitas que ajustam o Evangelho para viverem de forma agradável; vivendo com o mal do pecado e a tendência para pecar, mas jamais aceitando o pecado, mas sempre lutando contra ele; vivendo como peregrinos aqui na Terra, aguardando nossa pátria celeste, mesmo vendo tantos construírem impérios e mansões pensando que a vida eterna será aqui; vivendo o amor verdadeiro com atitudes, mesmo em meio a um mundo que ama de maneira falsa apenas com palavras.
Importante não esquecermos que muitas coisas sérias e firmes de Deus devem ser feitas através de palavras, professando a fé, renunciando ao mal, aceitando o Senhor, pedindo o Espírito Santo, entregando-se ao Senhor, pregando a Palavra, etc. Mas são passos que damos, de palavras em palavras para atos em atos, para que fiquemos firmes e inabaláveis no Senhor, nosso Deus.
"Aquele que afirma permanecer nEle, deve também viver como Ele viveu." (1Jo 2,6)

Coloque-se na presença de Deus para finalizar essa formação de hoje, para que demos os passos necessários e cheguemos ao terreno firme das atitudes: "Doce Jesus, creio que tu queres que eu cresça, e eu quero crescer Senhor. Mas muitas coisas me impedem de ser como o Senhor quer que eu seja. Por isso mesmo, assumindo minhas impotências é que eu clamo a tua graça, o teu amor, a tua graça que é santificadora e fonte de santidade para todo o meu ser, para todo o meu viver. Derrama sobre mim a tua graça Senhor, sem TI eu nada posso. Eu clamo e súplico no teu nome ó Jesus: eu quero viver uma vida agradável ao Senhor, mas eu não consigo; por isso derrama sobre mim a força do Teu Espírito Santo, revestindo e envolvendo todo o meu ser. Protege-me da incoerência no falar e no viver. Eu quero ser todo Teu Senhor. Abrasa o meu coração neste momento. Dá-me uma experiência forte e real com teu amor. Renova em mim a tua ação de revitalização, jovializando meu coração, meu espírito e minha alma. Dá-me a graça de um espírito firme e decidido, quero estar firme na rocha que é o Senhor e não ser como uma criança que se abala por qualquer coisinha, mesmo que sejam coisas fortes. Prova-me e dá-me uma fé autentica, traduzida em obras e no amor pelos irmãos. Fortalece-me e sustenta-me com tua destra Senhor, selando em mim, com teu sangue santíssimo, a graça de perseverar contigo, crescendo sempre, para que eu seja cada vez mais tua imagem e semelhança. Obrigado Senhor, seja engrandecido, louvado, amado, bendito, glorificado, honrado, exaltado, enaltecido pela tua bondade, pelo que o Senhor é e pelo que o Senhor faz. Honras e louvores ao teu nome. Amém."

Que Deus enriqueça nosso coração, nos dando a graça de crescer e agir nesse sentido, colaborando com a vontade do Senhor.

Corpus Christ

Aleluia! Glórias sejam dadas a Deus por Jesus Cristo na força e na graça do Espírito Santo. Sempre que temos um tema forte e importante, temos que travar uma verdadeira batalha contra o inferno para podermos ser canal da graça de Deus. Mais isso não tira a grande alegria no coração por poder partilhar este maravilhoso tema: Corpus Christ. Do latim temos a tradução "CORPO DE CRISTO".
Queremos refletir e aprofundar este tema, que tem muito mais a ver com o mundo católico do que com as outras religiões cristãs; menos ainda com outras religiões. Mas veremos que não trata-se de um simbologismo ou um costume barato mas de uma realidade que muitas vezes passa despercebida em nossa sociedade: O que é o corpo de Cristo? De onde vem? Qual o sentido da existência? Porque os católicos adoram? É idolatria? Para que celebrar esse Corpus Christ?
Vamos iniciar com a palavra de Deus para termos a direção de hoje motivada pela verdade bíblica em que o próprio Jesus nos ensina após ter realizado o milagre da multiplicação dos pães (cf. Jo 6,1-15) e o milagre em que caminhou pelas águas do lago Tiberíades (cf. Jo 6,16-21):
"Jesus replicou: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes... Todo aquele que o Pai me dá virá a mim e o que vem a mim não o lançarei fora. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia. Esta é a vontade de meu Pai: todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Murmuravam então dEle os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. [Jesus responde]: Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo." (Jo 6,35-41.51)
Analisemos o contexto em que Jesus estava situado quando disse essas coisas. Nos capítulos anteriores do Evangelho de São João temos o relato do que Jesus já havia realizado: encontro com os primeiros discípulos, o milagre nas bodas de Caná, conversa com Nicodemos, encontro com a samaritana no poço de Jacó, cura da filha de um oficial, cura do paralítico do tanque Betesda. Em seguida temos a multiplicação dos pães e Jesus andando sobre as águas do lago Tiberíades, conforme versículos que descrevemos acima.
Jesus já estava manifestando a sua glória e mostrando o seu poder curador e libertador quando começou o discurso do pão da vida. E já começamos aqui descrevendo o sentido de Jesus ter realizado estes dois milagres antes de fazer começar a falar sobre o pão da vida: ELE QUIS DEMONSTRAR QUE TEM DOMÍNIO SOBRE A MATÉRIA DO PÃO E QUE TEM DOMÍNIO SOBRE O SEU CORPO. Entenderemos ao longo dessa postagem o sentido do nosso Senhor Jesus Cristo ter feito isso; que não foi de propósito, mas intencional.
Essa postagem toda girará em torno desse capítulo sexto do Evangelho de São João; mas precisamos da atitude concreta de Jesus sobre o pão da vida, pois até então Ele apenas falava a respeito, mas não tinha demonstrado e traduzido em gestos o que falava. Foi  na famosa "Última Ceia" que Ele exemplificou e realizou a primeira obra da face da Terra em que entregou o pão e o vinho aos discípulos, não como pão e vinho, mas como o seu corpo e o seu sangue.
"Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se a mesa, e com Ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribui-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós." (Lc 22,14-20)
Que loucura parece aos nossos olhos essa cena da Última Ceia. Jesus entregou o "pão" aos discípulos após ter dado graças e disse "ISTO É O MEU CORPO". Mas que absurdo Jesus fez? Ele estava bêbado? Ele tinha fumado antes da ceia? Ele estava muito louco? Ou Ele estava falando em termos figurados?
Ahh irmãos, se não fosse o próprio Jesus poderíamos dizer que trata-se de uma palhaçada, uma brincadeira com coisa séria. Mas foi Jesus que disse isso! Ele não disse: isto parece o meu corpo; isto pode ser o meu corpo; isto é uma lembrança; isto representa o meu corpo; isto é um pão mas vai lembrar meu corpo. Jesus disse com todas as letras: "Isto é o meu corpo".
Quando tomou o cálice nas mãos, Jesus fez a mesma coisa dizendo "ESTE CÁLICE É A NOVA ALIANÇA EM MEU SANGUE". Para tirar nossas dúvidas, vamos ao mesmo contexto no Evangelho de São Mateus:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados." (Mt 26,26-28)
Não seriamos coerentes se não expuséssemos também o Evangelho de São Marcos, em tal contexto:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos." (Mc 14,22-24)
Apenas não vamos trazer aqui esse trecho da Última Ceia do Evangelho de São João; e você deve saber o porquê. Porque João traz a verdade sobre a última ceia; e nos narra Jesus falando: Isto representa o meu corpo e o meu sangue? Não! Porque ele não nos relata esse momento: João se preocupou em trazer-nos o que Jesus falou na Última Ceia, já que os outros três evangelistas já tinham falado sobre o ato. Então, conforme a narração e o reforço dos outros dois Evangelhos (Mateus e Marcos) Jesus disse: ISTO É O MEU SANGUE. Ele não disse: Isto lembra o meu sangue; isto parece o meu sangue; isto representa o meu sangue. Ele disse que é.
Infelizmente, muitas pessoas distorceram a palavra da Bíblia e não aceitam essas palavras, dizendo que trata-se de uma figura de linguagem, que Jesus não queria dizer isso mesmo e arranjam mil e uma desculpas para dizer que não é essa a mensagem do Evangelho, da mesma forma que os seguidores de Jesus não aceitaram o que Jesus disse quando falou sobre o pão da vida. Temos aqui uma coisa muito séria: OU ACREDITAMOS NA BÍBLIA COMO PALAVRA DE DEUS; OU AMOLDEMOS ELA AOS NOSSOS GOSTOS HUMANOS.
O pessoal da época deve ter ficado muito confuso, entristecido, enraivado, nervoso e descrente de Jesus. Um homem que realizava milagres, sinais e prodígios. Parecia que Deus estava com Ele; ele falava com autoridade; e de repente nos pregar uma peça dessas... Mas Jesus não estava pregando peça ou falando de forma figurada, como veremos na continuação do capítulo 6:
"Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a MINHA CARNE É VERDADEIRAMENTE UMA COMIDA E O MEU SANGUE, VERDADEIRAMENTE UMA BEBIDA. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem como deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6,47-59)
Perceba quantas vezes Jesus insistiu em dizer que Ele é o pão da vida; que sua carne e seu sangue são verdadeiramente uma comida e uma bebida. Em seguido temos a reação do povo:
"Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Que será, quando virdes subir o Filho do homem para onde ele estava antes...? O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. DESDE ENTÃO, MUITOS DOS SEUS DISCÍPULOS NÃO ANDAVAM COM ELE. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iriamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,60-69)
Isso te soa familiar querido e querida de Deus? Jesus falou e insistiu que daria sua carne e seu sangue como comida e bebida para nossa salvação (e realmente deu, instituindo na Última Ceia a forma santa que realizou isto, abençoando o pão e o vinho) e os discípulos diziam que isso era MUITO DURO de aceitar. O que Jesus fez quando murmuravam que isso era difícil de admitir? Ele disse: "Não pessoal! Vocês não entenderam direito; eu estava me referindo de forma simbólica. Eu não vou dar minha carne e meu sangue mas não vai ser como comida e bebida, mas na cruz me entregando por vocês. Não sejam tolos; entendam o que estou dizendo!"? De forma alguma, Jesus foi ainda mais autoritário e não voltou atrás: 'Isso vos escandaliza?'
Por que MUITOS dos discípulos de Cristo pararam de segui-Lo e andar com Ele? PORQUE NÃO ACEITARAM ESSA VERDADE QUE SAIU DA BOCA DO PRÓPRIO JESUS. Sinto em dizer, com todo o respeito aos irmãos protestantes e evangélicos: a ÚNICA IGREJA que acredita nessas palavras de Jesus e continua a venerar e amar esse mistério do corpo e do sangue do Senhor nas espécies do pão e do vinho é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana (em outras postagens falaremos mais sobre ela). É verdade que os irmãos evangélicos celebram a última ceia, conforme Jesus pediu: "Fazei isto em memória de mim"; mas não acreditam a fundo nisto; comem do pão e bebem do vinho como pão e vinho mesmo.
Na Igreja Católica levamos a sério as palavras de Jesus, assumimos com verdade isto e celebramos na missa a entrega de Jesus na Última Ceia, e após o momento de consagração que acontece em toda missa, temos a carne de Jesus e o seu sangue. Não tratamos como pão e vinho, mas como CORPO E SANGUE. (em outras postagens, aprofundando o tema da "missa" entraremos em detalhes e nos méritos de como isto acontece).
Eis o sentido de CORPUS CHRIST: verdadeiramente o corpo de Jesus Cristo na espécie do pão que é consagrado no altar. Isto é o corpo de Jesus que celebramos, amamos, adoramos, veneramos, cultuamos e toda a vida da Igreja é voltada para este mistério central: Não enxergamos com nossos olhos humanos, mas acreditamos que Jesus não está presente no pão consagrado, mas ELE TRANSFORMA O PÃO EM SUA CARNE; e torna-se Ele próprio. Por isso não é idolatria!
Não adoramos ao hostensório; que é o objeto (muitas vezes de ouro, porque acreditamos que o corpo de Jesus merece o melhor) em que o corpo de Cristo é colocado para ser adorado, mas a própria carne de Cristo: o pão vivo descido do céu. Esse é o sentido quando nos dobramos diante do sacrário; que é o lugar onde o corpo de Jesus fica guardado, esperando para ser adorado; esse é o sentido de nos ajoelharmos na missa; esse é o sentido de nos ajoelharmos perante o hostensório, em que a carne sacrossanta de Cristo está inserida para ser adorada.
Se você é católico e não sabia disso, seja formado e viva essa verdade que a sua Igreja te ensina com todo amor e todo cuidado. Se você é protestante/evangélico/cristão, convidamos você a mergulhar na sua Bíblia e tirar suas próprias conclusões a respeito deste tema. Se você é de outra religião, convidamos você a conhecer a presença de um Deus que te ama tanto que foi capaz de derramar seu sangue na cruz por você, fez e faz tudo o que pode, e ainda dá sua carne e seu sangue para te alimentar. Se você é ateu, saiba que há um Deus que quer te dar um banquete aqui na terra, para que você comece a viver o céu; ou estenda sua visão de céu: o Céu na Terra é o corpo de Cristo, que desceu do céu, e nos alimenta.
Qual o sentido de celebrarmos, amarmos, adorarmos e comermos o pão consagrado (a carne viva de Jesus Cristo) na Igreja, em cada missa ou momento de oração? A força de Jesus que recebemos é sua palavra, seu Espírito Santo, sua presença de amor nos irmãos, e sobretudo, a sua carne que comemos e o seu sangue que bebemos. CELEBRAMOS O CORPO DE CRISTO PORQUE ELE NOS ANIMA A CONTINUAR, A DAR PASSOS NA FÉ, A VIVER O CÉU NA TERRA. ELE NOS DÁ CORAGEM PARA PERMANECER FIRMES COM ELE, MESMO EM MEIO AS TRIBULAÇÕES; AFINAL, COMO JESUS DISSE, VIVEMOS POR JESUS, JÁ QUE O RECEBEMOS DE FORMA REAL.
"Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." (1Cor 11,29-30)

Encerramos esta postagem (mesmo atrasados) com as palavras do grande apóstolo de Cristo, São Paulo. Para que não haja tantos doentes, fracos e mortos no nosso meio; precisamos zelar, amar e viver com intensidade este mistério do corpo e do sangue de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho. Isto significa, levar a sério a missa, receber a carne de Jesus Cristo e adorá-Lo com toda a intensidade da nossa alma, adorar e amar a Ele que se entrega de forma tão simples e pequena, mas que é tão tremendo e gigantesco. Amemos e adoremos ao corpo de Cristo!

Deus nos abençoe e nos ajude a aceitar, amar e colocar em prática o que aprendemos nesta postagem.

O desapego de quem é livre

Irmãos e irmãs em Cristo Jesus como é maravilhoso partilhar as coisas do Senhor. Que bom é poder compartilhar com você aquilo que Deus fala ao meu coração essa semana, e saber que você propagará aquilo que ler por aqui, da mesma forma que você partilha aquilo que Deus fala ao seu coração. Se não fala, talvez é porque você não esteja tendo tempo para Ele (leia a postagem sobre o "Tempo") ou esteja com o coração fechado (leia a postagem "Ele está a porta e bate"). Ou talvez, você não tenha essa intimidade com o Senhor (em outras postagens aprofundaremos o tema intimidade). O que queremos nessa noite é gerar no seu coração um desejo de partilhar aquilo que aprendemos, aquilo que vivemos com o Senhor, para que mais gente busque a Ele com o coração sedento.
Ora, nosso tema dessa semana nos fala de desapego e liberdade: Qual a relação entre essas duas atitudes? Desapegar-se do que? Liberdade em qual sentido? O que devemos fazer para alcançar os resultados que essa postagem vai nos propor? Abramo-nos a santa ação do Senhor e permitamos que Ele nos ajude, nos oriente, nos guia, nos conduza, fortaleça nosso coração, enriqueça nosso espírito com a Sua santidade, envolva todo o nosso ser com a bondade e a ternura da sua presença, faça-nos crescer em idade, sabedoria e graça, aperfeiçoe em nós a Sua imagem, nos cure e liberte de todo mal e nos dê animo e coragem para fazer o que for preciso para plantar sementes do céu aqui na terra (tema que trataremos em outras postagens).
Vamos a passagem central dessa postagem, que está no Evangelho de São Marcos:
"Os fariseus e alguns dos escribas vindos de Jerusalém tinham se reunido em torno dEle. E perceberam que alguns dos seus discípulos comiam o pão com as mãos impuras, isto é, sem as lavar. (Com efeito, os fariseus e todos os judeus, apegando-se à tradição dos antigos, não comem sem lavar cuidadosamente as mãos; e, quando voltam do mercado, não comem sem ter feito abluções. E há muitos outros costumes que observam por tradição, como lavar os copos, os jarros e os pratos de metal.) Os fariseus e os escribas perguntaram-lhe: Por que não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos impuras? Jesus disse-lhes: Isaías com muita razão profetizou de vós, hipócritas, quando escreveu: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, pois, me cultuam, porque ensinam doutrinas e preceitos humanos (Is 29,13). Deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens. E Jesus acrescentou: Na realidade, invalidais o mandamento de Deus para estabelecer a vossa tradição. Pois Moisés disse: Honra teu pai e tua mãe; e: Todo aquele que amaldiçoar pai ou mãe seja morto. Vós, porém, dizeis: Se alguém disser ao pai ou à mãe: Qualquer coisa que de minha parte te pudesse ser útil é corban, isto é, oferta, e já não lhe deixais fazer coisa alguma a favor de seu pai ou de sua mãe, anulando a palavra de Deus por vossa tradição que vós vos transmitistes. E fazeis ainda muitas coisas semelhantes. Tendo chamado de novo a turba, dizia-lhes: Ouvi-me todos, e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, o possa manchar, mas o que sai do homem, isso é que mancha o homem." (Mc 7,1-15)
Os "santos" e "perfeitos" dos fariseus sempre encheram o saco de Jesus com suas mentiras e falsidade, bons atos em público, etc. Encheram o saco porque Jesus sabia que a atitude deles era vazia, desprovida de um sentido real e um propósito com Deus, e na maior parte das vezes faziam coisas para chamar atenção a si mesmos, considerando-se grandes cumpridores da lei, mas que na verdade ajustavam a palavra de Deus de uma forma que lhes fosse agradável, mesmo sendo os grandes conhecedores da Palavra. Além de não viver, impunham fardos pesados e exigiam que o povo carregasse a todo custo.
Quando se reuniram diante de Jesus não tinham o propósito de ouvir o que Ele dizia, mas ficavam prestando atenção a algum erro que Ele ou algum dos seus seguidores cometessem. Então teriam pretexto para acusá-Lo. 
NESTE MOMENTO JESUS EXPRESSOU DE FORMA RADICAL AQUILO QUE DEUS PENSA QUANDO ESTAMOS APEGADOS A QUALQUER COISA QUE SEJA. Jesus é tão radical que parece que Ele está nervoso, bravejando, gritando e apontando o dedo na cara dos fariseus, mas é única linguagem que Jesus poderia usar para que eles entendessem, porque tinham um coração de pedra, insensíveis aos outros, arrogantes, soberbos, altivos; da mesma forma que Jesus sabe a linguagem que precisamos ouvir para entender aquilo que Ele quer de nós.
É exatamente por causa da dureza de coração desses homens que Jesus eleva a tonalidade de sua fala e brada com sua voz suave e cheia de autoridade para que os fariseus e nós entendêssemos a necessidade de estar desapegado das coisas, que não quer dizer apenas coisas exteriores, mas o mau uso das mesmas, o apego a tudo e a todos, ou a própria vida. É como se Ele gritasse um alerta para nós: "DESAPEGUEM-SE DAS COISAS E SERÃO FELIZES...

Em uma outra passagem do Evangelho um rapaz chega a Jesus e pergunta (traduzido com palavras atualizadas para o nosso tempo): "Meste, o que devo fazer para ser feliz?" E Jesus responde: "Cumpra os mandamentos." Ele diz: "Já cumpro todos, desde a minha juventude." Com a palavra da Bíblia: "Jesus fixou nele o olhar, amou-o e disse-lhe: Uma só coisa te falta; vai vende tudo o que tens e dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me." (Mc 10,21)
Ao final da conversa com Jesus o jovem ficou decepcionado e voltou para casa muito triste, pois tinha MUITOS BENS. Esta é a história de cada um de nós, filhos de Deus! Quem quer ser feliz?! Talvez todos nós podemos responder que queremos. Agora se acrescentarmos um detalhe nessa pergunta, pode ser que muitos prefiram viver na tristeza mesmo: O que sou capaz de fazer para ser feliz? Reflita no seu coração.
Ahhh que dificuldade nós temos para nos desapegar das coisas. Fácil é apegar-se, é verdade! Mas como é difícil desfazer-se de muito ou pouca coisa. Nós precisamos fazer isso, mas apenas se quisermos aprender com esses dois exemplos da Palavra de Deus citados acima. Não é questão de quantidade, não é questão de qualidade, não é questão de ser melhor ou pior, não é questão de saber ou não, é questão de liberdade. ESSA É A GRANDE VERDADE: QUEM É LIVRE É DESAPEGADO; QUEM AINDA É PRESO ESTÁ APEGADO A ALGO!
Acima temos a imagem de uma mulher com as mãos na cabeça. No contexto da nossa postagem de hoje, pode significar duas coisas: ela está desesperada por causa das coisas ou está desesperada porque não consegue ser feliz. Mas veja que engraçado: é como se uma suposição já desse a resposta a outra. Ao invés de ficar desesperada por causa das coisas e pelas coisas, se desapegue disso, entregue nas mãos de Deus, sempre fazendo a sua parte e serás feliz. Parece uma receita fácil e simples, mas na prática é muito difícil.
Estamos acostumados a ter coisas. A sociedade cria necessidades para nós a cada dia. Uma palavra que ajuda a definir muito bem o avanço e novas tecnologias que surgem é a tal da comodidade. São formas de viver que facilitam o dia-a-dia, nos dão menos trabalho, são fáceis de manusear, etc. Vejamos exemplos bem curtos dessas necessidades.
As mulheres tem que ter mais roupas (e cada vez mais curtas), mais maquiagens, mais perfumes, mais sapatos, sempre andar na moda. O homem precisa ter suas roupas rasgadas, ter seu estilo, ter um carro esportivo  (que toca um som mais alto do que ele mesmo é capaz de ouvir), ter isso, aquilo, etc. As pessoas precisam ter muitas coisas: cds, dvds, revistas, celulares, computadores, rádios, aparelhos eletrônicos de todos os tipos (pequenos, finos, de toque na tela), tvs (pequenas ou gigantescas, tubo, plasma, lcd, agora led). E como não cabe tudo isso apenas em uma casa pequena, precisa ter casas cada vez maiores para comportar todas essas invenções, quartos com geladeira e tudo o mais que se tem direito. Precisa de salas gigantescas com sofás enormes, afinal lazer é uma coisa que não se discute.
Indicamos a você assistir o vídeo de uma pregação feita em 2002 pelo nosso querido e saudoso Padre Léo, que nos ajudará a entender um pouco melhor isso que estamos falando: http://www.youtube.com/watch?v=2FzxCIt13dY
Deixemo-nos catequizar por esse maravilhoso ensinamento: a felicidade não está nos bens materiais! Muito bem, mas não queremos parar apenas nos bens materiais. Vejamos o que mais a sociedade está nos ensinando e educando.
Hoje é natural uma criança desobedecer os pais e gritar, respondendo aos mais velhos, fazendo aquilo que melhor lhe agradar. E uma coisa importante: não pode-se bater em crianças, caso contrário ela mesma pode denunciar os pais que lhe deram um tapinha. Hoje pais e mães são controlados por filhos rebeldes! A lei do homem diz que pai e mãe não pode dar um tapinha no filho, mesmo que seja para educá-lo e ensinar-lhe as coisas. A palavra de Deus nos diz:
"Não poupes ao menino a correção: se tu o castigares com a vara, ele não morrerá; castigando-o com a vara, salvarás sua vida da morada dos mortos." (Pr 23,13-14)
Não é diferente do costume que um pai de família tem de beber uma cervejinha ou fumar um cigarrinho, ou qualquer outra "coisinha". A sociedade diminui os nomes das grandes desgraças que estão por aí para não nos assustar, e ainda nos atrair. Nas festas, nas baladas, nos casamentos, nos aniversários, nas comemorações diversas: o álcool se faz necessário, quase como uma lei, para que as pessoas relaxem ou aproveitem um momento. No entanto, a palavra de Deus nos fala:
"Zombeteiro é o vinho e amotinadora a cerveja: quem quer que se apegue a isto não será sábio." (Pr 20,1)
Uma coisa que tornou-se comum também é o tal sexo antes do casamento (fornicação), a masturbação, o adultério, o louvor das imagens sexuais, o sucesso do exibicionismo barato, o vulgarismo, a pornografia. Ou seja, a bestificação dos órgãos genitais e a destruição da beleza da sexualidade humana em um objeto de mero prazer humano momentâneo. A sociedade hoje prega o sexo livre, entre pessoas até do mesmo sexo, etc. (em outras postagem aprofundaremos esse tema da sexualidade). Enquanto isso a lei imutável de Deus continua a nos afirmar com todas as letras:
"Quem comete adultério carece de senso, é por sua própria culpa que um homem assim procede." (Pr 6,32)
Amado e amada de Deus, até agora citamos muitos exemplos para nos convencer a respeito dos apegos da sociedade. Mas qual o sentido de tudo isso? Qual o sentido dessas invenções, dessas coisas, desse padrão de comportamento e tudo o mais? O verdadeiro sentido é o aprisionamento!
Uma pessoa que vive com as coisas que o mundo lhe oferece, atrás das novidades e apegada aquilo que sempre chama atenção e atrai para o vício, não é livre. Prova disso é que a própria pessoa vive de momentos! Sua alegria e sua felicidade depende do momento que ela está bem, está com dinheiro para poder gastar, tem muitos bens materiais, está na frente da sua tevê, com seus móveis de luxo, cheia de coisas, com festas e "bebemorações" para participar, com gente para transar e aliviar as tensões da semana, com tudo por fora; mas não tem tempo. Essas pessoas buscam tanto a alegria por fora (ou tentam preencher o arrombo de carência que está em seus corações) que não olham para dentro de si, como são vazias e estão presas as coisas. NADA DISSO PREENCHE!
Vejamos um alerta da palavra de Deus que está no livro do profeta Ezequiel:
"Quanto àqueles que têm o coração apegado aos ídolos e às suas práticas abomináveis, farei pesar sobre suas cabeças o peso de seu proceder - oráculo do Senhor Javé." (Ez 11,21)
Entendeu o que acabou de ler? Deus não castiga; mas a própria pessoa se castiga, o que cai sobre ela é fruto do seu proceder. Para tudo nessa vida há um preço; e o preço que tantas pessoas estão pagando para acompanhar as tendências desse mundo dominado pelo príncipe das trevas (cf. 1Jo 5,19) é a prisão. Estão vivendo uma vida presa: presos as coisas, presos as pessoas, presos as comodidades, presos a moda, presos a impureza, presos a tantas coisas vazias, presos a uma infinidade de tranqueiras. Muitos até enxergam que o que estão fazendo não presta: mas pelo fato de estarem presos, não conseguem deixar de fazer.
Nesse momento entendemos a relação entre desapego e liberdade: só é livre quem está desapegado, pois quem está apegado, a qualquer coisa que seja é preso. Do que precisamos nos desapegar então queridos e queridas? Das coisas materiais (dos bens e da segurança que eles nos propõem, pois nossa segurança deve estar no nome do Senhor), dos apegos da nossa carne (nossas más tendências, nossos vícios, nossos pecados), dos apegos a lei e costumes dos homens em oposição a lei do Senhor, das falsas idéias de Deus, da ideia de que nossa felicidade está fora de nós (ou que algo fora de nós vai preencher nosso coração), da mentalidade impiedosa do mundo moderno, da forma de agir anti-cristã que estamos percebendo ao nosso redor, dos apegos e dependência de remédios, jogos, etc.
Não queremos nos deter naquilo que é prejudicial e nos malefícios dos apegos e das prisões, mas queremos que você tenha consciência daquilo que muitas vezes nos prende, nos impede de avançar na graça de Deus, nos impede de ter uma comunhão verdadeira com Cristo, nos impede de receber os dons e os frutos do Espírito Santo em nossa vida espiritual, nos afasta da santidade, nos afasta do banquete do Céu na Terra, nos afasta da potência e da força salvadora de Cristo que jorra de sua palavra. Por que? Porque não temos tempo para Deus, não temos tempo para mergulhar na graça de Deus; todos os dias já temos compromisso, em todos os horários. E no horário que poucos separam para Deus da sua semana, ficam pensando no que vão fazer depois, ou seja, vivem uma espiritualidade adaptada em gostos e tradições humanas. É NECESSÁRIO ROMPER COM TODO APEGO!
A palavra de Deus nos garante liberdade, libertação, força de Deus para nos ajudar. Assim como no tempo de Samuel, quando este profetizou:
"E Samuel falou a todo o povo de Israel, dizendo: Se voltardes de todo o vosso coração para o Senhor, tirando do meio de vós os deuses estranhos e as Astarot, se vos apegardes de todo o vosso coração ao Senhor e só a Ele servirdes, então Ele vos livrará das mãos dos filisteus." (1Sam 7,3)
Asterot são demônios, divindades cultuadas pelos pagãos; e os filisteus são um povo que mantinha cativo o povo de Deus. Quem são as "astarot" da sua vida hoje? Quem são os filisteus que estão te prendendo e oprimindo? O Senhor quer te libertar de todo mal, de toda maldição e praga de prisão em sua vida. Nós que conhecemos a Jesus não podemos ser presos a nada. Temos que aprender a partilhar, a dividir tudo, como os apóstolos dividiam: tendo tudo em comum (significa que não eram apegados a nada) [cf. At 2,42-47]
Deus é sempre fiel naquilo que Ele fala e promete! Ele não está prometendo, através de seu profeta Samuel, fazer uma troca equivalente; que nos desapeguemos dos ídolos do pecado, dos deuses estranhos dos vícios e nos apeguemos ao Senhor para ser libertos. Ele não nos quer presos, porque as coisas de Deus não aprisionam, mas trazem liberdade, dão o gosto da liberdade a nossa alma. Quem está no mundo olha para nós e diz que estamos presos, bitolados, alienados, se estamos nessa direção com o Senhor, amando-O, adorando-O de todo o coração, vivendo com Ele, mas temos consciência de quem realmente está preso e temos respostas a dar a esses que na verdade "têm inveja" da nossa liberdade, mas não querem pagar o preço para serem livres, desapegando-se das coisas.
No salmo, Deus usa de Davi para expressar o que Ele mesmo sente:
"Que minha língua se me apegue ao paladar, se Eu não me lembrar de ti, se não puser Jerusalém acima de todas as minhas alegrias." (Sl 136,6)
Jerusalém é a cidade do Senhor. Tanto que no livro do apocalipse, temos o relato de que moraremos na nova Jerusalém. Mas é uma prefiguração de cada um de nós. Podemos trocar nesse salmo, onde está a palavra Jerusalém e colocar nosso nome. Leia de novo agora este trecho do salmo. Aquilo que o Senhor está prometendo para nós, Ele cumprirá por Ele mesmo, a sua fidelidade, a sua misericórdia, a sua bondade, a sua santidade, o seu sangue nos garantem a certeza da sua palavra.
Para que nos libertemos de todo coração dos vícios, dos apegos materiais, humanos e vazios do pecado, apeguemo-nos ao bem, ao amor, a caridade, a alegria, a pureza, a bondade de coração, a graça de Deus, a sua palavra, a sua presença santa, ao seu amor que é derramado sobre nós diariamente e renova com a face da Terra, todo o nosso ser, a vida de oração, ao amor pelos irmãos, ao serviço ao Reino de Deus, ao despojamento, a exemplo de Cristo, aprendendo com São Paulo essa regra de ouro:
"Que vossa caridade não seja fingida. Aborrecei o mal, apegai-vos solidamente ao bem." (Rm 12,9)
"Comportai-vos como homens livres, e não à maneira dos que tomam a liberdade como véu para encobrir a malícia, mas vivendo como servos de Deus." (1Pd 2,16)

Finalizando: quer uma atitude concreta para alcançar os objetivos dessa postagem? Comporte-se como homem livre! Seja servo do Senhor! Eleve sua oração comigo: "Senhor Jesus querido e amado de minha alma, quero ser livre. Quero me desapegar de tudo o que tenho: dos meus bens, das minhas posses, do meu dinheiro, do meu trabalho, dos meus pensamentos impuros, da minha maldade, do meu desejo de vingança, do mau que há em mim. Quero ser livre do apego as pessoas, do apego a moda, dos gostos indecorosos que expõe meu corpo que é templo do teu Espírito. Quero a tua liberdade. Não quero mais a liberdade fingida do mundo: tudo parece muito bonito, muito bom, mas no final das contas, só me prende cada vez mais. Confesso que fui enganado Senhor. Eu não queria ficar preso no vício do sexo, no vício das drogas, do cigarro, das bebidas, da infidelidade no meu matrimônio/namoro, da pornografia e da violência. Mas eu tomo essa consciência hoje Senhor. Cobre e reveste-me com o poder do teu Espírito Santo. Sozinho eu não consigo mais viver. Eu não quero mais ser preso; eu não quero mais ser viciado; eu não quero mais ser apegado a nada e a ninguém. Eu preciso da tua ação poderosa em minha vida Senhor. Derrama sobre mim a força santificadora e libertadora do teu amor para que eu seja liberto Jesus. Eu quero e peço neste momento, envolve-me por completo, livrando-me de todo mal, de todo pecado, de toda consequência das minhas escolhas. Agradeço ao Senhor por me tocar com tamanho e tremendo carinho. Obrigado por tuas mãos em meu coração Jesus. Obrigado por me tomar inteiramente com tua força. Obrigado por me dar teu amor, por curar minhas feridas, por curar minhas carências, por santificar meu espírito. Obrigado por me dar a graça de enxergar isso, e te louvo porque o teu Espírito vai  me conduzir e me fortalecer a cada passo dessa minha caminhada. Glórias e louvores ao teu nome Senhor. Amém."

Que Deus nos abençoe nos fortaleça para viver esse desapego pleno e essa liberdade total.

O impacto de pentecostes

"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. Achavam-se então em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações que há debaixo do céu. Ouvindo aquele ruído, reuniu-se muita gente e maravilhava-se de que cada um os ouvia falar na sua própria língua. Profundamente impressionados, manifestavam a sua admiração: Não são, porventura, galileus todos estes que falam? Como então todos nós os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna? Partos, medos, elamitas; os que habitam a Macedônia, a Judéia, a Capadócia, o Ponto, a Ásia, a Frígia, a Panfília, o Egito e as províncias da Líbia próximas a Cirene; peregrinos romanos, judeus ou prosélitos, cretenses e árabes; ouvimo-los publicar em nossas línguas as maravilhas de Deus! Estavam, pois, todos atônitos e, sem saber o que pensar, perguntavam uns aos outros: Que significam estas coisas? Outros, porém, escarnecendo, diziam: Estão todos embriagados de vinho doce. Pedro então, pondo-se de pé em companhia dos Onze, com voz forte lhes disse: Homens da Judéia e vós todos que habitais em Jerusalém: seja-vos isto conhecido e prestai atenção às minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, visto não ser ainda a hora terceira do dia [ou seja, 9:00 da manhã]. Mas cumpre-se o que foi dito pelo profeta Joel: Acontecerá nos últimos dias - é Deus quem fala -, que derramarei do meu Espírito sobre todo ser vivo: profetizarão os vossos filhos e as vossas filhas. Os vossos jovens terão visões, e os vossos anciãos sonharão. Sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei naqueles dias do meu Espírito e profetizarão. Farei aparecer prodígios em cima, no céu, e milagres embaixo, na terra: sangue fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor. E então todo o que invocar o nome do Senhor será salvo (Jl 3,1-5)." (At 2,1,21)
Que coisa linda! Aos queridos e queridas de Deus, nesta quinta-feira lhe damos nossos cumprimentos do coração do nosso amado Jesus! Que Deus abençoe a sua vida em nome de Jesus Cristo! Que você comece a ser tocado nesse momento pelo poder, pela força, pela presença e pela pessoa do Espírito Santo de Deus! Que o fogo do amor de Deus que transformou a história do povo de Deus, que realizou um processo de conversão real e forte na vida dos primeiros apóstolos e pessoas que estavam presentes naquela sala, há uns 2000 anos atrás, na cidade de Jerusalém, na festa de Pentecostes, seja derramado sobre a tua vida, e santificando o seu coração te dê nesse dia uma experiência forte e impactante em teu viver. Receba, desde já, um fogo do céu para queimar todo o seu corpo, sua alma, seu espírito, incendiar esse lugar em que você está lendo essa postagem e tudo o que está ao seu redor. Amém!
Começamos no fogo, e queremos continuar com esse fogo aceso, para que derreta todo o pecado do nosso coração e nos ajude a permanecer firmes e decididos nessa direção rumo ao céu. Irmãos e irmãs em Cristo Jesus, leitores desse blog, visitantes regulares e pessoal que entra aqui por acaso, o Espírito Santo de Deus está se manifestando neste momento!
Ele nos envolve com uma certeza inabalável de fé e abre nosso entendimento para a verdade de Deus! Precisamos conhecer ao Senhor, precisamos nos lançar no amor de Deus neste momento, precisamos receber a luz que nos faz enxergar com os olhos de Jesus, precisamos de uma experiência com o amor de Deus, antes que seja tarde demais. Precisamos do impacto de pentecostes nas nossas vidas agora!
E queremos levantar algumas dúvidas e esclarece-las para que aprofundemos nossos conhecimentos, experimentando esse tema na prática: O que significa pentecostes? Quem estava nesse acontecimento? Qual a grande revelação que traz para nós hoje?
Deixamos claro em outra postagem sobre o Espírito Santo, que Ele é uma pessoa: a terceira pessoa da Santíssima Trindade. Ele é Deus, junto ao Pai e Jesus, no mistério da Santíssima Trindade. Às vezes precisamos sempre lembrar e afirmar com todas as letras isso, mesmo que seja simples, pois algumas pessoas ainda estão como os discípulos que Paulo encontrou em Éfeso que tinham recebido o batismo de João, mas ainda não haviam recebido o batismo em nome do Senhor, por isso nem sequer conheciam o Espírito Santo.
"Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as províncias superiores e chegou a Éfeso, onde achou alguns discípulos e indagou deles: Recebestes o Espírito Santo, quando abraçastes a fé? Responderam-lhe: Não, nem sequer ouvimos dizer que há um Espírito Santo! Então em que batismo fostes batizados?, perguntou Paulo. Disseram: No batismo de João. Paulo então replicou: João só dava um batismo de penitência, dizendo ao povo que cresse naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Ouvindo isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus. E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e falavam em línguas estranhas e profetizavam." (At 19,1-6)
Mas o triste é que muitas pessoas, mesmo tendo recebido o batismo em nome do Senhor, ou em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf. Mt 28,19) ainda desconhecem o Espírito Santo. Parece que o batismo de hoje assemelha-se ao de João Batista, sendo ainda um batismo de conversão. Mas naquela época eles apontavam para Jesus e João pedia para os seus discípulos seguirem Jesus; e nem sabiam quem Ele era direito. Hoje as pessoas são catequizadas, formadas a respeito da pessoa de Jesus, muitos tem uma experiência com Ele antes do batismo, mas após algum tempo esquecem dessa experiência e vivem longe do Senhor. Aí entra a importância do Espírito Santo...
O Espírito Santo é o aquele que nos fala diretamente, na liberdade do Senhor. Onde Ele está presente, há liberdade, há vida nova, há restauração, há um poder tremendo de Deus, curando, libertando, perdoando, amando, fortalecendo, revigorando, dando vida, dando a conhecer a vontade do Senhor, há uma transformação constante, uma alegria que transborda na alma, que resplandece no rosto.
"Ora, o Senhor é Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade. Mas todos nós temos o rosto descoberto, refletimos como num espelho a glória do Senhor e nos vemos transformados nesta mesma imagem, sempre mais resplandecentes, pela ação do Espírito do Senhor." (2Cor 3,17-18)
Ele nos recorda as coisas importantes a respeito dos ensinamentos do Senhor, a respeito da Palavra de Deus, a respeito do que precisamos fazer para ter uma comunhão mais plena com o Senhor. Ele é nosso advogado, defensor contra as mentiras do demônio, contra as farsas e coisas que faz tentando imitar aquilo que o Senhor faz.
"Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviara em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo o que vos tenho dito." (Jo 14,26)
É exatamente isto que aconteceu na festa de Pentecostes, em que algumas pessoas aguardavam a realização de uma promessa. Vejamos mais a fundo quem estava lá, qual promessa estavam aguardando e o que aconteceu na Igreja a partir daí.
Para tudo o que Deus faz, existe uma preparação antes. Deus nos dá o exemplo para ser seguido até mesmo nessa questão. O dia de pentecostes estava guardado no coração de Deus para uma profunda transformação na humanidade. Mas foi preciso uma preparação. E esta transformação se deu através da vida de São João Batista. Temos o relato do que esse homem seria no Evangelho de Lucas, quando seu pai Zacarias estava exercendo sua função de sacerdote no templo e um anjo lhe apareceu e disse:
"Não temas Zacarias, porque foi ouvida a tua oração: Isabel, tua mulher, dar-te-á um filho, e chamá-lo-ás João. Ele será para ti motivo de gozo e alegria, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque será grande diante do Senhor e não beberá vinho nem cerveja, e desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo; ele converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus, e irá adiante de Deus com o espírito e poder de Elias para reconduzir os corações dos pais aos filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, para preparar ao Senhor um povo bem disposto." (Lc 1,13-17)
Este João, preparador da vinda de Cristo, preparador do batismo e do derramamento do Espírito Santo -
"Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim, é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo." (Mt 3,11) - foi usado de forma estrondosa. Ele trovejou contra o Rei, que cometia adultério, pregava em meio aos poderosos, tinha uma vida de constante e árduo jejum, alimentando-se apenas de gafanhoto e mel silvestre, não se embriagou com cerveja nem vinho, mas foi cheio do Espírito Santo desde o seu nascimento (momento em que a Virgem Maria foi visitar Santa Isabel, e esta ficou cheia do Espírito Santo, e a criança estremeceu em seu ventre [cf. Lc 1,41]).
Pela dedicação de João e sua entrega radical a vontade do Senhor, Jesus veio, realizou sua obra na face da Terra, morreu na cruz, ressuscitou, abriu o céu e ascendeu ao Céu. O Senhor subiu a vista de todos. São Lucas nos conta os fatos a partir daí:
"Desde o princípio até o dia em que, depois de ter dado pelo Espírito Santo suas instruções aos apóstolos que escolhera, foi arrebatado (ao céu). E a eles se manifestou vivo depois de sua Paixão, com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas do Reino de Deus. E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem o cumprimento da promessa de seu Pai, que ouvistes, disse ele, da minha boca; porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui há poucos dias. Assim reunidos, eles o interrogavam: Senhor, é porventura agora que ides instaurar o reino de Israel? Respondeu-lhes ele: Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder, mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo." (At 1,2-8)
Glórias a Deus! Que passagem bíblica maravilhosa! Jesus subiu ao céu a vista de todos e disse que logo seriam batizados no Espírito Santo. Amados e amadas, Jesus cumpriu sua missão. E voltou ao Pai do Céu, de onde veio. Chegando lá, é como se Jesus dissesse ao Pai: "Pronto Pai, cumpri minha missão como o Senhor me pediu. Agora é a vez do Espírito Santo ir realizar a sua obra. E que dia seria melhor do que a festa de pentecostes!?" QUE OBRA ESPETACULAR O ESPÍRITO SANTO REALIZOU!
Primeiramente vamos a explicação de Pentecostes. Essa palavra "pentecostes" vem do grego e traduz-se por quinquagésimo, ou seja, 50°. No antigo testamento cinquenta dias após a páscoa dos judeus (isto é, a festa celebrada desde a libertação do povo de Israel da Terra do Egito, conduzida por Moisés, em agradecimento a Deus) havia a chamada festa das colheitas ou festa dos tabernáculos, em que eram apresentadas as primícias das colheitas ao Senhor. Essa festa também era chamada de festa das sete semanas ou pentecostes. Vamos tentar dar uma explicação ao sentido dos cinquenta dias.
O número da perfeição da Bíblia é o 7. Porque? Porque significa as três pessoas da Santíssima Trindade, agindo nos quatro elementos constitutivos da Terra: fogo, ar, água e terra. E o que pode ser mais perfeito que 7? O número elevado a própria potência ou 7 x 7. Chegamos então ao número 49. Para arredondar temos o 50, que é a perfeição em cima da perfeição. A plenitude do Senhor, agindo em toda a Terra. É a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nos quatro cantos da Terra. Ou seja, Pentecostes então, é um jubileu de graça do Senhor, a plenitude da sua ação entre nós.
A festa de pentecostes era a conclusão do belíssimo período da páscoa, em que eram consumidos apenas pães sem fermento, ou pães ázimos. No novo testamento, com a face de Cristo, e no novo Pentecostes inaugurado, o Espírito Santo também mostra a face, e temos conhecimento completo de toda a Santíssima Trindade. VEMOS NESSE NOVO PENTECOSTES A PLENITUDE DA GRAÇA CONCRETIZADA PELA MANIFESTAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO.
Então, no segundo andar, de onde antes tinha sido realizada a Última Ceia, é aguardado o cumprimento da promessa do Senhor Jesus. Quem estava nesta sala? Todos os discípulos de Jesus, inclusive as mulheres piedosas, Nossa Senhora, e os discípulos de Jesus, os 11, pois Judas Iscariotes havia se desintegrado do número dos 12.
Então começa a acontecer o cumprimento da promessa. Antigamente, o Espírito Santo somente repousava em sacerdotes, profetas e reis. Mas nesse evento, após os 50 dias da ressurreição de Jesus, abre-se um tempo para um novo derramamento do Espírito Santo. Este acontecimento está narrado no início desta postagem, que nos relata o momento em que o Espírito Santo se manifestou pela primeira vez.
Além de estarem reunidos cumprindo o que Jesus pediu, os discípulos estavam com medo dos judeus, pois acreditavam na ressurreição de Jesus, na sua ascensão ao céu. E tinham o risco de serem assassinados por causa disto. Acontece que o advogado se manifestou, e que manifestação...
O Espírito Santo encheu todos os que estavam naquela sala. Mais de 100 pessoas ficaram cheias do poder do Espírito Santo, pelas línguas de fogo que se repartiam entre eles, e falavam em línguas estranhas, conforme o mesmo Espírito lhes concedia. O Espírito Santo começou a derramar de forma tremenda os seus dons e levantou São Pedro com uma coragem que escandalizou o povo. Ele, sendo uma pessoa medrosa, insegura, inculta e ignorante, foi usada com grande poder e inteligência, e imediatamente começou a profetizar.
Com sua pregação mais de 3.000 homens se arrependeram, ficaram compungidas no íntimo de seus corações e foram batizadas para receber o Espírito Santo. O fogo queimou a todos! Não teve uma só pessoa que ficou sem sentir essa manifestação do amor e do poder de Deus.
Existe uma relação entre São João Batista e o acontecimento em pentecostes. Quando o anjo narrou para Zacarias a personalidade e caráter de seu filho, ele disse que ele não beberia cerveja nem vinho e seria cheio do Espírito Santo. E que engraçado, que quando o povo ao redor daquele sala, naquele lugar, ouviu os batizados no Espírito Santo, pensaram que eles estivessem embriagados. E por que isso? Porque o Espírito Santo é um Deus que se consome para nos incendiar com sua luz, com sua graça, com seu poder, com seu fogo. Essa é a forma como se manifestou o Espírito de Deus para queimar todo medo, toda insegurança, toda fraqueza humana. E da forma dele, que toca o humano. É o encontro e união do divino (Deus) no humano (homem).
HÁ UM VERDADEIRO IMPACTO sobre a face da Terra, pois daquela salinha de Jerusalém, o Espírito Santo se espalhou para o mundo inteiro e continua a ser derramado da mesma forma, como da primeira vez.  O que Jesus disse se cumpriu. Os discípulos foram testemunhas, desde este lugar até os confins da Terra, realmente. O pentecostes de hoje acontece da mesma forma. O que acontece de diferente é que não pedimos nem desejamos da forma como eles desejavam.
"Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que Lhe pedirem." (Lc 11,13)
Peçamos então irmãos e irmãs esse impacto do Espírito Santo em nossas vidas. Ouçamos essa canção para nos ajudar na nossa oração: http://www.youtube.com/watch?v=l3PGUeynrT0
Se lance, e peça até que não tenha mais palavras. Junto a esta canção, se derrame na presença de Deus e receba o impacto de um novo pentecostes em sua vida!
"E quem conhece vossas intenções, se vós não lhe dais a Sabedoria, e se do mais alto dos céus vós não lhe enviais vosso Espírito Santo?" (Sb 9,17)

Que nós tenhamos a coragem de experimentar verdadeiramente um impacto. Impacto não é uma coisa calma, tranquila, mas um choque, um baque, uma batida, uma coisa que faz abalar as estruturas, que sacode com todo o nosso ser, que mexe com nossa alma, que nos faz ficar sedentos da presença de Deus, com fome de falar de Jesus, com desejo de mergulhar no poder dessa unção que nos envolve: http://www.youtube.com/watch?v=kHSFJpepj4c&feature=related

Que Deus nos abençoe e nos confirme nesse impacto de pentecostes hoje!