quinta-feira

Aprendendo a conviver com o mal

Irmãos e irmãs queridos e amados de Deus, começamos nossa postagem nessa semana com ritmo acelerado, em virtude do atraso de semana passada. Trataremos hoje de um tema que pode nos ajudar profundamente, se entendermos, com a graça de Deus, que estamos rodeados do mal de todos os lados. E como se não bastasse isso, iremos trazer a tona, a realidade que queremos explorar nessa postagem: o mal que está dentro de nós. Mas não há o que temer, a palavra de Deus nos dá garantias absolutas, se estivermos do lado de Deus:
"Tudo posso naquele que me fortalece." (Fl 4,13)
"Que diremos depois disso? Se Deus é por nós, quem será contra nós?" (Rm 8,31)
E como não dizer dos vários e vários salmos que nos remetem a força da graça e da proteção do Senhor, como por exemplo:
"Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo, que moras à sombra do Onipotente, dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela, meu Deus, em que eu confio." (Sl 90,1-2) 
Maravilhosamente então, já vamos a passagem bíblica central dessa postagem:
"Não faço o bem que quereria, mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro, pois, em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus, no íntimo do meu ser. Sinto, porém, nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte?... Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, pois, de um lado, pelo meu espírito, sou submisso à lei de Deus; de outro lado, por minha carne, sou escravo da lei do pecado." (Rm 7,19-26)
Já comentamos sobre essa passagem em outra postagem (pecado), mas vamos nos focar nesse maravilhoso ensinamento de São Paulo para que aprendamos a crescer.
Imagina a que ponto Paulo de Tarso deve ter chegado para que ele escrevesse isso aos Romanos. Uma carta escrita desta forma nos faz imaginar a que nível espiritual ele deve ter alcançado, movido pelo Espírito Santo de Deus, amando plenamente a Cristo Jesus, servindo ao Pai. Alguns pontos são essenciais para que percebamos quanta profundidade existe nesse pequeno trecho da carta de Paulo aos Romanos.
Primeiramente destacamos a humildade de Paulo para reconhecer publicamente sua miséria, dizendo que FAZ o mal que não quer. Num mundo que vive de aparências e precisa se alimentar com coisas vazias, onde a superficialidade impera, é TOTALMENTE INFANTIL ESSA ATITUDE. Ahhhhh, aí precisamos ter uma direção e receber uma sacudida do profeta Isaías, para que entendamos os tempos em que estamos vivendo:
"Ai daqueles que ao mal chamam bem, e ao bem, mal, que mudam as trevas em luz e a luz em trevas, que tornam doce o que é amargo, e amargo o que é doce!" (Is 5,20)
A atitude desse mundo "Aeon" (como vimos na postagem sobre o mundo), controlada pelos grandes do mundo, servos do príncipe das trevas (o demônio), revela a inversão de valores em que estamos postos hoje em dia, muito mais do que na época em que Isaías foi inspirado pelo Senhor para profetizar. A sociedade nos ensina errado e diariamente engana milhões de pessoas, com mentiras que são ditas como se fossem a mais pura verdade; e as verdades são tratadas como se fossem um absurdo de mentira, principalmente as verdades bíblicas, onde distorcem a necessidade de Deus que o homem tem dentro de si, buscando satisfazer sua alma e seus anseios mais elevados com as coisas de baixo, da terra, do inferno. NÃO PODEMOS SER ENGANADOS COMO TANTOS SÃO!
As verdades de Deus são eternas: Deus é imutável, é eterno, é perfeito, é santo, sabe de todas as coisas, ama a todas as pessoas, mora no céu e nos aguarda para viver a eternidade com Ele, não condena as pessoas ao inferno, mas respeita aqueles que querem ir para lá, por causa de sua coerência divina, em que nos concede a liberdade e o livre-arbítrio, mas mesmo assim quer que todos se salvem:
"Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade." (1Tm 2,3-4)
E a morte de qualquer pessoa que seja, por melhor ou pior que seja, não Lhe é prazerosa; e Ele nos repreende porque sabe o que é melhor para nós, quer que sejamos salvos e livres de tudo o que nos prende. Ou seja, Ele repreende porque ama e quer que sejamos felizes:
"Não sinto prazer com a morte de quem quer que seja - oráculo do Senhor Javé! Convertei-vos, e vivereis!" (Ez 18,32)
Um Deus que quer nos dar vida, vida em abundância, felicidade, amor, verdade, carinho, mas também educação para que não permaneçamos como crianças, dando-nos orientações e alertas, para que cresçamos e abramos nossos olhos a realidade. Não podemos ser bitolados ou alienados! OS DONOS DA SOCIEDADE, AO CONTRÁRIO, QUER QUE SEJAMOS SEMPRE CRIANÇAS INFANTIS QUE NÃO ENTENDEM O QUE ESTÁ ACONTECENDO AO SEU REDOR, PORQUE ESTÃO OCUPADAS COM "MUITAS COISAS".
"Os homens maus não compreendem o que é justo; os que buscam o Senhor tudo entendem." (Pr 28,5)
Criam milhões e milhares de coisas para preencher o nosso tempo, para acabar com o diálogo, para transformar as pessoas em robôs, para transformar os homens em máquinas de produzir dinheiro e mais dinheiro para comprar as coisas que estão cada vez mais rápidas, e tecnologia e avanços, para que as famílias sejam destruídas, atacando sua estrutura, invertendo a necessidade bíblica que vem da boca de Deus (cf. Gn 2,24), para criar novas famílias de acordo com suas paixões desordenadas, contra a natureza, que é fruto da grande desgraça de trocar a verdade de Deus pela mentira criada pelo homem:
"Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém! Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem." (Rm 1,25-32)

Que homem tremendo é São Paulo, que tem a coragem de iniciar sua carta aos Romanos, capital do sexo e de orgias, em sua época, apontando o dedo diretamente aos erros que estavam sendo praticados, e o motivo de estar aumentando o número de depravações: O AFASTAMENTO DE DEUS E A LIVRE ESCOLHA DE NÃO OUVIR SUA VOZ.
E uma coisa muito importante, ele aponta os erros, inspirado por Deus, não pessoas. Mas se fosse preciso, ele falaria com toda intrepidez para cada pessoa, particularmente. Esse é um sinal de carinho de Deus, mesmo em meio a uma multidão ou no meio de um povo imenso, Ele enxerga cada pessoa; diferente da sociedade que se contenta com massas e números gigantescos de pessoas, não lhe importando o que cada pessoa é.
Com São Paulo hoje queremos ser profetas de Deus, apontando o dedo na cara da Rede Globo que está apresentando o programa "Na moral" debatendo o tema do casamento entre homossexuais e constituição de novos tipos de famílias, e porquê não dizer defendendo a destruição das famílias. A favor da família e da verdade, estamos do lado de Deus, e defendemos o que é santo e é graça de Deus: a dignidade do homem e da mulher.
"Então o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem. Eis agora aqui, disse o homem, osso de meus ossos e a carne de minha carne; ela se chamará mulher." (Gn 2,21-23)
O Senhor Deus criou-nos com suas próprias mãos; não somos evolução do macaco coisíssima nenhuma! Deus fez homem e mulher: Adão e Eva; nada de homem e homem ou mulher e mulher; não foi Adão e Ivo ou Adana e Eva. Imagina que grande desgosto Adão teria se ao invés de ter feito uma mulher, Deus tivesse feito outro homem e tivesse apresentado a Adão... Ele teria uma grande tristeza se visse que o toque final de Deus que completaria toda a criação e a sua vida fosse um outro homem. A mulher é uma beleza e um céu para um homem. O homem é uma beleza e um céu para uma mulher. Agrade ou não agrade, a voz de Deus é essa, e continuaremos anunciando essa verdade até os confins da Terra, pelo nome de Jesus Cristo de Nazaré!
Você é que escolhe qual voz quer ouvir; mas a verdade não deixa de ser verdade apenas porque não é anunciada na mídia. Podem inventar jeitos novos de apresentar a mentira, rebolar, dar voltas e voltas, falar com calma ou com gritaria, da forma que seja, mas não vai mudar. A MENTIRA SEMPRE SERÁ MENTIRA E A VERDADE SEMPRE SERÁ VERDADE. De acordo com a Bíblia podemos dar nomes.
"Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, A VERDADE e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14,6)
Sabemos que Jesus é Deus e também filhos de Deus. Portanto, a verdade é Deus e seu Filho é a verdade. Mas o que ou quem é a mentira? Quem vai responder sobre a mentira é sempre a verdade! Jesus responde aos fariseus daquela época e aos filhos dos fariseus de hoje, que continuam reproduzindo a mentira:
"Por que não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, PORQUE É MENTIROSO E PAI DA MENTIRA. Mas eu, porque vos digo a verdade, não me credes. Quem de vós me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que me não credes? Quem é de Deus ouve as palavras de Deus, e se vós não as ouvis é porque não sois de Deus." (Jo 8,43-47)

O demônio é a mentira, e sua filha é também chamada mentira. E com a ousadia desse trecho do Evangelho de São João, entendemos que aqueles que aceitam a mentira, que reproduzem, que aplaudem, que aplicam-na em sua vida, estão em comunhão com o demônio e distantes da presença e do amor do Deus todo-poderoso. É a vida que escolheram, consciente ou inconscientemente!
Mas se Deus é tão poderoso e nos ama, por que Ele não acaba com isso logo? Se Ele é bom e não tem maldade, porque Ele não liberta os seus filhos do mau? Ele permite o mau? Se Ele é a verdade, porque tantos vivem na mentira? Se Ele quer que sejamos felizes, por que tanta gente sofre no mundo?
Talvez você já tenha uma noção das repostas de hoje, baseado nessa introdução profética que iniciamos, mas vamos retomar nosso raciocínio inicial e ao longo dessa postagem, encontraremos as respostas.
Como refletíamos, o primeiro passo espetacular de São Paulo apresentado na carta aos Romanos, é reconhecer as próprias misérias publicamente, diferentemente de tantos que não reconhecem o que são, e por isso, tem necessidade de ficar apontando para os erros dos outros. O segundo passo que ele dá é essencial para entendermos essa postagem: "Se faço o que não quero, não sou eu, mas o pecado que em mim habita."
Paulo reconheceu que tentava fazer o bem, mas não conseguia porque era impelido a fazer o mal que não queria. E depois explica porque age assim: por causa do pecado que HABITA nele. Que coisa linda! Não o pecado, mas o reconhecimento do pecado. Paulo enxergava com os olhos de Deus a sua natureza: o pecado habita nele. Isso significa que ele é obrigado a conviver com uma natureza contrária e oposta a sua vontade. É EXATAMENTE ESSA A NOSSA REALIDADE: o pecado habita em nós. Temos como herança dos nossos primeiros pais, o maldito pecado, que é passado de geração em geração (em outras postagens aprofundaremos esse tema "Geração em geração").
Uma marca essencial das pessoas que são de Deus é a verdade. Moisés entregava abertamente, juntamente com Aarão, sacrifícios e ofertas diante de Deus pelos pecados do povo; Davi reconheceu o seu pecado diante de Deus, quando a mentira estragava sua vida de homem de Deus; Jó reconheceu sua miséria diante de Deus quando passava pelo crivo da provação, mesmo não tendo cometido crime ou erro; Paulo reconheceu o seu pecado e lutava contra ele; Mateus reconheceu o seu pecado e deu uma festa queimando e rompendo com todo aprisionamento do pecado ao dinheiro; Maria Madalena reconheceu o seu pecado, e derramou-o todo aos pés de Jesus. Aqueles que não são de Deus parecem perfeitos; não tem pecado ou escondem muito bem. Mas já sabemos a verdade e temos os pés no chão: a verdade aparece mais cedo ou mais tarde!
O que podemos fazer com o pecado que habita em nós? Ou escondemos e sofremos tentando sempre escondê-lo, ou entregamos para Deus! ENTREGAR NOSSO PECADO PARA DEUS? Exatamente! Caso escondamos os nosso pecados, vamos ter o acusador apresentando-os diante de Deus da mesma forma (como refletimos em outra postagem com a palavra de Apocalipse 12). Precisamos entregar todos os nossos pecados para Deus; falar a verdade com o Senhor, afinal de contas, Ele já sabe mesmo; apresentar o que somos por completo, passar e repassar nossa vida diante dEle, isso é a verdadeira oração.
Não podemos nos contentar com as orações milagrosas e instantâneas que estão nos apresentando hoje em dia, onde você pede uma coisa e o deus milagreiro atende na hora: estão nos acostumando às coisas fáceis. Essas coisas fáceis tem um braço dado com a mentira, ou seja, não vem de Deus coisa nenhuma. Deus não realiza milagre na vida de pessoas que não tem o coração curado, que são egoístas, que só pensam em si mesmas, que não querem saber dEle. As graças e bençãos de Deus são garantidas para seus amigos, que dependem dEle, que precisam verdadeiramente de sua ação de amor, que tem sede dEle, que querem a sua graça em tudo o que são, que fazem e que tem, que confiam na voz do Senhor, que aceitam sua verdade.
"Se obedeceres fielmente à voz do Senhor, teu Deus, praticando cuidadosamente todos os seus mandamentos que hoje te prescrevo, o Senhor, teu Deus, elevar-te-á acima de todas as nações da terra." (Dt 28,1)
Se entregarmos nossos pecados a Deus, Ele nos perdoará, apagará nossas faltas e nos dará a oportunidade de recomeçar. Isso não significa que vamos estar livres desse pecado, que NUNCA MAIS vamos ter a pressão desse pecado sobre a nossa vida, porque enquanto estivermos nessa carne, vivendo nessa terra, estaremos sujeitos a cair, independentemente da situação que tenhamos chegado:
"Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia." (1Cor 10,12)
De nada adianta lutar e lutar, entregar o pecado que nos atormenta para o Senhor, e com muito sacrifício e auxílio do Senhor, conseguir superar tal inclinação, e depois colocar-se a si mesmo em uma prova para ver se está firme com Deus e não cai mais em tentação. Enquanto estivermos vivendo nesta terra, nesse corpo que vivemos, o pecado habitará em nós. Nós temos que manter os olhos abertos, o coração unido ao Senhor para não ficar atolado no pecado, batalhar contra o espinho na nossa carne e NUNCA ACEITAR O PECADO!
Talvez você tenha começado a ler essa postagem pensando que nossa ideia é ensinar e incentivar a todos aprenderem conviver com o pecado. NADA DISSO! O pecado é uma transgressão, desobediência consciente dos mandamentos do Senhor, rompimento de comunhão com a graça de Deus, uma desgraça para nossa vida. Não podemos aceitá-lo de forma alguma; nunca, se é que queremos ser de Deus e permanecer com Ele.
No entanto, precisamos enxertar em nosso meio a verdade que pode nos libertar (cf. Jo 8,32) e nos faz entender melhor as coisas. Muitos tem o costume de iniciar a oração dessa forma: "Senhor, que meu pecado, nossos pecados não sejam barreira para a tua graça acontecer e ser derramada..." É meio inconsciente, sem pensar ou sem conhecimento que as pessoas oram dessa forma; pois se pensarmos um pouco, o pecado nunca é barreira para a graça de Deus, DESDE QUE ESTEJAM ENTREGUES AO SENHOR! Caso contrário, aquela palavra de Isaías 59,1 encaixa-se perfeitamente e podemos entender que a graça de Deus só não acontece se tiver pessoas que estão guardando o pecado. 
Mesmo sendo todo mal, o pecado só pode impedir a graça de Deus (como um guarda-chuva aberto em meio a uma tempestade) se estivermos guardando-o para nós, como um bem precioso. Começaremos a crescer quando entendermos que temos que "lutar sempre" contra o pecado, até a nossa morte, mesmo que formos superando alguns, sempre vão aparecer outros. Existem milhões de pecados, milhões de formas variadas de pecar, e não é o fechamento que vai nos fazer crescer, mas a consciência. ISTO É ESPLÊNDIDO: crescemos e damos passos na fé, quando sabemos que existem todos os pecados, sabendo da nossa possibilidade de cair e conhecendo a nossa fraqueza, nossas inclinações, desejos desordenados e natureza que nos atraí a ele, mas escolhemos não aderir ao mesmo.
Como nos narra o Salmo 138, o Senhor é onipresente, onisciente e onipotente, que significa que Ele está em todos os lugares, sabe de todas as coisas e pode tudo. Há alguma restrição? SIM! Deus não pode pecar, por exemplo. Ele pode tudo aquilo que é da natureza dEle! Ele faz tudo para nos conquistar a cada dia, cada vez de forma diferente, nos amando, nos exortando, nos aconselhando, nos advertindo, nos ajudando, nos dando forças, nos dando tudo o que precisamos e muito mais. Infelizmente estamos tantas vezes com nossos olhos fechados para a realidade por causa da mentira que nos envolve, que não enxergamos os rastros e provas de amor que Ele nos dá todos os dias. E por isso, vamos achando que Deus é incapaz, que Ele é incoerente, que Ele é mentiroso, etc.
Apenas acreditamos na bondade de Deus quando nossa vida e tudo ao nosso redor está bem e bom. Quando alguma coisa começa a sair conforme nosso planejado, jogamos a culpa ou o motivo da falha, da desgraça ou do erro em Deus. Acontece que Ele não erra; e mais uma vez, estamos enganados pelas mentiras modernas do demônio. Pedimos para Deus libertar as pessoas ao nosso redor e não vemos mudança...
As coisas de Deus levam tempo, da mesma forma que uma semente boa demora para germinar. Não estamos falando de pragas e ervas-daninhas que com pouquíssimo tempo nascem e crescem; estamos falando de coisas boas, frutos bons, graças de Deus. Já que o tempo de Deus, que é eterno, é diferente do nosso, que é passageiro, não importa o tempo que demorar, quando pedimos as coisas para Deus, Ele nos atende, independente do tempo que levar; desde que estejamos pedindo com fé, coisas boas e que nos acarretarão em vida. No entanto, o mal e a morte continuam a agir no mundo, não porque Deus quer ou permite, mas porque os filhos desobedientes, influenciados pelo anjo rebelde, praticam o mal e reproduzem sobre a face da Terra. Deus pode todas as coisas mas respeita seus filhos, por causa do livre-arbítrio, mais do que eles mesmos.
Por essa resposta acima já entendemos as demais que são semelhantes: a mentira está no mal que os filhos de Deus praticam, com o guarda-chuva da incredulidade e do pecado aberto, impedindo a ação da graça de Deus em suas vidas. Na terra, muitos lugares estão dessa forma, querendo impedir o alastramento do Reino de Deus. Por isso, ao invés de tantos viverem o céu na Terra, precipitando a glória de Deus, estão vivendo o inferno na Terra, que precipita a terrível desgraça do reinado do demônio (mesmo curto e delimitado pelo poder de Deus).
Podemos enxergar melhor essa questão do mal que nos cerca, com uma parábola.
"Jesus propôs-lhes outra parábola: O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam, veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e disseram-lhe: - Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o joio?Disse-lhes ele: - Foi um inimigo que fez isto! Replicaram-lhe: - Queres que vamos e o arranquemos? - Não, disse ele; arrancando o joio, arriscais a tirar também o trigo.Deixai-os crescer juntos até a colheita. No tempo da colheita, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro." (Mt 13,24-30)
Essa é a melhor explicação que podemos dar para o mal, a tristeza, a mentira, a desgraça, as pragas, a infelicidade que está no mundo: foi plantada pelo inimigo de Deus no mundo, junto com as coisas boas que Deus plantou. E o Senhor prefere aguardar o fim dos tempos para arrancar todo esse mal do mundo, onde aqueles que estiverem plantados e plantando no mal, serão queimados, junto com todo esse mal.
De uma forma ou de outra, até que Jesus volte, vai existir o mal no mundo, o pecado e tudo isso que conhecemos. Vamos crescendo, a partir das nossas experiências de Deus, cultivando a graça e a verdade do Senhor, com fidelidade e lutas, movidos pela certeza da fé e do amor.
Temos que ter consciência que o pecado habita em nós, isto é, no nosso corpo, nos nossos membros, como São Paulo vai identificar, dando o terceiro passo. Nosso corpo sempre será sujeito ao pecado, visto que quando morrermos, retornaremos ao pó, e ele só terá utilidade novamente, quando o Senhor nos ressuscitar para o julgamento final, onde iremos para o céu ou para o inferno. É aqui nesta terra que escolhemos e começamos a viver aquilo que viveremos durante toda a eternidade.
O último passo que São Paulo dá, fechando sua reflexão sobre esse mal, é o louvor. Graças sejam dadas a Deus, por Jesus Cristo, nosso Senhor. Para acompanharmos São Paulo, vamos praticar o louvor para exercitar essa graça e vivenciar os passos necessários para crescermos em sabedoria e graça.
Sugerimos que impulsionado por essa canção do Walmir Alencar, você se coloque na presença de Deus conosco: http://www.youtube.com/watch?v=LiYTjiwQqRs
"Pai de amor e de verdade, me coloco neste momento na sua santa presença para reconhecer as minhas faltas. Eu tenho sido muito sem-vergonha, tenho escondido o meu pecado, tenho vivido como se não tivesse pecados, tenho me considerado muito bom, mas a minha realidade é outra Senhor. Eu te peço perdão meu Pai. Eu pequei, eu peco e quero te entregar todos os meus pecados. Eu creio e confio na tua misericórdia. Lanço todas as minhas misérias no teu coração, oh Pai. Ajuda-me, liberta-me de todo mal, de todo pecado, de toda mentira, de toda desgraça que esteja na minha vida. Eu quero ser livre Senhor. Eu quero reconhecer meu pecado publicamente, se for preciso, como teu servo Paulo de Tarso fez. Dá-me essa coragem, dá-me essa garra e essa força. Eu preciso de Ti, pois sozinho eu não consigo. Liberta-me de todo mal Senhor. Eu não quero reproduzir o mal, não quero aplaudir o mal. Eu reconheço que o pecado habita em mim, que ele está ao meu redor e está dentro de mim. E eu te súplico em nome de Jesus: aceita o meu pecado neste momento. Cura-me e liberta-me de toda consequência da mentira em meu viver. Quero viver na verdade, na tua verdade. Eu te louvo Senhor por tudo o que já passei, pelas coisas que vivi, pelos momentos de tristeza, de infantilidade, em que acreditei e defendi a mentira como se fosse verdade. Quero louvar e agradecer a tua bondade que me sustentou e protegeu até hoje. Eu não mereço, mas o Senhor conservou a minha vida. Te dou graças por toda noite escura, toda tribulação e toda dificuldade, pois esses momentos hoje me ajudam a entender que o Senhor esteve e está comigo em todos os momentos. Muito obrigado Senhor pela graça de estar conTigo. Eu quero permanecer assim, até o meu último suspiro. Glórias a Ti Pai Santo, porque tu és maravilhoso, bendito, digno de toda honra e glória. Louvado seja o teu nome para sempre. Amém."
"Que o Senhor vos faça crescer e avantajar na caridade mútua e para com todos os homens, como é o nosso amor para convosco. Que Ele confirme os vossos corações, e os torne irrepreensíveis e santos na presença de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos!" (1Ts 3,12-13)

Encerramos com o coração em festa, movidos pela certeza de que confirmados com essa postagem, nosso coração é renovado, inflamado de amor e honrado pela graça do Pai, que nos dá a graça de progredir, crescer, dar passos mais uma vez...

Que Deus nos ajude a aprender a conviver com todo mal, para que permaneçamos em ritmo de crescimento contínuo e constante!

Amar é levar ao céu

Queridos e queridas de Deus mais uma semana em que continuamos vivos, permanecemos na graça de Deus, lutamos contra tudo o que quer nos afastar do Senhor e então, retomamos nossas forças para continuar lutando. A nossa luta não pode parar! Jó dizia com toda certeza em seu coração: 
"A vida do homem sobre a face da Terra é uma luta." (Jó 7,1)
E é claro que quando se fala de luta, existe sempre um lado que vence e outro lado que perde. Como está sua vida? Como estão suas lutas? (se é que você está lutando contra algo) Como está seu coração em meio a esse mundo que quer fazer com que você se sinta um derrotado? (da mesma forma como o dono desse mundo "aeon" é derrotado pelo sangue de Jesus Cristo).
O fato é que não podemos desistir nem parar de lutar por nada que acontece. Temos que ter consciência que é a mesma coisa que andar de bicicleta: se pararmos a gente cai. Mesmo que as coisas estejam difíceis, mesmo que tudo esteja de ponta-cabeça, mesmo que você não entenda o 'para quê' de estar passando por isso, mesmo que nada tenha sentido hoje... Deus tem coisas maravilhosas preparadas para você! Deus tem preparado os manjares e os banquetes eternos para que você se delicie, se quiser. Ou melhor, se continuar lutando.
Não podemos fixar nossos olhos apenas no mundo material ou no que podemos ver. As maravilhas do Senhor talvez estejam diante de nós, mas porque estamos fechados e só queremos enxergar o que está diante de nós, não percebemos as TREMENDAS GRAÇAS do Senhor que estão acontecendo a todo instante; os MILAGRES, as MANIFESTAÇÕES DE AMOR que esse Deus maravilhoso está nos dando. Talvez não entendamos, mas precisamos aceitar essa verdade, que São Paulo ensina:
"Se é só para essa vida que temos colocado a nossa esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de lástima." (1Cor 15,19)
As coisas lindas de Deus estão acontecendo neste exato momento na sua vida. O que você precisa fazer é aceitar, colocar em prática, viver, experimentar, independentemente da situação em que você esteja vivendo. E quando tudo parecer sem sentido, olhe para cima, olhe para frente, olha para o crucificado, olhe para o céu. É de lá que pode vir alguma resposta!
Assim iniciamos essa postagem, buscando, não através da auto-ajuda que é símbolo da sociedade egoísta em que conhecemos e já estamos acostumados, que nos ensina a olhar para dentro de si mesmo, mas da ajuda que vem do alto, do Senhor Deus, olhando para aquele que pode nos ajudar verdadeiramente, a graça de amar, a graça de experimentar o Céu na Terra.
E como não amar experimentando o céu e experimentar o céu amando? Não há outra forma de fazer isso, senão assim! Recomendamos que você assista um vídeo para dar o ponta-pé inicial de hoje. É uma canção do Flavinho da Canção, que se chama "Deixe-se amar": http://www.youtube.com/watch?v=ZzjcMdryzIM
O que é amar? Como deixar-se amar? Como levar alguém ao céu? É possível levar qualquer pessoa que seja? Vamos refletir sobre as diversas formas de amor, formas de amar, amor verdadeiro, amores falsos, amor de criança, de juventude, de adulto, da tenra idade, amor e paixão.
QUANDO FALAMOS DE AMOR, NOSSO CORAÇÃO SE AQUECE! Em todas as fases da nossa vida, amor é uma coisa que não pode faltar. Nascemos já carentes de amor, precisamos receber amor, temos sede de amor, temos fome de amor. Em todos os lugares do mundo, em toda parte do planeta, todas as pessoas gritam por amor, de uma forma ou de outra. Santa Catarina de Sena, uma das três doutoras da Igreja Católica dizia: "Amar. É para isso que o nosso coração foi feito!" Que símbolo mais belo de amor: um coração; ou se analisarmos de onde vem o amor: do coração. 
Nosso coração foi feito para exalar amor. É o lugar onde ficam nossas reservas de amor. Infelizmente, hoje em dia o coração de muitas pessoas está vazio de amor, pois não recebem amor, não experimentam amor, não sabem o que é amor, ou melhor, não experimentam profundamente. Existem muitos "amores" que nos são propostos, mas que não preenchem nosso coração, que não satisfazem nossa alma, que nos sufocam, que nos entorpecem. Como dizer que isso é amor? O amor é decisão, é liberdade, é coerência, é emoção, mas precisa estar alicerçado na razão, na fé, na verdade e na realidade. São João vai dizer o amor é Deus, Deus é amor, e quem não ama não conhece a Deus (cf. 1Jo 4,8).
Vamos tomar o exemplo de namorados, como na primeira imagem, acima. Um rapaz apaixonado é capaz de fazer de tudo por sua amada: manda caixa de bombons, flores, gasta dinheiro, faz de tudo para ver ela sempre sorrindo, e abraça, e beija, e quer ficar junto para sempre, faz planos com ela, sonha, imagina o seu mundo ao lado dela em todos os momentos, etc. Ele é capaz de dizer: "Eu te amo; eu te carrego no colo." E faz isso com o maior prazer. Aí já está errado: ISSO NÃO É AMAR; NÃO SE DEVE CARREGAR NO COLO A PESSOA QUE SABE ANDAR!
Amar não é dar coisas, falar, abraçar, beijar, estar perto, apenas. Mas também é sofrer. Por que o mundo não nos ensina isso? Ficamos envoltos por uma mentalidade de que amar é fazer tudo pelo outro, mesmo que ele tenha capacidade de fazer isso. Amor não tem nada a ver com isso, porque vai amolecendo a pessoa, e acostumando-a a viver, necessitando da outra pessoa para fazer as coisas para ela. Por isso, cai-se no vício e no erro do COMODISMO.
Os namoros de hoje, mesmo dentro da Igreja, tornaram-se desculpa para transar. Que triste realidade presenciamos em nosso tempo. E de um relacionamento decidido, em que um escolhe o outro, agora um fica preso ao outro pela necessidade do sexo. Isso acaba com a força de decisão da pessoa, porque ela não fica mais junto com outra porque ama, mas porque ela tem necessidade do sexo. E logo, isso transforma também os relacionamentos em relações descartáveis, onde você usa e abusa da pessoa até não poder mais, e depois joga fora quando enjoa de usar. O corpo da pessoa, que é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 3,16; 6,19) transforma-se num objeto de prazer. Será que isso é amor?
Não é difícil enxergarmos a influência desse amor molenga dentro de uma família, atualizada na moda e no mundo. Os pais respeitam os filhos e deixam namorado e namorada dos filhos dormirem e terem relações sexuais dentro da própria casa. As crianças fazem o que querem, desobedecem, desrespeitam, gritam e xingam os próprios pais, e estes ficam quietos, por medo dessa moda da criança denuncia-los. Na Bíblia está escrito: "Cada um de vós respeite a sua mãe e o seu pai" (Lv 19,3). As crianças e jovens fazem o que querem e o que não querem. Cada um tem seu espaço dentro de casa; são delimitadas as partes da casa de cada um; perdeu-se o contato, o diálogo, a harmonia da família, o equilíbrio, os limites. Será que isso é amor?
A sociedade cria padrões de comportamento para que cada pessoa viva e se ajuste na moda, desde a forma de se vestir, de comer, de ouvir e de assistr,. de agir, de pensar, de portar-se, de ser educado, de amar. Como não dizer: amar de forma vazia!? Estão enfiando goela abaixo no coração das pessoas o que querem, o que pensam, o que é melhor para cada um deles. Será que isso é amor?
As pessoas casadas estão caindo no grande erro do adultério. O papa João Paulo II dizia que o adultério entrou nas famílias por causa das telenovelas. Uma pessoa casa-se com outra, assume um compromisso diante das pessoas e diante de Deus, para estar firme em um sacramento de amor para toda a vida. No entanto, influenciado pelas telenovelas, o pessoal está adulterando pra cima e pra baixo. Antes era só o homem, mas hoje a mulher entrou nessa moda. E o pior é quando fala-se de troca de casais e o casal que aceita isso: o homem fica com a mulher do amigo e o amigo fica com sua mulher. Mas tem uma grande desculpa, que é cantada: "Só por uma noite..." O que que tem? Querem destruir o casamento e a família. Será que isso é amor?
Se analisarmos todas as ocasiões possíveis em que enxergamos a CARÊNCIA DE AMOR, iremos prolongar muito essa postagem, sendo que estamos dando exemplo para entendermos melhor o tema. Aprofundemo-nos, dando foco ao que nos é proposto...
Quando somos crianças, o mundo e tudo ao nosso redor é maravilhoso (mesmo que a realidade que nascemos não seja assim tão boa). A criança tem uma capacidade maravilhosa de olhar para o mundo com carinho, com brilho nos olhos. A criança confia profundamente nas pessoas. A criança é um poço de amor: em qualquer ocasião, ela sempre procura um jeitinho dar o seu toque. Criança sente amor por todos ao seu redor de forma que assombra o mundo. PRECISAMOS APRENDER A AMAR COM AS SIMPLES CRIANÇAS PARA ENTRAR NO CÉU! Por causa disso também foi que Jesus disse: 
"Em verdade vos declaro: se não vos transformardes e vos tornardes como criancinhas, não entrareis no Reino dos céus." (Mt 18,3) 
A juventude é uma fase de formação em que o amor muitas vezes é limitado para algumas pessoas. Muitos jovens tem vergonha dos pais, vergonha do amor que receberam dentro de casa, vergonha das coisas da própria família. Entre os amigos é aquela demonstração tremenda de amor e afeto, que causa inveja nos pais e familiares: uma pessoa que não faz parte da família tem mais valor do que os próprios familiares. Nessa fase é que, mais do que na infância, a pessoa precisa ser moldada, corrigida, orientada. A família deve ensinar ao adolescente, ao jovem:
"Não odiarás o teu irmão no teu coração. REPREENDERÁS o teu próximo para que não incorras em pecado por sua causa. Não te vingarás; não guardarás rancor contra os filhos do teu povo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Lv 19,17-18)
Muitas vezes pensamos que os pais que amam são aqueles que dão tudo ao filho, permitem que ele saia, faça festas, bagunças, desordem do jeito que quiser, no tempo e no local que bem escolher. O jovem vê os pais de seus amigos assim e diz: "Olha, que pais que amam os filhos. Eu queria ter pais assim. Os meus são muito chatos!" Temos que dizer, que isso é qualquer coisa (desleixo, despreocupação, destempero, conformidade, desculpa) menos amor. QUEM AMA COLOCA LIMITES, seja na obedência:
"Tens filhos? Educa-os, e curva-os à obediência desde a infância." (Eclo 7,25)
Seja nos valores:
"Educa o teu filho, esforça-te (por instruí-lo), para que te não desonre com sua vida vergonhosa." (Eclo 30,13)
Seja no exemplo de vida; aqui temos o problema em que muitos querem ensinar o certo, mas viver o errado. Como alguém pode aceitar isso?! Os pais tem que ser exemplo na vida com Deus para os filhos, se querem que os mesmos tenham uma vida na graça e na presença do Senhor:
"Pais, não exaspereis vossos filhos. Pelo contrário, criai-os na educação e na doutrina do Senhor." (Ef 6,4)
Mas por que ou para que impôr essa chatice a crianças e aos jovens? PORQUE PELO AMOR QUE SENTE-SE A ELES, QUER-SE O MELHOR, ou seja, quer que eles tenham felicidade não apenas aqui na Terra, mas durante toda a eternidade, no céu, ao lado de Deus. Nos limites, na educação, na doutrina do Senhor, as crianças, os jovens começam a se preparar para as coisas mais sublimes que existem na Terra, que são coisas que viveremos no céu: a plenitude do amor, a alegria completa, a felicidade eterna. Temos que nos preparar também, se é para lá que queremos ir.
Caso os jovens sejam educados na doutrina do Senhor, não como alienados que vivem as coisas de Deus por obrigação, mas movidos por uma decisão e escolha para a própria vida, porque começaram a entender desde crianças que isso é o certo; não teríamos a tristeza de uma sociedade jovem sem controle, sem regras e sem limites, que vive o ódio. Teríamos jovens preservando a sua sexualidade, guardando sua virgindade e castidade para o casamento, conforme sua vocação. Não que não tenha; mas precisa-se de mais jovens assim. O que vemos hoje é resultado da falta de amor, que vem de dentro de casa, por não terem sido educados na graça e nos mandamentos do Senhor. Seria um valor comum e sério para todos: "Não pecar contra a castidade", o sexto mandamento.
AMAR É PÔR LIMITES. AMAR É MOSTRAR COM OS EXEMPLOS DA PRÓPRIA VIDA O QUE É CERTO E O QUE É ERRADO. AMAR É DAR DEUS AOS OUTROS. AMAR É DAR O SEU MELHOR, PARA QUE O OUTRO SEJA FELIZ. AMAR É SE CONSUMIR, COMO JESUS CONSUMIU A SUA VIDA. Se olharmos para Jesus, temos o exemplo para os casais que adulteram e cometem o absurdo da troca de casais:
"Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5,25-27)
Muitas vezes amar é dar um chacoalhão na pessoa para que ela acorde; para que ela olhe para cima, para que ela tenha esperança no viver, para que ela recobre o ânimo, tenha coragem de enfrentar as dificuldades da vida. Não podemos permitir que as pessoas caiam nessa onda de "molenguismo". Somos chamados, a partir do nosso batismo a ter uma vida firme, fortalecidos pelo dom e pela graça de Deus.
"Por este motivo, eu te exorto a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. Pois Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria." (2Tm 1,6-7)
Amar é ajudar a pessoa a despertar para uma vida nova em Cristo, renunciando ao pecado e a vida velha:
"Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará." (Ef 5,14)
Por causa do comodismo do pecado muitos ficam no mesmismo a vida inteira. Para que o céu comece a ser experimentado é necessário essa coragem. E só faz isso quem ama! E se tem quem ama, precisamos de alguém que é amado. Talvez sejamos nós mesmos, que precisamos ser amados, deixar-nos ser amados. Deixar-se amar é um segredo para vivermos o céu, para fazermos essa experiência. Ninguém pode dar aquilo que não tem. Se você não tem a experiência desse amor verdadeiro, dessa coragem, como pode oferecer para alguém? 
Mesmo que não haja pessoas ao seu redor que te levem a essa experiência, talvez porque não receberam amor também, você não tem desculpas. Deus quer te dar essa experiência agora. Se coloque na santa e poderosa presença do Senhor:
"Jesus amado, me coloco na tua presença para suplicar uma experiência de amor tremenda neste momento. Meu viver tem sido vazio; eu tenho vivido na mentira, na hipocrisia, nas aparências, no orgulho, na vaidade.Reconheço que não tenho amado de verdade Senhor, principalmente aqueles que o Senhor escolheu a dedo e colocou ao meu redor, minha família. Mas eu quero amar, porém, eu não consigo. Eu preciso do teu amor. Dá-me a coragem de amar Senhor. Dá-me a ousadia e o destemor para amar com todo o meu coração. Da mesma forma que eu peço a graça de te amar, eu peço a graça de amar a todos que estão ao meu redor. Muitas vezes eu deixo passar várias oportunidades para amar, para ajudar, para perdoar e pedir perdão, para demonstrar nos meus atos que eu amo, para levar meus amigos a acordar para a vida. Muitas vezes eu prefiro ficar no meu cantinho, sem me preocupar, sem fazer nada, pois tenho medo de que me intrometendo em alguns casos, eu tenha problemas. Mas eu também sei que só quem ama é que tem essa coragem. Enche o meu coração de coragem agora Senhor. Derrama sobre mim o teu Espírito Santo e impulsiona-me a amar. Impulsiona-me a viver o Céu aqui na Terra. Impulsiona a trazer mais pessoas a essa experiência da força do teu amor, que transforma o mundo. Vem Espírito Santo de Deus, tu que és o fogo do amor de Deus derramado nos nossos corações, me dar a graça de viver esse amor que meu coração está cheio, quero colocá-lo em prática em todas as áreas da minha vida. Queima meu coração, minha alma, meu espírito, meu corpo e todo o meu ser com teu fogo de amor, Espírito Santo. E mova-me, de alguma forma, a ser amor, a transmitir amor, a levar amor, a transpirar amor; pois é isso que o Senhor faz comigo agora. Obrigado, ó doce Espírito de Deus. Obrigado Jesus, tu és bendito, santo, glorioso, digno de amor, honra, adoração, por toda a eternidade. Obrigado meu Pai querido, por tanto amor que o Senhor enxarca a minha vida agora. Glórias a Ti Senhor! Amém."
Se você realmente acredita em Deus, e na sua oração, crê realmente no poder Dele, você vai poder levar qualquer pessoa que seja a viver esse céu com você, pois:
"A Deus nenhuma coisa é impossível." (Lc 1,37)
Movido pela fé de Jó, que nós assumamos para nós essa verdade, e confiando no Senhor, tenhamos a coragem de Deus ardendo em nossa alma, para amar e fazer a diferença nesse mundo carente de amor.
"Sei que podes tudo, que nada Te é muito difícil." (Jó 42,2)
Pela força do Senhor podemos dizer para o mundo carente que o amor de Deus é diferente de tudo o que possamos experimentar. O amor de Deus nos faz experimentar e transmitir esse maravilhoso céu. Apontando para lá, terminamos nossa postagem de hoje, deixando alguns conselhos para as famílias (tema que refletiremos em outras postagens).
Encerramos com recomendações às famílias, por direção do grande apóstolo dos pagãos. São Paulo dá a mesma recomendação às famílias dos efésios; mas transcrevemos as recomendações que foram escritas aos colossenses:
"Mulheres, sede submissas a vossos maridos, porque assim convém, no Senhor. Maridos, amai as vossas mulheres e não as trateis com aspereza. Filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto agrada ao Senhor. Pais, deixais de irritar vossos filhos, para que não se tornem desanimados. Servos, obedecei em tudo a vossos senhores terrenos, servindo não por motivo de que estais sendo vistos, como quem busca agradar aos homens, mas com sinceridade de coração, por temor a Deus. Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração, como para o Senhor e não para os homens., certos de que recebereis, como recompensa, a herança das mãos do Senhor. Servi a Cristo, Senhor." (Cl 3,18-24)

Que Deus nos abençoe e nos leve a experiência de amar verdadeiramente, com o amor do céu!

Você não está sozinho

Amados e amadas de Deus, começamos essa semana embalados pelo amor do Senhor, que está maravilhosamente presente em nossas vidas, nos acompanhando em todos os momentos, desde o nosso nascimento e nos dá a certeza que permanecerá até o fim, como nos disse o amado Jesus: "Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Mt 28,20)
Como permanecer indiferente perante este tremendo amor do Senhor!? Como dizer que Deus não existe? Como não desejar servi-Lo e consumir-se por sua causa? Como não querer ser fiel como Ele é? Como não desejar viver o Céu aqui na Terra?
Muito mais de tudo o que queremos, Deus sempre quer mais do que nós. Um filósofo que abalou sua época e continua incomodando muitos por aí que dizem mentiras, falando que Deus não existe, que Ele não se importa conosco coisa nenhuma, que Ele é mau, é Santo Agostinho (caso você seja ateu, convidamos você a ler um pouco da literatura desse grande homem de Deus e repensar em suas idéias). Ele dizia: "Deus tem sede que nós tenhamos sede dEle!" Imagine agora como Deus deseja ardentemente que O busquemos, que estejamos com Ele e permitamos que Ele faça parte diariamente das nossas vidas. Infelizmente, muitos vivem como se Deus não existisse. Por causa disso e do afastamento das pessoas, sentem-se sozinhos no mundo, mesmo hoje sendo mais de 7 bilhões de pessoas vivendo sobre a face da Terra...
Como o título sugere, queremos refletir sobre o sentimento de solidão, que habita no coração de muitas pessoas e antes das dúvidas surgirem já damos uma resposta. Comece essa postagem convencendo a você mesmo: "EU NÃO ESTOU SOZINHO!" Por que muitos pensam que estão sozinhos? Por que as pessoas sentem-se sozinhas? Por que muitas vezes mesmo em meio a uma multidão nos sentimos sozinhos? Há solidão boa ou ruim?
Começamos com um trecho do livro do Eclesiastes, em que a autoria é geralmente atribuída a Salomão, filho de Davi:
"Vi ainda outra vaidade debaixo do sol: eis um homem sozinho, sem alguém junto de si, nem filho, nem irmão; trabalha sem parar, e, não obstante, seus olhos não se fartam de riquezas. Para quem trabalho eu, privando-me de todo bem-estar? Eis uma vaidade e um trabalho ingrato. Dois homens juntos são mais felizes que um isolado, porque obterão um bom salário de seu trabalho. Se um vem a cair, o outro o levanta. Mas ai do homem solitário: se ele cair não há ninguém para o levantar. Da mesma forma, se dormem dois juntos, aquecem-se; mas um homem só, como se há de aquecer? Se é possível dominar o homem que está sozinho, dois podem resistir ao agressor, e um cordel triplicado não se rompe facilmente." (Ecle 4,7-12)
Que interessante a linguagem que o autor utiliza para descrever a solidão! Ele associa à vida solitária a fraqueza humana, a infelicidade, a dificuldade de levantar-se após um tombo, a dominação pelas coisas e a uma corda que se estiver fortalecida (triplicada) não se romperá com tanta facilidade. O primeiro fato importantíssimo que destacamos aqui é que a pessoa que é sozinha, que vive sozinha, que permanece sozinha e que escolhe a solidão como forma de vida, não é feliz. Todo mundo precisa de uma companhia: um amigo, um(a) namorado(a), marido/esposa, pessoa que possa contar, o próprio Deus...
De que vale a pena viver em um mundo tão belo, com maravilhas e pessoas que o Criador fez, pensando em nós, isolados? Que opção triste! Algumas pessoas tem a capacidade de optar por viver dessa forma. É uma vaidade, como diria Salomão, ou em outros casos, é uma falta de opção, pois muitos estão assim sem querer.
Em um livro de um renomado médico e escritor dos Estados Unidos, Robin Cook, ele escreve uma frase interessante sobre a solidão: "O homem mais forte do mundo, é o que mais suporta a solidão". Mas analisaremos, ao longo dessa postagem, as duas formas de viver a solidão (por opção ou por falta de opção) e também a partir de dois aspectos (com o olhar humano e com o olhar divino).
Se você já se sentiu assim, de vez em quando ou constantemente sente esse sentimento presente em sua vida, essa postagem é dedicada especialmente para você!
Só quem já passou pela experiência de ficar verdadeiramente sozinho pode entender o que é realmente a solidão. É uma coisa que se aprende na prática; que pode trazer marcas para toda a vida. Vou transcrever o meu próprio testemunho, que talvez pareça com a história de muitas pessoas.
"Desde a infância, de momentos que me recordo, trago esse sentimento dentro de mim. Nunca tive facilidade de relacionamento com as pessoas. Sempre fui uma pessoa fechada. Pela falta de apoio da família, e vindo de uma família totalmente desestruturada e desorganizada, não aprendi a me relacionar. Isso gerou um trauma muito grande dentro de mim, a ponto de que eu tinha medo e não queria conhecer novas pessoas. Quando me apresentavam a alguém que eu não conhecia, eu corria para me trancar no quarto e batia a porta, gritando e chorando. Coisa de criança mimada que me fez sempre estar separado das pessoas na escola. Conversava apenas com algumas pessoas e tinha poucos amigos. Depois fui crescendo numa adolescência solitária. Tinha vergonha de conversar com meninas e não tinha facilidade de conversar com muita gente, por causa da timidez. Não conversava com a família dentro de casa, por falta de amor e das brigas que eram frequentes. Não tinha amigos de verdade para conversar quando precisava. Tive um encontro com Jesus aos quinze anos e por um tempo parecia que tinha sido curado. Jesus tornara-se o meu grande e verdadeiro amigo mais certo das horas incertas. Mas com o passar do tempo e desapego dos poucos colegas, a solidão consumia ainda mais meu coração. Sabia que Deus estava comigo, mas falava para Jesus: 'Eu sei que o Senhor está comigo, mas muitas vezes quando preciso conversar com alguém e não encontro ninguém, eu falo com o Senhor mas não ouço uma resposta do Senhor conversando comigo. Eu preciso de amigos Jesus.' Foram cinco anos de oração, de experiências com o Senhor, de pessoas que vinham e iam embora, de choros, tristezas e alegrias. No dia em que fiz vinte anos, participei de um encontro e diante de Jesus Sacramentado pedi a graça de ser curado da solidão. Faz quase dois anos que isso aconteceu, e o Senhor me curou, colocou pessoas maravilhosas ao meu lado, como amigos de verdade que posso contar e que fazem parte da minha vida, uma namorada e a presença do Senhor hoje me conforta de forma concreta. Não me sinto mais sozinho! A solidão que eu senti durante vinte anos não existe mais. Hoje ao lado das pessoas e sempre caminhando com o Senhor, não tenho mais problemas com isso. Escrevi uma canção que gostaria de compartilhar com todas as pessoas que sentem-se sozinhas, para que passem pela experiência que passei e sejam curadas de toda solidão, em nome do Senhor Jesus Cristo. Amém."
A letra da música é em inglês por isso, transcrevemos em português para que todos entendam, o título é o mesmo dessa postagem.
"Quando você sentir a solidão no momento escuro da sua vida e o desespero bater a sua porta, apenas confie, para você há um Deus. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Não há mais sentido para chorar, para se fechar em si mesmo, abra sua alma e receba Seu amor, isso vai te sustentar. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Segure Sua mão e não se preocupe, diante de você Ele está, onde quer que você esteja. Olhe ao seu redor e sinta Sua presença, o Espírito Santo vai trazer a ajuda. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Ele cura sua alma e te dá outro coração. Não entenda, não pense, apenas viva, esta é sua nova vida. Você pode sentir perto de você, você não está sozinho. Você pode ver com seus próprios olhos, Ele está com você. Deus está com você! O Senhor está conosco!"
Quantos hoje em dia sofrem por ficarem sozinhos! Muitos ficam com uma e outra pessoa, tem relacionamentos descartáveis e passageiros, namoram, conversam, jogam papo fora, falam o que querem e o que não querem quando precisam, mas sentem-se sozinhas. Muitos conhecem a Deus, sabem que Deus está presente em sua  vida, mas ainda não experimentaram a presença viva e real do Senhor. Primeira coisa que precisamos fazer: enxergar a solidão como ela é - um sentimento que traz tristeza, que traz angústia, que traz revolta, que embrulha e acabrunha o coração. Ou seja, trata-se de um mal que tem que ser combatido na origem. E QUAL É A ORIGEM DESSE MAL? DO CORAÇÃO HUMANO!
Aqui temos uma luz que vai nos ajudar a entender porque muitos sentem-se sozinhos: porque embora estejam com muitas pessoas ao redor de si, não tem ninguém no coração! Ou pior é quando tem muitas pessoas, mas que são aprisionadas na falta de perdão, de ódio, de mágoas e de traumas (tema que aprofundaremos em outras postagens).
Jesus tinha alguns costumes de oração que cultivava, principalmente, retirando-se para lugares solitários em que Ele ficava na intimidade com o Pai. Sua comunhão e submissão ao Pai é plena: em todos os momentos, em todas as situações, em cada ocasião, em tudo o que fazia e falava.
"Mas Ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar." (Lc 5,16)
Da mesma forma em momentos quando queriam exaltá-Lo, colocá-Lo num patamar mais alto, como rei e glorificá-Lo, pelas suas obras e pelo que é, Ele fugia para um lugar solitário. Jesus não aceitava ser exaltado em público, pois no meio da multidão, muitos falam, gostam, amam e aceitam-No, mas Ele não quer e nem precisa disso: Ele sabe o que Ele é, o que Ele faz. Não precisava aparecer em público para ficar se mostrando.
"Jesus, percebendo que queriam arrebatá-Lo e fazê-Lo rei, tornou a retirar-se sozinho para o monte." (Jo 6,15)
Diferentemente de Cristo, muitas pessoas hoje em dia precisam ficar mostrando-se diante das pessoas, chamando atenção para si, pelo que sabem, pela forma como falam, pelas coisas engraçadas, pela forma como vivem, por tudo e por nada. Muitas vezes, ou todas as vezes, podemos perceber que são essas pessoas que carregam dentro de si a solidão, pois revelam a carência e a necessidade de ficar aparecendo sempre. Será que você não está vivendo dessa forma?
A pessoa que não sente-se sozinha, tem auto-segurança, confiança, não precisa ficar provando para os outros toda hora o que é ou o que tem. E por isso, temos mais uma característica de quem vive a solidão: a carência. Se isso for uma regra e levarmos ao pé da letra, poderíamos dizer que a maioria das pessoas, hoje em dia, são carentes, e consequentemente, sentem-se sozinhas. A sociedade cria isso em nós e precisamos nos libertar desse condicionamento de aparências em que ficamos mostrando para as pessoas tudo o que temos por fora, mas o coração, que está vazio e precisávamos mostrar, não é mostrado. Portanto, de nada adianta ficar querendo aparecer!
Pelo fato de sentirem-se sozinhas, as pessoas são levadas a pensar que estão sozinhas. Uma coisa leva a outra: o que sentimos é o que leva-nos a pensar. E de um sentimento do coração, a mente é alimentada a enxergar-se a si mesma e ao mundo, a partir dessa ótica. É aí que entendemos como um coração vazio, leva a uma vida vazia. Tentamos preencher de todas as formas possíveis nosso coração, mas da forma errada, pois as coisas de fora não podem preencher a solidão que sentimos por dentro. Mas, temos que entender que A CURA DA SOLIDÃO É UM PROCESSO QUE COMEÇA POR DENTRO E É CONCRETIZADO PELAS ATITUDES E GESTOS EXTERIORES.
Jesus, mesmo com os "bons costumes" de ficar sozinho em oração e retirar-se para locais solitários, nunca esteve sozinho. Sendo um só com o Pai e com o Espírito Santo, no mistério da Trindade Santa, Jesus tinha um coração experimentado em sua humanidade, apesar de não cometer nenhum pecado, e cheio da presença do Pai. Seus discípulos, seus amigos e até aqueles que consideravam-se seus inimigos moravam em seu coração.
No momento auge de sua vida e de sua missão, o Cristo Jesus sentiu-se profundamente sozinho, pois a dor que assolava e esmagava seu coração fazia-O sentir-se abandonado, mesmo com sua confiança no Pai. No alto da cruz ele Grita: "Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?" (Mt 27,46) Será que você já chegou nesse ponto, ou próximo a isso, a ponto de não conseguir raciocinar direito?
Nesses momentos, a fé, a oração, a confiança em Deus, a certeza de um coração que está cheio de Deus é o que sustenta a vida. Precisamos disso para passar por momentos de profunda solidão, como Jesus passou.
Convidamos a você entoar, do íntimo do seu coração, essa oração que o salmista entoou, passando seu sentimento diante do Senhor, apresentando a Ele, exatamente a forma como você está se sentindo. Expresse sua angústia, sua dor, seu lamento, sua tristeza, suas mágoas, suas revoltas, suas misérias, seus pecados, seus medos, seus fracassos, suas incapacidades, suas infidelidades. Enfim, coloque para fora tudo o que há no seu coração, e deixe que Ele entre, curando todo o mal que você tem carregado há tanto tempo:
"Prece de um aflito que desabafa sua angústia diante do Senhor. Senhor, ouvi a minha oração, e chegue até vós o meu clamor. Não oculteis de mim a vossa face no dia de minha angústia. Inclinai para mim o vosso ouvido. Quando vos invocar, acudi-me prontamente, porque meus dias se dissipam como a fumaça, e como um tição consomem-se os meus ossos. Queimando como erva, meu coração murcha, até me esqueço de comer meu pão. A violência de meus gemidos faz com que se me peguem à pele os ossos. Assemelho-me ao pelicano do deserto, sou como a coruja nas ruínas. Perdi o sono e gemo, como pássaro solitário no telhado. Insultam-me continuamente os inimigos, em seu furor me atiram imprecações. Como cinza do mesmo modo que pão, lágrimas se misturam à minha bebida, devido à vossa cólera indignada, pois me tomastes para me lançar ao longe. Os meus dias se esvaecem como a sombra da noite e me vou murchando como a relva. Vós, porém, Senhor, sois eterno, e vosso nome subsiste em todas as gerações. Levantai-vos, pois, e sede propício a Sião; é tempo de compadecer-vos dela, chegou a hora... porque vossos servos têm amor aos seus escombros e se condoem de suas ruínas. E as nações pagãs reverenciarão o vosso nome, Senhor, e os reis da terra prestarão homenagens à vossa glória. Quando o Senhor tiver reconstruído Sião, e aparecido em sua glória, quando ele aceitar a oração dos desvalidos e não mais rejeitar as suas súplicas, escrevam-se estes fatos para a geração futura, e louve o Senhor o povo que há de vir, porque o Senhor olhou do alto de seu santuário, do céu ele contemplou a terra; para escutar os gemidos dos cativos, para livrar da morte os condenados; para que seja aclamado em Sião o nome do Senhor, e em Jerusalém o seu louvor, no dia em que se hão de reunir os povos, e os reinos para servir o Senhor. Deus esgotou-me as forças no meio do caminho, abreviou-me os dias. Meu Deus, peço, não me leveis no meio da minha vida, vós cujos anos são eternos. No começo criastes a terra, e o céu é obra de vossas mãos. Um e outro passarão, enquanto vós ficareis. Tudo se acaba pelo uso como um traje. Como uma veste, vós os substituís e eles hão de sumir. Mas vós permaneceis o mesmo e vossos anos não têm fim. Os filhos de vossos servos habitarão seguros, e sua posteridade se perpetuará diante de vós." (Sl 101,1-29)
Quem tem a coragem de fazer essa experiência com Jesus, perceberá que nunca esteve sozinho, desde o seio da mãe, até o dia de hoje, independentemente da idade e da história que tenha tido. Por causa disso, podemos concluir que não há solidão boa ou ruim, porque ninguém que sinta-se sozinho é forte, é feliz, é melhor. O que existe são pessoas que mesmo em meio a solidão, sentem-se confiantes pois sabem, pela experiência, provadas no fogo da solidão, que o Senhor está com elas.
Da mesma forma que Deus está no nosso coração e podemos sentir a sua presença em todos os locais e em todas as horas, as pessoas que amamos podem morar em nossos corações, se permitirmos. Uma pessoa sadia carrega muitas outras pessoas dentro de si, pelo amor, pelo carinho, pela admiração, pela vida que teve com as pessoas. Embora os sofrimentos e as situações difíceis que passam, pessoas assim, conseguem suportar todas as coisas, pois não estão sozinhas, não pensam que estão solitárias e podem contar com aqueles que vivem dentro do seu coração.
Mesmo que essas pessoas tenham ido embora, mesmo que tenham se mudado e perdemos o contato com elas, mesmo que tenham morrido e partido ao encontro de Deus, sempre vão continuar na nossa vida, pois quem vive dentro do nosso coração não morre, apenas deixa de fazer parte do nosso mundo visível, pois o amor sempre a manterá viva dentro de nós.
Querido e querida de Deus acredite nisso: sempre que sentir-se sozinho, sentir que a solidão está consumindo seu coração, há sempre alguém, que mora dentro do seu coração, que você pode contar, para todas as horas, para todos os momentos... Acredite nisso! Como diria São Paulo: você é um Teófilo (ou seja, um querido, amado de Deus).
Não escrevo porque acho bonito, porque é uma receita mágica que se for seguida a risca poderá converter a solidão do seu coração em presença, mas porque passei por isso, e durante os vinte anos de experiência sentindo-me sozinho, vejo que nada é melhor do que ter pessoas ao meu redor, ao meu lado, com as quais posso contar, que moram dentro do meu coração, que fazem parte da minha história e da minha vida. E Deus continua a ser o mesmo, mas hoje em dia, sua presença constante conforta meu coração e me faz crer, cada vez mais, que nunca estive e nunca estarei sozinho.
Recomendamos a você assistir um vídeo para selar essa certeza em seu coração, para que você enxergue todos os momentos que você já se sentiu sozinho, a partir da certeza que é cantada nessa maravilhosa canção da Salette Ferreira, da Canção Nova: 

Que isso anime seu coração, para que você saia da solidão e entre sempre na presença de Deus, até que a presença de Deus ocupe, preencha e cure toda a solidão existente, até o ponto em que o único sentimento que reste seja a presença, e não qualquer presença, mas a maravilhosa e santa presença do Senhor, nosso Deus.

Que Deus nos abençoe e nos cure de todo sentimento de solidão. Amém!

Atos ou palavras?

"Nisto temos conhecido o amor: (Jesus) deu sua vida por nós. Também nós outros devemos dar a nossa vida pelos nossos irmãos. Quem possuir bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como pode estar nele o amor de Deus? Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. Nisto é que conheceremos se somos da verdade, e tranquilizaremos a nossa consciência diante de Deus, caso nossa consciência nos censure, pois Deus é maior do que nossa consciência e conhece todas as coisas. Caríssimos, se a nossa consciência nada nos censura, temos confiança diante de Deus, e tudo o que lhe pedirmos, receberemos dele porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável a seus olhos." (1Jo 3,16-22)
Que maravilha começar essa formação de hoje com essa belíssima passagem da primeira carta do apóstolo do amor, um jovem que experimentou profundamente o amor de Jesus Cristo. E esse amor fez com que ele fosse o mais doce, carinhoso e atencioso dentre os doze, e amado, predileto de Jesus pela sua confiança plena no Senhor. Mas não podemos nos confundir: João era extremamente egoísta, irritado, explodia por pouca coisa e não sabia amar. Ele passou por uma experiência de crescimento como pessoa, como filho de Deus, como servo do Senhor, como alguém que encontrou o sentido da vida. Compreenderemos, a partir de alguns relatos da própria vida de São João, como temos a NECESSIDADE de crescer sempre, em todos os sentidos (da mesma forma como já aprofundamos em outra postagem esse crescimento a partir de Jesus).
O nosso foco hoje não será amor, experiência, fé, liberdade, conhecimento de Deus, mundo, pecado, perdão, arrependimento, serviço ou qualquer outro dos temas que já tratamos nas outras postagens, mas será essencial para a vivência verdadeira desses e dos demais que aprofundaremos nesse blog, com a graça de Deus. O tema nos remete a um questionamento: atos ou palavras? O que precisamos fazer para crescer? Para que precisamos desse crescimento? Qual o sentido de crescer ou não crescer?
Na passagem acima temos o ensinamento de João, que diz que não devemos amar com palavras nem com a língua, mas POR ATOS E EM VERDADE. Por que ele diz isto? Porque ele se conhece, porque ele conhece o homem, suas capacidades e seus apegos, suas virtudes e seus defeitos. Não trata-se de um conselho para uma comunidade em especial, para um tempo da história ou para um grupo de pessoas, mas para toda a humanidade, em todos os tempos, para todos os locais da face da Terra.
Os homens são parecidos em todas as partes do planeta: existem os mesmos problemas, as mesmas fraquezas, os mesmos condicionamentos (quando não é material, é espiritual, é falta de liberdade, é apego às coisas e às pessoas, é infidelidade no serviço a Deus, é imoralidade, é impiedade, é impureza, é falta de conhecer a Deus profundamente, é superficialidade, etc). Mudam-se os lugares, mudam-se os hábitos, tradições, costumes, mas as pessoas não deixam de ser HUMANAS.
Para poder dar passos na direção de um crescimento real precisamos aprender a nos conhecer. Estamos acostumados a viver na sociedade sem nos conhecer e sem conhecer aos outros. A mídia mostra de forma muito bela as pessoas, os relacionamentos, os problemas; até o pobre na novela tem um nível acima do normal que conhecemos na realidade. Os "simulacros" que nos rodeiam, isto é, cópias imperfeitas e fingidas da vida humana na sociedade, nos levam a crer que não precisamos nos conhecer. 
Na Igreja Católica, os grande homens de Deus que conhecemos são unânimes em dizer que "ANTES DE CONHECER A DEUS, PRECISAMOS NOS CONHECER". Aí já entendemos o sentido de existir tantas atrações hoje em dia; para que não passemos pela experiência de conhecer-se a si mesmo (como dizia o filósofo Sócrates). Mas como conhecer-se? Através dos gostos, desejos, vontades, coisas boas; mas também através dos erros, defeitos, fraquezas, misérias. Mas precisamos entender bem: uma coisa é ser pecador e aceitar a própria natureza, compreendendo a situação em que se vive; outra coisa muito diferente é aceitar o pecado, pois não fomos feitos nem chamados a vida para viver o pecado, mas para viver a santidade (cf. 1Ts 4,7) [da mesma forma é quem está doente e não deve aceitar a doença, pois não é vontade de Deus, mas lutar contra ela, já que a vontade do Senhor é que todos sejamos salvos, curados, libertos, sarados e livres - tema que aprofundaremos em outras postagens].
Apenas a partir do momento em que nos decidimos por mudar (porque enxergamos que algo não está bom em nós) é que começamos a crescer. Essa palavra bíblica deve nos levar a reflexão: Como amar aos outros, se nem sequer amamos a nós mesmos, o que conhecemos e o que não conhecemos? Como ser da verdade, se primeiramente, nem reconhecemos as mentiras que estão na nossa vida? Como tranquilizar a consciência se vivemos escondendo as coisas de Deus, sabendo ou não que Ele é maior do que a nossa consciência? Como chegar a esse nível de ter uma confiança plena no Senhor, guardar os seus mandamentos e ainda fazer o que é agradável aos seus olhos?
Falar assim é muito bonito, soa muito bem, parece uma receita mágica para crescer em Deus; mas não é nada disso. Não propomos nessa postagem coisas mágicas que devem ser seguidas à risca para que haja transformações ou mudanças (como a primeira imagem acima), mas  propomos um caminho para ser seguido, vivido e experimentado na prática, para que, seguindo nessa direção, cheguemos a experiência e mantenhamo-nos crescendo de modo autêntico.
Muitas pessoas tem uma boa vontade impressionante: se propõem a fazer coisas que muitas vezes conhecem, sabem de cor até, mas na prática, não chegam a ser metade do que falam. Sua palavra garante uma coisa, mas sua realidade é um pouco diferente. Temos duas opções para não cair nesse erro: falar bem menos ou agir bem mais. Conhecer-se é isso: reconhecer com as palavras que muitas vezes nossos atos não são lá aquelas coisas. Isto vale para o relacionamento com as pessoas e com Deus; quando prometemos que vamos fazer isso ou aquilo, temos uma vontade verdadeira de realizar, mas não conseguimos, pois ainda não passamos pela experiência de crescer; somos como crianças. 
Quantas pessoas podem ajudar aos outros neste mundo? Se fizermos uma análise (fictícia) do mundo hoje iremos perceber que: 80% da população é pobre e vive em condições de vida normal ou abaixo do normal; uns 15% tem dinheiro e vive bem melhor; e os outros 5% tem o mundo inteiro nas mãos. Como esses cinco por cento (ou os quinze por cento, ou até mesmo a maioria) vêem os outros passarem fome, necessidades e ainda querem dizer que conhecem a Deus, que neles está o amor de Deus sendo que não ajudam e nem se importam? Se somos seguidores de Cristo, temos que agir como Ele agiria, diante das mais diversas situações. Não é apenas dizer, é preciso fazer.
Vejamos alguns traços que vão formar a personalidade de João para que nós o conheçamos melhor.
"Aproximando-se o tempo em que Jesus devia ser arrebatado deste mundo, ele resolveu dirigir-se a Jerusalém. Enviou diante de si mensageiros que, tendo partido, entraram em uma povoação dos samaritanos para lhe arranjar pousada. Mas não o receberam, por ele dar mostras de que ia para Jerusalém. Vendo isto, Tiago e João disseram: Senhor, queres que mandemos que desça fogo do céu e os consuma? Jesus voltou-se e REPREENDEU-OS SEVERAMENTE. [Não sabeis de que espírito sois animados. O Filho do Homem não veio para perder as vidas dos homens, mas para salvá-las.] Foram então para outra povoação." (Lc 9,51-56)
Por causa desse acontecimento descrito que São Lucas narrou em seu Evangelho, é que Tiago e seu irmão João eram os irmãos 'boanerges', ou Filhos do trovão, como Marcos vai nos ensinar (cf. Mc 3,17). Eles tinham uma má fama entre o povo e entre os apóstolos; fama essa que não foi construída da noite para o dia, mas com um trabalho árduo e intenso de atitudes e palavras indelicadas como essa, ao longo da sua vida. Mas foi com o passar do tempo e com a convivência que foram apelidados assim.
Em um outro momento, os mesmos irmãos, se aproximam de Jesus e fazem um pedido que incomodou realmente e levou os discípulos a indignar-se contra eles:
"Aproximaram-se de Jesus Tiago e João, filhos de Zebedeu, e disseram-lhe: Mestre, queremos que nos concedas tudo o que te pedirmos. Que quereis que vos faça? Concede-nos que nos sentemos na tua glória, um à tua direita e outro à tua esquerda. Não sabeis o que pedis, retorquiu Jesus. Podeis vós beber o cálice que eu vou beber, ou ser batizados no batismo em que eu vou ser batizado? Podemos, asseguraram eles. Jesus prosseguiu: Vós bebereis o cálice que eu devo beber e sereis batizados no batismo em que eu devo ser batizado. Mas, quanto ao assentardes à minha direita ou à minha esquerda, isto não depende de mim: o lugar compete àqueles a quem está destinado. Ouvindo isto, os outros dez começaram a indignar-se contra Tiago e João. Jesus chamou-os e deu-lhes esta lição: Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos. Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos." (Mc 10,35-45)
O engraçado é que nesses dois acontecimentos narrados, e em outros que devem ter acontecido (que não estão narrados na Bíblia) Jesus sempre tenta ajudá-los a desenvolver o entendimento a respeito de como deveriam portar-se como seus seguidores. Podemos crer que pelos ensinamentos de Jesus, pelo conhecimento que Ele tinha, e pela forma como 'falava e vivia' é que os discípulos, aos poucos, também Tiago e nosso querido João, foram sendo transformados.
Jesus não era incoerente. O que Ele pregou durante a vida inteira, foi concretizado com suas obras e levadas a perfeição quando morreu na cruz, selando os seus ensinamentos radicais com o seu sangue derramado. Aprendamos com Ele e deixemo-nos ser transformados, para darmos passos rumo a coerência na nossa vida também.
Para uma criança, que ainda está sendo formada a como pensar, a como ver o mundo e o que é certo e errado não há muita diferença entre o que falamos e vivemos: elas aceitam o que falamos como verdade absoluta. Basta crescer um pouquinho e a criança começa a perceber uma certa incoerência nos pais, por exemplo, e param de obedecer alegando: você não faz isso, por que eu vou fazer? E muitos pais usam e ensinam os filhos com uma verdade diabólica, que lúcifer utiliza: "Faça o que eu falo, não o que eu faço!" ISSO É UM ABSURDO!
Nesse pequeno exemplo e pelo nosso conhecimento de mundo, sabemos que as pessoas falam uma coisa e vivem outra. O problema é quando são pessoas que se dizem de Deus, mas não é nem por maldade: pelo fato de estarem acostumados a viver assim; quando começam a servir a Cristo, continuam assim. Mas o grande problema não é esse: é reconhecer essa incoerência na própria vida e não querer ou não deixar-se transformar por Deus.
MUITOS ESTÃO ASSIM HOJE EM DIA! É pela incoerência e infantilidade dos cristãos que muitos estão tornando-se ateus, mudando de religião e dizendo que vivem melhor sem Deus, do que com Deus; o erro não está em Deus, em Jesus, no Espírito Santo ou no que Ele ensinou e viveu, mas na nossa fraqueza e erro de dizer uma coisa que realmente não vivemos com Ele.
Falar de Deus é fácil, falar da sua Palavra é fácil, falar da graça de Deus é fácil; difícil é viver com Ele, aplicar sua Palavra no viver e conservar-se em sua graça. É realmente difícil, mas não é impossível! Por mais que sejamos maus, duros de coração, tenhamos um passado triste de dores e sofrimentos, infidelidades, impureza ao extremo e tudo o mais que possamos pensar, DEUS É MAIS QUE TUDO ISSO. Nada é impossível para Ele, mas nós não temos a coragem ou a maturidade para crer nisso; e permitir que Ele aja em nossa vida, transformando e mudando aquilo que deve ser mudado.
Precisamos deixar o Senhor nos transformar e tirar desse mundinho de infantilidade que é provocado pela mídia, pela moda, pelo cristianismo de conveniência, pela vida com Deus sem compromisso, em que o único alimento é um leitinho espiritual que só pode sustentar uma criança na fé; pela falta de sabedoria e vacilação de tantos que abalados pelas coisas  são levados pelo vento e agitados de um lado para outro, como uma onda no mar (cf. Tg 1,6), pela busca do prazer e distanciamento de Deus. Quantos exemplos poderíamos citar para demonstrar de forma concreta como estamos sendo infantis, e por estar apegados a essa infantilidade, o Senhor não pode nos transformar, não porque Ele não quer, mas porque não desejamos.
Analisemos uma coisa importante que São Paulo ensinou a comunidade de Corinto:
"Porque o Reino de Deus não consiste em palavras, mas em atos." (1Cor 4,20)
Trata-se de uma exortação que prefigura o céu. E um caminho também: quer viver o Céu aqui na Terra? Fale com sinceridade aquilo que você é e o que vive realmente, mas sobretudo, viva aquilo que você fala!
Na oração muitas vezes não somos atendidos porque pedimos uma coisa para Deus com as palavras, mas não demonstramos com nossas atitudes que queremos aquilo realmente. Nossos atos falam muito mais a Deus aquilo que queremos do que nossas palavras propriamente ditas.
Temos que aprender agir mais e falar menos para que nos convertamos, para que aprendamos a ser coerentes, para que sejamos livres das acusações do demônio em que nos colocamos, por não refrearmos a nossa língua indomável [cf. Tg 3] (em outra postagem aprofundaremos mais esse tema de acusações do demônio), para termos uma fé verdadeira. Tiago, nos ensina com maestria sobre a fé, pois também era um boanerges, como seu irmão João:
"Assim também a fé: se não tiver obras, é morta em si mesma. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras. Mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crês que há um só Deus. Fazes bem. Também os demônios crêem e tremem. Queres ver, ó homem vão, como a fé sem obras é estéril? Abraão, nosso pai, não foi justificado pelas obras, oferecendo o seu filho Isaac sobre o altar? Vês como a fé cooperava com as suas obras e era completada por elas. Assim se cumpriu a Escritura, que diz: Abraão creu em Deus e isto lhe foi tido em conta de justiça, e foi chamado amigo de Deus (Gn 15,6). Vedes como o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé? Do mesmo modo Raab, a meretriz, não foi ela justificada pelas obras, por ter recebido os mensageiros e os ter feito sair por outro caminho? Assim como o corpo sem a alma é morto, assim também a fé sem obras é morta." (Tg 2,17-26)
Sabe por que o mundo que não conhece a Deus, ou esse Aeon, (cf. 1Jo 5,19) não quer que cresçamos em Deus, como pessoas, que pensemos, que tenhamos uma vida coerente, de fé, firme com Deus, com compromisso, provada no fogo da provação e alicerçada no coração de Jesus Cristo e da sua Palavra? Porque enquanto formos como crianças e infantis, aceitaremos tudo o que ele nos enfiar goela abaixo.
O Senhor que nos orienta, nos guia, conduz, fortalece, edifica a nossa vida e faz tudo por nós, quer nos ver passar pela mesma experiência de crescimento que São João e São Tiago passaram, para que desprendendo-nos de nossas infantilidades possamos ser como eles, outros discípulos e tantos outros homens e mulheres de Deus que incendiaram o mundo com sua radicalidade de amor por Jesus Cristo, sendo a diferença no mundo e na sociedade: vivendo a pureza, mesmo em meio a prostituição e imoralidade; vivendo a loucura do Evangelho autêntico, da forma que Jesus pediu, mesmo em meio a tantas doutrinas e seitas que ajustam o Evangelho para viverem de forma agradável; vivendo com o mal do pecado e a tendência para pecar, mas jamais aceitando o pecado, mas sempre lutando contra ele; vivendo como peregrinos aqui na Terra, aguardando nossa pátria celeste, mesmo vendo tantos construírem impérios e mansões pensando que a vida eterna será aqui; vivendo o amor verdadeiro com atitudes, mesmo em meio a um mundo que ama de maneira falsa apenas com palavras.
Importante não esquecermos que muitas coisas sérias e firmes de Deus devem ser feitas através de palavras, professando a fé, renunciando ao mal, aceitando o Senhor, pedindo o Espírito Santo, entregando-se ao Senhor, pregando a Palavra, etc. Mas são passos que damos, de palavras em palavras para atos em atos, para que fiquemos firmes e inabaláveis no Senhor, nosso Deus.
"Aquele que afirma permanecer nEle, deve também viver como Ele viveu." (1Jo 2,6)

Coloque-se na presença de Deus para finalizar essa formação de hoje, para que demos os passos necessários e cheguemos ao terreno firme das atitudes: "Doce Jesus, creio que tu queres que eu cresça, e eu quero crescer Senhor. Mas muitas coisas me impedem de ser como o Senhor quer que eu seja. Por isso mesmo, assumindo minhas impotências é que eu clamo a tua graça, o teu amor, a tua graça que é santificadora e fonte de santidade para todo o meu ser, para todo o meu viver. Derrama sobre mim a tua graça Senhor, sem TI eu nada posso. Eu clamo e súplico no teu nome ó Jesus: eu quero viver uma vida agradável ao Senhor, mas eu não consigo; por isso derrama sobre mim a força do Teu Espírito Santo, revestindo e envolvendo todo o meu ser. Protege-me da incoerência no falar e no viver. Eu quero ser todo Teu Senhor. Abrasa o meu coração neste momento. Dá-me uma experiência forte e real com teu amor. Renova em mim a tua ação de revitalização, jovializando meu coração, meu espírito e minha alma. Dá-me a graça de um espírito firme e decidido, quero estar firme na rocha que é o Senhor e não ser como uma criança que se abala por qualquer coisinha, mesmo que sejam coisas fortes. Prova-me e dá-me uma fé autentica, traduzida em obras e no amor pelos irmãos. Fortalece-me e sustenta-me com tua destra Senhor, selando em mim, com teu sangue santíssimo, a graça de perseverar contigo, crescendo sempre, para que eu seja cada vez mais tua imagem e semelhança. Obrigado Senhor, seja engrandecido, louvado, amado, bendito, glorificado, honrado, exaltado, enaltecido pela tua bondade, pelo que o Senhor é e pelo que o Senhor faz. Honras e louvores ao teu nome. Amém."

Que Deus enriqueça nosso coração, nos dando a graça de crescer e agir nesse sentido, colaborando com a vontade do Senhor.

Corpus Christ

Aleluia! Glórias sejam dadas a Deus por Jesus Cristo na força e na graça do Espírito Santo. Sempre que temos um tema forte e importante, temos que travar uma verdadeira batalha contra o inferno para podermos ser canal da graça de Deus. Mais isso não tira a grande alegria no coração por poder partilhar este maravilhoso tema: Corpus Christ. Do latim temos a tradução "CORPO DE CRISTO".
Queremos refletir e aprofundar este tema, que tem muito mais a ver com o mundo católico do que com as outras religiões cristãs; menos ainda com outras religiões. Mas veremos que não trata-se de um simbologismo ou um costume barato mas de uma realidade que muitas vezes passa despercebida em nossa sociedade: O que é o corpo de Cristo? De onde vem? Qual o sentido da existência? Porque os católicos adoram? É idolatria? Para que celebrar esse Corpus Christ?
Vamos iniciar com a palavra de Deus para termos a direção de hoje motivada pela verdade bíblica em que o próprio Jesus nos ensina após ter realizado o milagre da multiplicação dos pães (cf. Jo 6,1-15) e o milagre em que caminhou pelas águas do lago Tiberíades (cf. Jo 6,16-21):
"Jesus replicou: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede. Mas já vos disse: Vós me vedes e não credes... Todo aquele que o Pai me dá virá a mim e o que vem a mim não o lançarei fora. Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia. Esta é a vontade de meu Pai: todo aquele que vê o Filho e nele crê, tenha a vida eterna, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Murmuravam então dEle os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. [Jesus responde]: Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo." (Jo 6,35-41.51)
Analisemos o contexto em que Jesus estava situado quando disse essas coisas. Nos capítulos anteriores do Evangelho de São João temos o relato do que Jesus já havia realizado: encontro com os primeiros discípulos, o milagre nas bodas de Caná, conversa com Nicodemos, encontro com a samaritana no poço de Jacó, cura da filha de um oficial, cura do paralítico do tanque Betesda. Em seguida temos a multiplicação dos pães e Jesus andando sobre as águas do lago Tiberíades, conforme versículos que descrevemos acima.
Jesus já estava manifestando a sua glória e mostrando o seu poder curador e libertador quando começou o discurso do pão da vida. E já começamos aqui descrevendo o sentido de Jesus ter realizado estes dois milagres antes de fazer começar a falar sobre o pão da vida: ELE QUIS DEMONSTRAR QUE TEM DOMÍNIO SOBRE A MATÉRIA DO PÃO E QUE TEM DOMÍNIO SOBRE O SEU CORPO. Entenderemos ao longo dessa postagem o sentido do nosso Senhor Jesus Cristo ter feito isso; que não foi de propósito, mas intencional.
Essa postagem toda girará em torno desse capítulo sexto do Evangelho de São João; mas precisamos da atitude concreta de Jesus sobre o pão da vida, pois até então Ele apenas falava a respeito, mas não tinha demonstrado e traduzido em gestos o que falava. Foi  na famosa "Última Ceia" que Ele exemplificou e realizou a primeira obra da face da Terra em que entregou o pão e o vinho aos discípulos, não como pão e vinho, mas como o seu corpo e o seu sangue.
"Chegada que foi a hora, Jesus pôs-se a mesa, e com Ele os apóstolos. Disse-lhes: Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de sofrer. Pois vos digo: não tornarei a comê-la, até que ela se cumpra no Reino de Deus. Pegando o cálice, deu graças e disse: Tomai este cálice e distribui-o entre vós. Pois vos digo: já não tornarei a beber do fruto da videira até que venha o Reino de Deus. Tomou em seguida o pão e depois de ter dado graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Do mesmo modo tomou também o cálice, depois de cear, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós." (Lc 22,14-20)
Que loucura parece aos nossos olhos essa cena da Última Ceia. Jesus entregou o "pão" aos discípulos após ter dado graças e disse "ISTO É O MEU CORPO". Mas que absurdo Jesus fez? Ele estava bêbado? Ele tinha fumado antes da ceia? Ele estava muito louco? Ou Ele estava falando em termos figurados?
Ahh irmãos, se não fosse o próprio Jesus poderíamos dizer que trata-se de uma palhaçada, uma brincadeira com coisa séria. Mas foi Jesus que disse isso! Ele não disse: isto parece o meu corpo; isto pode ser o meu corpo; isto é uma lembrança; isto representa o meu corpo; isto é um pão mas vai lembrar meu corpo. Jesus disse com todas as letras: "Isto é o meu corpo".
Quando tomou o cálice nas mãos, Jesus fez a mesma coisa dizendo "ESTE CÁLICE É A NOVA ALIANÇA EM MEU SANGUE". Para tirar nossas dúvidas, vamos ao mesmo contexto no Evangelho de São Mateus:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é o meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados." (Mt 26,26-28)
Não seriamos coerentes se não expuséssemos também o Evangelho de São Marcos, em tal contexto:
"Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: Tomai, isto é o meu corpo. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. E disse-lhes: Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos." (Mc 14,22-24)
Apenas não vamos trazer aqui esse trecho da Última Ceia do Evangelho de São João; e você deve saber o porquê. Porque João traz a verdade sobre a última ceia; e nos narra Jesus falando: Isto representa o meu corpo e o meu sangue? Não! Porque ele não nos relata esse momento: João se preocupou em trazer-nos o que Jesus falou na Última Ceia, já que os outros três evangelistas já tinham falado sobre o ato. Então, conforme a narração e o reforço dos outros dois Evangelhos (Mateus e Marcos) Jesus disse: ISTO É O MEU SANGUE. Ele não disse: Isto lembra o meu sangue; isto parece o meu sangue; isto representa o meu sangue. Ele disse que é.
Infelizmente, muitas pessoas distorceram a palavra da Bíblia e não aceitam essas palavras, dizendo que trata-se de uma figura de linguagem, que Jesus não queria dizer isso mesmo e arranjam mil e uma desculpas para dizer que não é essa a mensagem do Evangelho, da mesma forma que os seguidores de Jesus não aceitaram o que Jesus disse quando falou sobre o pão da vida. Temos aqui uma coisa muito séria: OU ACREDITAMOS NA BÍBLIA COMO PALAVRA DE DEUS; OU AMOLDEMOS ELA AOS NOSSOS GOSTOS HUMANOS.
O pessoal da época deve ter ficado muito confuso, entristecido, enraivado, nervoso e descrente de Jesus. Um homem que realizava milagres, sinais e prodígios. Parecia que Deus estava com Ele; ele falava com autoridade; e de repente nos pregar uma peça dessas... Mas Jesus não estava pregando peça ou falando de forma figurada, como veremos na continuação do capítulo 6:
"Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne? Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a MINHA CARNE É VERDADEIRAMENTE UMA COMIDA E O MEU SANGUE, VERDADEIRAMENTE UMA BEBIDA. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim. Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. Quem como deste pão viverá eternamente. Tal foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum." (Jo 6,47-59)
Perceba quantas vezes Jesus insistiu em dizer que Ele é o pão da vida; que sua carne e seu sangue são verdadeiramente uma comida e uma bebida. Em seguido temos a reação do povo:
"Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: Isto é muito duro! Quem o pode admitir? Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: Isso vos escandaliza? Que será, quando virdes subir o Filho do homem para onde ele estava antes...? O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida. Mas alguns entre vós que não crêem... Pois desde o princípio Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair. Ele prosseguiu: Por isso vos disse: Ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lho for concedido. DESDE ENTÃO, MUITOS DOS SEUS DISCÍPULOS NÃO ANDAVAM COM ELE. Então Jesus perguntou aos Doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, a quem iriamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós cremos e sabemos que Tu és o Santo de Deus!" (Jo 6,60-69)
Isso te soa familiar querido e querida de Deus? Jesus falou e insistiu que daria sua carne e seu sangue como comida e bebida para nossa salvação (e realmente deu, instituindo na Última Ceia a forma santa que realizou isto, abençoando o pão e o vinho) e os discípulos diziam que isso era MUITO DURO de aceitar. O que Jesus fez quando murmuravam que isso era difícil de admitir? Ele disse: "Não pessoal! Vocês não entenderam direito; eu estava me referindo de forma simbólica. Eu não vou dar minha carne e meu sangue mas não vai ser como comida e bebida, mas na cruz me entregando por vocês. Não sejam tolos; entendam o que estou dizendo!"? De forma alguma, Jesus foi ainda mais autoritário e não voltou atrás: 'Isso vos escandaliza?'
Por que MUITOS dos discípulos de Cristo pararam de segui-Lo e andar com Ele? PORQUE NÃO ACEITARAM ESSA VERDADE QUE SAIU DA BOCA DO PRÓPRIO JESUS. Sinto em dizer, com todo o respeito aos irmãos protestantes e evangélicos: a ÚNICA IGREJA que acredita nessas palavras de Jesus e continua a venerar e amar esse mistério do corpo e do sangue do Senhor nas espécies do pão e do vinho é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana (em outras postagens falaremos mais sobre ela). É verdade que os irmãos evangélicos celebram a última ceia, conforme Jesus pediu: "Fazei isto em memória de mim"; mas não acreditam a fundo nisto; comem do pão e bebem do vinho como pão e vinho mesmo.
Na Igreja Católica levamos a sério as palavras de Jesus, assumimos com verdade isto e celebramos na missa a entrega de Jesus na Última Ceia, e após o momento de consagração que acontece em toda missa, temos a carne de Jesus e o seu sangue. Não tratamos como pão e vinho, mas como CORPO E SANGUE. (em outras postagens, aprofundando o tema da "missa" entraremos em detalhes e nos méritos de como isto acontece).
Eis o sentido de CORPUS CHRIST: verdadeiramente o corpo de Jesus Cristo na espécie do pão que é consagrado no altar. Isto é o corpo de Jesus que celebramos, amamos, adoramos, veneramos, cultuamos e toda a vida da Igreja é voltada para este mistério central: Não enxergamos com nossos olhos humanos, mas acreditamos que Jesus não está presente no pão consagrado, mas ELE TRANSFORMA O PÃO EM SUA CARNE; e torna-se Ele próprio. Por isso não é idolatria!
Não adoramos ao hostensório; que é o objeto (muitas vezes de ouro, porque acreditamos que o corpo de Jesus merece o melhor) em que o corpo de Cristo é colocado para ser adorado, mas a própria carne de Cristo: o pão vivo descido do céu. Esse é o sentido quando nos dobramos diante do sacrário; que é o lugar onde o corpo de Jesus fica guardado, esperando para ser adorado; esse é o sentido de nos ajoelharmos na missa; esse é o sentido de nos ajoelharmos perante o hostensório, em que a carne sacrossanta de Cristo está inserida para ser adorada.
Se você é católico e não sabia disso, seja formado e viva essa verdade que a sua Igreja te ensina com todo amor e todo cuidado. Se você é protestante/evangélico/cristão, convidamos você a mergulhar na sua Bíblia e tirar suas próprias conclusões a respeito deste tema. Se você é de outra religião, convidamos você a conhecer a presença de um Deus que te ama tanto que foi capaz de derramar seu sangue na cruz por você, fez e faz tudo o que pode, e ainda dá sua carne e seu sangue para te alimentar. Se você é ateu, saiba que há um Deus que quer te dar um banquete aqui na terra, para que você comece a viver o céu; ou estenda sua visão de céu: o Céu na Terra é o corpo de Cristo, que desceu do céu, e nos alimenta.
Qual o sentido de celebrarmos, amarmos, adorarmos e comermos o pão consagrado (a carne viva de Jesus Cristo) na Igreja, em cada missa ou momento de oração? A força de Jesus que recebemos é sua palavra, seu Espírito Santo, sua presença de amor nos irmãos, e sobretudo, a sua carne que comemos e o seu sangue que bebemos. CELEBRAMOS O CORPO DE CRISTO PORQUE ELE NOS ANIMA A CONTINUAR, A DAR PASSOS NA FÉ, A VIVER O CÉU NA TERRA. ELE NOS DÁ CORAGEM PARA PERMANECER FIRMES COM ELE, MESMO EM MEIO AS TRIBULAÇÕES; AFINAL, COMO JESUS DISSE, VIVEMOS POR JESUS, JÁ QUE O RECEBEMOS DE FORMA REAL.
"Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação. Esta é a razão por que entre vós há muitos adoentados e fracos, e muitos mortos." (1Cor 11,29-30)

Encerramos esta postagem (mesmo atrasados) com as palavras do grande apóstolo de Cristo, São Paulo. Para que não haja tantos doentes, fracos e mortos no nosso meio; precisamos zelar, amar e viver com intensidade este mistério do corpo e do sangue de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho. Isto significa, levar a sério a missa, receber a carne de Jesus Cristo e adorá-Lo com toda a intensidade da nossa alma, adorar e amar a Ele que se entrega de forma tão simples e pequena, mas que é tão tremendo e gigantesco. Amemos e adoremos ao corpo de Cristo!

Deus nos abençoe e nos ajude a aceitar, amar e colocar em prática o que aprendemos nesta postagem.